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Estilo Bauza: Como SP 50% está na semi e outros 'melhores' estão de fora

Corinthians e Atlético-MG foram os melhores do Brasil na Libertadores,quando o assunto se refere a números,  mas é o São Paulo, de Bauza, o sobrevivente. Chegou à semifinal com apenas 53% de aproveitamento, números piores que os do arquirrival (62,5%) e os do time mineiro (66,67%). E a explicação pode começar com um ônibus no CT do San Lorenzo, em 2013.

Foi por ali que o clube paulista achou um treinador para o qual esses números, relativamente baixos, não importam. Ele já venceu o torneio continental pela LDU (2008), com 47,6% de performance, e San Lorenzo, em 2014, com 52,4%.

Esse é, inclusive, o São Paulo com menor aproveitamento em uma semifinal de Libertadores. O pior retrospecto foi registrado em 2006, com Muricy Ramalho: 63% de aproveitamento, com seis vitórias, um empate e três derrotas — agora, são cinco triunfos, quatro empates e três derrotas (veja abaixo todos os retrospectos)

Edgardo Bauza chegou ao San Lorenzo em 2013, tendo no currículo um título da Libertadores em 2008, com a LDU. Não foi o bastante para agradar os lideres do elenco, saudosos de Juan Antônio Pizzi, o ex-treinador. Romagnoli, o craque, comandava o silencioso boicote.

Romagnoli e seus companheiros estranharam a chegada de um ônibus ao CT do San Lorenzo. E mais ainda quando Bauza chegou para o treino. Perguntou a Romagnoli se ele estava descontente e querendo sair. Se fosse o caso, bastaria pegar o ônibus que estava ali a sua disposição. O craque negou, mudou de atitude e foi importante na conquista do título da Libertadores 2014 mesmo no banco.

A ideia de levar o ônibus ao CT foi tomada de comum acordo com a diretoria. Está aí um dos pontos do sucesso de Bauza, único treinador a chegar em quatro semis de Libertadores por quatro times diferentes. Precisa de tempo, de trabalho e união do grupo para impor seu estilo de jogo. Não houve nenhum muxoxo de Ganso em esquentar o banco em La Paz, quando o São Paulo conseguiu o empate que o classificou para a segunda fase.

E qual o conceito de Bauza para o futebol? Pragmatismo, a partir de uma boa defesa. É um disco de Carlos Timóteo Griguol, técnico argentino com as mesmas características. Griguol defende a tese de que são necessárias 60 horas de treinamento para se conseguir uma boa defesa.

Bauza, assustado com os números do São Paulo no Brasileiro, tratou de trabalhar. E se hoje a defesa ainda assusta é por falhas individuais de Denis e da zaga. O time é bem compacto, bem fechado e cooperativo. Bauza pede que Calleri seja o primeiro defensor. E está aí, na capacidade de ajudar, que Bauza bancou Centurión por tanto tempo.

Com respaldo da diretoria, com o grupo unido, com um time compacto, Bauza se dedica então à tarefa de ganhar os jogos que precisa ganhar. Quando é lembrado que, com San Lorenzo, LDU e SPFC, ganhou apenas um jogo fora de casa, lembra que na Libertadores os jogos têm 180 minutos. E se não vence fora, seus times marcam fora de casa, o que é muito importante. Galo e Toluca que o digam. River e Strongest também.

O estilo Bauza é esse: defesa forte, vitória em casa e gol fora de casa. Está trabalhando para que o time sofra menos. Quer que a bola fique mais no campo rival. Foi o que pediu e não conseguiu contra o Galo.

Pode melhorar, mas não será um time agradável de se ver, como o Rosário Central, de Coudet. E ele nem liga: “Não quero ter um time vistoso. Quero ter um time com identidade e difícil de ser vencido”. Já conseguiu. Resta saber até onde chegará. Já chegou mais longe do que podia.

São Paulo na semifinal da Libertadores em 10 edições

1972
3v/2e/1d
67%

1974
4v/2e/0d
83%

1992
6v/3e/1d
75%

1993
2v/1e/1d
63%

1994
2v/2e/0d
75%

2004
8v/0e/2d
80%

2005
6v/3e/1d
70%

2006
6v/1e/3d
63%

2010
6v/3e/1d
70%

2016
5v/4e/3d
53%

Fonte: Bol.com.br

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