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Entrega, ímpeto, sorte e peso da camisa: receitas de um Real Madrid supremo na Europa

Zidane mexeu mal, CR7 esteve sumido e às vezes pareceu faltar pernas… mas inteligência e entrega dos jogadores ajudaram no título da Champions League


GOAL Por Tauan Ambrosio 


O ponto alto do Real Madrid nesta decisão, futebolisticamente falando, foi o primeiro tempo. O juiz inglês Mark Clattenburg apitou o início de uma partida que começou bastante nervosa, tensa. Arqui-inimigos se enfrentando, muita rivalidade e tensão. Nos primeiros dez minutos, seis faltas: três para cada equipe.

Mas o Real Madrid conseguiu impor o seu jogo, e desfilou 45 minutos de um excelente futebol no San Siro. Quando os merengues saíram na frente, aos 15’, foi impossível não voltar o pensamento para Lisboa. Bola levantada na área e gol de Sergio Ramos, que estava em posição de impedimento. O algoz da final de 2014 desta vez estufava as redes no início, e não ao final da partida.

O capitão tem estrela. Não havia ainda feito gols nesta edição da Champions League, mas o destino voltou a sorrir para ele: tornou-se o primeiro defensor a marcar em duas finais do principal torneio europeu. No total, se uniu a outros quatro grandes: Raúl, Eto’o, Messi e Cristiano Ronaldo.

Com o resultado favorável, a estratégia foi recuar. Afinal de contas, era vez de deixar o Atlético de Madrid propor o jogo, obrigando os rivais a saírem do lugar-comum de seu estilo principal: retranca e contra-ataques certeiros. O 4-3-3, mantido com rigor pelos jogadores até o término dos 120 minutos, era alternado com um 4-1-4-1. À frente da zaga, Casemiro foi um gigante e tinha a constante companhia de Kroos. Foram eles os jogadores madridistas que mais desarmaram no primeiro tempo (3 e 4, respectivamente).


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A exibição era boa, e a torcida até começou a gritar “olé”. Tudo parecia favorável, e até o pênalti mal marcado a favor do Atleti não entrou. Griezmann conseguiu deslocar Keylor Navas na batida, mas o travessão salvou os merengues. O camisa 7 alvirrubro abaixou a cabeça, mas todo o time se comportava de maneira cabisbaixa a partir de então. Só que ainda era muito cedo.

O segundo tempo provou isso. A sorte parecia não acompanhar o clube de Chamartín, e as mudanças feitas por Zidane não ajudaram nem um pouco. Quando trocou Carvajal por Danilo, o motivo foi uma lesão do espanhol. Entretanto o francês errou ao sacar Kroos (um dos melhores em campo) para colocar Isco, e ao tirar Benzema para a entrada de Lucas Vásquez.

O meio de campo ficou mais povoado? Sim. Adiantou? Não. Isso porque aos 79 minutos o Atleti empatou. E crescia para cima do adversário, era melhor e a confiança tinha voltado para os comandados de Diego Simeone.

Carrasco comemora o gol de empate do Atleti (Foto: Getty Images)

Talvez por causa do problema físico sentido nos dias que antecederam a decisão no San Siro, Cristiano Ronaldo errava tudo o que fazia. Chegou até mesmo a dar uma canelada ao tentar dominar uma bola. Principal opção ofensiva, e jogador que mais vinha dando trabalho aos colchoneros, Bale também sentiu. Caiu no chão e mancou. O músculo não estava legal.

O roteiro começava a apontar um título do Atlético de Madrid. Só que, apesar de ameaçar mais, os colchoneros não conseguiam obrigar Keylor Navas a fazer grandes defesas. Danilo, por exemplo, se recuperou após ter tido muito trabalho para segurar Yannick Carrasco. Sergio Ramos aparecia bem para tirar o perigo da área e Casemiro era espetacular. O brasileiro passou até a subir e arriscar alguns chutes perigosos. Atuação completa.

Casemiro esteve em todos os lugares do campo

O tempo foi passando e os espaços voltavam a aparecer para o Real. Oblak, que já havia feito defesas incríveis no primeiro tempo, voltou a ser testado. A equipe treinada por Zidane estava de volta à partida. Vacilo do Atleti ou peso da camisa merengue? Cada lado tem a sua resposta. Fato é que mesmo com seus principais jogadores lesionados em campo, e Zidane sem poder efetuar mais trocas, o time de Santiago Bernabéu se manteve firme até o fim.

Quando o segundo tempo terminou, o Atlético de Madrid só havia acertado um chute a gol: justamente o de Carrasco, o do empate. O Real tinha levado perigo a Oblak em quatro ocasiões. A mesma coisa na prorrogação, só que duas vezes. Fim de jogo, empate por 1 a 1. A taça seria decidida nos pênaltis pela 11ª vez na história do certame. Seria um sinal de que o 11º título se avizinhava?

Foi o Real que abriu as cobranças alternadas. Lucas Vásquez chutou, Oblak ficou parado e a rede balançou. Marcelo foi seguro para a batida, converteu e urrou para a torcida. Bale e Sergio Ramos também fizeram. Pelo Atleti, Griezmann, Gabi e Saúl tiveram sucesso. Mas Juanfran acertou a trave do mesmo canto direito adivinhado por Navas. A equipe blanca estava a um gol de voltar a levantar a orelhuda. Mais uma vez Cristiano Ronaldo poderia deixar a sua marca, de pênalti, em uma decisão de Champions contra o Atleti.

A camisa voou leve, meio que escondendo todo o peso contido naquela cor branca (Foto: Getty Images)

O português avançou tranquilo e comemorou com raiva. Não por ter desperdiçado. A tal da ‘Undécima’ já era uma realidade. O português jogou a camisa para o alto, e ela voou leve, meio que escondendo todo o peso contido naquela cor branca.

A equipe treinada por Zidane jogou com inteligência, manteve o padrão tático até mesmo quando seus jogadores pareciam não aguentar mais. O Real Madrid soube vencer as crises ao longo da temporada, soube enfrentar o rival de cidade mesmo quando o momento parecia desfavorável e levou a melhor nas cobranças alternadas. No final das contas, o costume de ser Rei da Europa pesou.

Os campeões da Champions League 2015-16 (Foto: Getty Images)


Fonte: Goal.com

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