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"Estou dando o melhor de mim", diz Mariene de Castro sobre "Velho Chico"

A voz grave de Mariene de Castro continua a mesma, mas o jeito de andar e de falar se transforma todos os dias, assim que veste o uniforme da Dalva de “Velho Chico”. A postura vem de baianas arretadas que povoam o imaginário da cantora da terra do axé que defende o samba de roda. Os trejeitos traquinas, lembram os de Maria, 3, sua filha caçula. O flerte com a dramaturgia, que ela cultiva há alguns anos, deu liga, e ela, nenhuma aula de teatro e três filmes depois, aparece em rede nacional como a atrevida empregada de Afrânio (Antonio Fagundes) em sua primeira novela.

É uma atriz pronta, portanto. “Ainda não”, diz Mariene, que recebeu o convite para a novela de Benedito Ruy Barbosa após os trabalhos nos longas “Jardim das Folhas Sagradas” e “Quase Samba” e no curta “Ensolarados”. 

“É um ambiente mais familiar, com certeza, já sabia que no ‘câmera, ação’, tinha que estar pronta (risos). Mas é um pique bem diferente. Espero que o Luiz Fernando Carvalho (diretor geral da novela) esteja feliz. Estou dando o melhor de mim. Quando vi a primeira cena, pude dormir em paz. Eu ficava preocupada. Vou fazer uma coisa que vou admirar? Vou curtir fazer? Está sendo muito prazeroso. Tive sorte de trabalhar com essa equipe”, afirma a cantora de 35 anos, também é mãe de Bento, 5, Pedro, 7, e João, 16.

Reprodução/Instagram/marienedecastro

Mariene de Castro com os filhos, Maria, Bento, Pedro e João, vendo “Velho Chico”

Assistir à novela com os meninos virou programa sagrado, com direito a pipoca e “duelo” dos mais novos. “Eles adoram. Bento, que domina o controle remoto, tira do desenho, às 21h já fica atento. Aí ele diz que é o Bento (Irandhir Santos), o outro é o Santo (Domingos Montagner), viram os dois guerreiros da novela. E acho bacana que essa é uma novela que não me deixa constrangida de ver com eles. No início, quando tinha cenas mais fortes, tampava os olhos deles (risos). Mas eles adoram ver a Dalva, ficam empolgados”, conta.

O público também aprova a personalidade forte de Dalva, cuja atitude deixa a própria intérprete abismada. “Fico surpresa com a maneira com que ela se intromete em tudo, e os patrões não repudiam. Ela está de igual para igual, é muito dona de si. E não está preocupada se alguém vai mandá-la embora. As pessoas acham o máximo esse atrevimento, essa coisa sapeca. Ela é o lado lúdico. Tem uma tensão na história, e ela vai quebrando isso, até a tristeza de Doninha (Suely Bispo)”, analisa.

À vontade em gravações na Bahia

Nascida em Salvador, Mariene se sentiu completamente à vontade nas gravações em locações no Recôncavo Baiano. “Conheço muito e sou apaixonada por aquela região. Estou morando no Rio, então voltar para casa é sempre bom. Sou sempre muito bem recebida, tenho uma carreira de 15 anos na Bahia, uma história muito bonita. Esse povo que construiu isso junto comigo, tenho muita gratidão. Foi muito legal gravar logo no início com os grupos de cultura popular de lá, de samba de roda, naquela cena da festa dos cem anos de Encarnação (Selma Egrei). Fiquei muito emocionada”, lembra ela, que comemora as raízes nordestinas da novela.

“Fico encantada por a novela ser muito musical. Tem repentista, sanfoneiro tocando forró pé de serra… Estamos mostrando um lado muito rico do Nordeste, as bordadeiras… Meus olhos enxergam várias nuances do Brasil ali”, diz a atriz, que promete aparecer cantarolando em cena.

Mesmo com as gravações, Mariene diz que consegue manter sua agenda de shows, este ano mais voltada para o Brasil, após tocar na França, na Suíça, na China e em outros países em 2015. “Não posso pensar em fazer turnê até outubro”, conta ela, dizendo que seus fãs acompanham assiduamente a novela.

Bob Paulino/TV Globo

A cantora Mariene de Castro com figurino da turnê “Ser de Luz”

Antes de estourar na carreira solo, a cantora fez backing vocal de artistas que estavam estourando na década de 90, como Carlinhos Brown, Márcia Freire e o grupo Timbalada. Apenas um ano depois, fez sua primeira apresentação na França e não parou mais de mostrar de que outros sons a Bahia é feita.

“Foi muito bom ter trabalhado com pessoas que eu admiro. Foi um marco, um momento de efervescência. Tive a oportunidade de fazer a turnê ‘Alfagamabetizado’ com Brown e depois disso tive contato com carnaval, já com meu repertório, minhas escolhas, cantando em blocos de samba. O axé era a estrela da casa, apesar de o samba ter nascido lá. Tive a oportunidade de conviver com isso de maneira paralela, fazendo minha carreira cantando em teatros, fazendo formação de plateias”, lembra ela, que lançou o primeiro álbum, “Abre Caminho”, em 2004.

Com a bênção de artistas como Roque Ferreira e Beth Carvalho, foi firmando seu espaço na seara do samba, com direito a homenagem a Clara Nunes no show que se tornou o CD/DVD “Ser de Luz”. Tudo construído passo a passo. “O início da minha carreira parecia conto de fadas. Fui tratada como artista grande em festivais, os críticos me comparavam a Edith Piaf. Era tudo muito novo para mim. Quando voltei da França, só tinha axé. Foi um trabalho de formiguinha mesmo”, conta.

Fonte: Bol.com.br

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