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Ex-galã de "Malhação" hoje é dublador de Theon Greyjoy de "Game of Thrones"

Em 2000, Fábio Azevedo fez sucesso como o protagonista Marcelo na sétima temporada de “Malhação”, em que fazia par romântico com a atriz Ludmila Dayer. Se na época o ator arrancava suspiros das adolescentes, hoje, aos 37 anos, ele chama atenção pela voz, por dublar personagens famosos como Aiden (Barry Sloane), de “Revenge”, e de desenhos animados como “Cavaleiros de Zodíaco” e “Naruto”, e pode ser identificado atualmente como a voz de Theon Greyjoy, na versão dublada da sexta temporada de “Game of Thrones”, exibida pela HBO.

Fã da série, o ator ficou surpreso ao saber que dublaria um personagem importante na história. “Quando fui escalado para dublar ‘Game of Thrones’, não sabia qual era o personagem, mas achei que fosse alguém que morreria na Muralha, por exemplo. Cheguei no estúdio e vi que era o Theon e descobri que minha irmã dubla a Cersei, achei o máximo”, conta ele.

Fábio Azevedo começou a trabalhar com TV e publicidade aos 13 anos. Em 1999 atuou no seriado “Sandy e Jr.” e ano seguinte foi aprovado como protagonista de “Malhação”. O convite para testes na novela teen veio do diretor da época Marcos Paulo, morto em 2014, que assistiu a atuação dele no filme “Caminho dos Sonhos”. Fábio também atuou em novelas no SBT e Band.

“As pessoas chegam para mim e falam: ‘Ah que pena, mas um dia você volta para a televisão. Não consigo entender onde veem pena nisso”.

Fábio Azevedo, ator e dublador

A paixão pela dublagem começou antes de estrear na TV. Com o exemplo em casa da irmã, Sandra Azevedo, conhecida por ser a primeira dubladora da Chiquinha, do “Chaves”, Fábio pôde também se dedicar ao trabalho paralelo a televisão. “Ator é uma profissão que sofre muito com altos e baixos. Minha irmã me disse uma vez que dublagem é um lugar que dava para se sustentar bem, sem depender de ninguém, sem precisar de contratos abusivos, de testes do sofá como dizem por aí que tem”, explicou ele.

Para dublar “Game of Thrones”, os atores recebem os episódios dias antes de ir ao ar, mas só podem assistir as cenas em que aparecem apenas o personagem que vão emprestar a voz.

“Engana-se quem pensa que temos o privilégio de ver antes. Assinamos termo de sigilo com o dono do produto onde não podemos divulgar nenhum ponto da trama. Eu só vejo a parte em que mostra a cara do Theon. Se ele estiver em uma cena em que só ouve a irmã falando, por exemplo, eu nem chego a ver. Não acompanho nada mais, por isso dependemos de uma direção bem feita, de uma tradução bem feita. Os diretores são muito criteriosos, talentosos e podem cobrar de você o melhor que você tenha a oferecer”, afirma.

Montagem/UOL

Fábio Azevedo dubla Theon Greyjoy, de “Game Of Thrones”

Para Fábio, o mais difícil no trabalho de dublador é tentar manter em poucas horas de trabalho o que o ator original oferece na trama. Ele citou como exemplo o ator Heath Ledger, que demorou dois anos e meio se preparando para interpretar o Coringa (em “Batman, Cavalheiros das Trevas”). O ator morreu em 2008 de overdose de remédios, meses antes de o filme estrear.

Sem assédio

O ator, que não se recorda o primeiro personagem que dublou, já foi reconhecido nas ruas pela voz. “Eu dublei um reality show chamado “Quem Dá Mais?”, do A&E, e uma vez um cara me parou e perguntou: ‘você é a voz daquele programa, né?’. Foi a única vez que me reconheceram pela voz. Dublagem é uma coisa muito louca, você é ator, mas só o seu trabalho aparece, o que é muito interessante”. Fábio gostaria de voltar à televisão, mas não sente saudade do assédio que sofreu na época de “Malhação”, em que chegou a ser o campeão da Globo em receber cartas de fãs.

“Acho que é a pior parte. Ter o seu trabalho reconhecido é legal, mas aquela loucura toda não. Não faz falta para mim essa exposição toda. Era muito legal, mas também a novela dava 40 pontos de audiência, hoje com o advento da internet não vemos mais isso. Mas gostaria de voltar a fazer um trabalho na TV. As pessoas chegam para mim e falam: ‘Sh que pena, mas um dia você volta para a televisão. Não consigo entender onde veem pena nisso. O ator de verdade faz televisão, dublagem, teatro, tudo. Se hoje estou satisfeito dublando é o que importa”, comemora Fábio Azevedo, cujo último trabalho na TV foi como apresentador do programa “Login”, na TV Cultura, em 2010.

Fonte: Bol.com.br

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