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EUA inauguram sistema antimíssil na Romênia, para desgosto de Moscou

Deveselu, Roumanie, 12 Mai 2016 (AFP) – O sistema antimíssil americano de Deveselu, no sul da Romênia, foi declarado oficialmente operacional nesta quinta-feira, provocando a ira da Rússia, que considera uma ameaça à sua segurança.

“Os Estados Unidos e a Romênia estão fazendo história ao disponibilizar este sistema para a Otan”, declarou o comandante das forças navais americanas na Europa e na África Mark Ferguson, durante uma cerimônia de inauguração que teve a participação do secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, e de várias autoridades romenas.

“Hoje marcamos um momento importante para a Otan e para a segurança transatlântica”, acrescentou Stoltenberg, em frente ao edifício austero de concreto de cerca de vinte metros de altura, coberto por antenas e decorado com a bandeira americana, no coração deste sistema.

O sistema “representa um importante reforço da capacidade de defender os Aliados europeus contra a proliferação de mísseis balísticos de fora da zona euro-atlântica”, incluindo do Oriente Médio, acrescentou.

A implementação do sistema, esperada há muito tempo, provocou uma forte reação da Rússia.

“Nós dissemos desde o início, (…) estamos convencidos de que a implantação do sistema de defesa de mísseis é em si uma ameaça à segurança da Rússia”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

O sistema de defesa é apresentado por Washington como uma proteção frente ao Irã, mas Moscou o vê como uma ferramenta contra a sua dissuasão nuclear.

‘Não é direcionado contra a Rússia’Em Deveselu, Stoltenberg reiterou que a Rússia não tem nada a temer. “O sistema na Romênia, assim (como o que será construído) na Polônia, não é dirigido contra a Rússia”, disse ele.

“Os interceptores são poucos e localizados muito ao sul ou muito próximos à Rússia para interceptar mísseis balísticos intercontinentais russos”, argumentou.

O sistema romeno, cuja construção custou cerca de US$ 800 milhões, é formado de mísseis interceptores tipo SM-2. Ele será oficialmente um elemento do escudo antimíssil da Otan durante sua cúpula de Varsóvia em julho.

De acordo com Stoltenberg, a Otan explicou isso em várias ocasiões a Moscou, “oferecendo transparência, diálogo e cooperação”, mas em vão.

“A Rússia não respondeu de maneira positiva às nossas ofertas e pôs fim a este diálogo em 2013”, insistiu, acrescentando que “continua a ser uma questão preocupante”.

O representante da Rússia na Otan, Alexandre Grouchko, declarou por sua vez que “não será convencido por declarações segundo as quais o sistema antimíssil não visa a Rússia””.

Citado pela agência russa Interfax, ele também denunciou “sistemas de defesa antimíssil mobilizados na região em permanência e prontos para o combate” e “infraestruturas militares se aproximando das fronteiras russas”.

Lançado em 2010, o projeto de escudo antimísseis da Otan, essencialmente baseado na tecnologia dos Estados Unidos, visa a implantação gradual de interceptores de mísseis e de poderosos radares no leste europeu e na Turquia.

O sistema de Deveselu, cujos trabalhos começaram em outubro de 2013, faz parte da segunda fase deste projeto, após a implantação de um radar na Turquia e de quatro navios Aegis com capacidade de defesa de mísseis em Rota, na Espanha.

A terceira fase visa a criação de um sistema de defesa antimísseis na Polônia. As obras em Redzikowo começam na sexta-feira e devem ser concluídas no final de 2018.

mr-ilp/ros/mr

Fonte: Bol.com.br

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