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FPI do São Francisco: duas fábricas de laticínios são regularizados no Sertão de Alagoas

Em sua 5ª edição, a Fiscalização Preventiva Integrada da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco encontrou motivos para comemorar quando o assunto é produção de derivados do leite. Recentemente, duas fábricas de laticínios do Sertão de Alagoas passaram a funcionar regularizadas, produzindo toneladas de queijo coalho e manteiga em consonância com as normas sanitárias e ambientais.

Trata-se das Fábricas Gabriel e São Félix, empresas de pequeno e médio porte localizadas nos Municípios de Olivença e Batalha, respectivamente. Em ambas, a fiscalização encontrou estrutura, processamento e higienização adequados na confecção dos laticínios. 

Um dos técnicos da Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária do Estado de Alagoas (Adeal) elencou os avanços nas unidades: maquinaria de aço inox, tubulações identificadas por cores, piso industrial e climatização do alimento em todos os seus estágios. No interior, o controle de acesso de insetos, principalmente de moscas, funciona. Já os funcionários usam equipamentos de proteção individual e passam por revisões periódicas de médicos do trabalho. 

“A produção do queijo e de produtos lácteos em fábricas como a Gabriel e a São Félix começa com leite de qualidade e segue com responsabilidade da pasteurização do líquido até a distribuição dos seus derivados. Todo esse controle é muito importante porque um alimento manipulado sem condições de higiene, sem a devida estrutura, certamente trará doenças para a população”, afirma o técnico da Adeal.

O meio ambiente também ganha com a produção responsável dos laticínios. “As caldeiras funcionam com bagaço de cana prensado, chamadas de 'briquete'. Com isso, elas contribuem muito para a preservação do bioma da Caatinga, ao contrário do que se encontra por aí, em outros laticínios que utilizam madeiras nativas da vegetação local”, explica Ascânio Casado, tenente-coronel do Batalhão de Polícia Ambiental do Estado de Alagoas.

Produtor satisfeito

Produtor de laticínios há mais de 20 anos, o proprietário da fábrica São Félix mostrou-se orgulhoso com a autorização dos órgãos competentes para funcionar regularmente. Seus funcionários e máquinas trabalham dois horários há apenas duas semanas, mas já produzem diariamente toneladas de queijo coalho e manteira, que são vendidos para diversos municípios alagoanos, entre eles, Maceió, Arapiraca e Maragogi.

“Com o apoio da Adeal, do Sebrae e do Senai, optei pela regularização, justamente para sair da clandestinidade. Não quero correr o risco de sofrer sanções decorrentes da FPI do São Francisco. Estou muito satisfeito com o investimento realizado, de modo que agradeço a todos que me ajudaram. Nosso compromisso agora é de manter esse padrão de qualidade e até melhorá-lo. O comércio está aberto para quem trabalha certo”, disse o empresário.

Para a coordenadora da FPI do São Francisco, promotora de Justiça Lavínia Fragoso, empreendimentos como esses estimulam a continuidade do programa. “Sabemos que os resultados do nosso trabalho aparecem lentamente, porque implica em mudança de comportamento. No entanto, eles são perfeitamente possíveis. Nesta edição, visitamos duas fábricas onde a gente teve a possibilidade constatar o antes e o depois da atuação da FPI”, comemorou.

“Os proprietários, diante da constatação de que se encontravam irregulares perante os órgãos de fiscalização, procuraram o caminho correto, buscaram ajuda dos profissionais qualificados, seguiram as instruções técnicas para, então, operarem regularmente, mostrando que é possível agir dentro da lei”, completou a promotora de Justiça. 

Outro lado

Apesar do sucesso das fábricas Gabriel e São Félix, elas ainda são exceção. Nesta quarta-feira (18), a FPI do São Francisco interditou mais uma unidade de produção de laticínio em Cacimbinhas. Resíduos da fabricação e de uma pocilga eram lançados numa lagoa próxima da unidade. Duzentos quilos de queijo e alguns porcos foram apreendidos no local.

“Encontramos uma situação completamente inaceitável no tocante às condições higiênico-sanitárias. A mosca dava no meio da canela, tamanha a quantidade”, destacou um técnico da Adeal, que junto ao Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) lavrou auto de infração por desrespeito às normas vigentes 

Dono do empreendimento clandestino, José Iramildo da Conceição foi conduzido por policiais do BPA até uma delegacia por falsificação de selo público, maus-tratos aos animais e falta de licença ambiental para fabricação de laticínios e suíno cultura.

 

Assessoria

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