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Governo Temer é sacudido por divulgação de áudios do ministro Jucá

Brasília, 24 Mai 2016 (AFP) – O governo interino de Michel Temer enfrentava nesta segunda-feira um novo escândalo em 11 dias de vida, após a divulgação de áudios do ministro Romero Jucá sugerido que o impeachment da presidente Dilma Rousseff permitiria barrar as investigações da operação “Lava Jato”.

Em trechos de conversas telefônicas publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo, o ministro do Planejamento diz ao ex-presidente da companhia Transpetro Sergio Machado ser necessário um “pacto” para parar as investigações sobre a corrupção na Petrobras.

Ambos são investigados na Lava Jato, um escândalo que atinge grande parte da classe política brasileira e que ajudou a aprofundar a crise que levou ao afastamento de Dilma em 12 de maio.

“Tem que resolver essa porra… Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria”, disse Jucá nessa conversa.

No final do dia, Jucá anunciou que se licenciará do cargo a partir desta terça-feira, alegando que “não quer qualquer manipulação mal-intencionada que possa comprometer o governo”.

Gravada secretamente, a conversa ocorreu semanas antes da votação em 17 de abril na Câmara dos Deputados que aprovou o impeachment e conduziu o processo ao Senado segundo o jornal.

Ministro do governo interino de Michel Temer que assumiu após o afastamento de Dilma e senador licenciado do PMDB, Jucá insistiu em que era necessário “articular uma ação política” para “delimitar onde está, pronto”.

De acordo com a Folha, Machado procurou líderes do PMDB preocupado com os avanços da investigação.

Jucá se defendeEm uma coletiva de imprensa, Jucá disse que sua frase sobre “estancar esta sangria” se referia à crise econômica e política que afeta o Brasil.

Além disso, afirmou que o jornal divulgou “frases soltas” (…) “que, dentro do contexto da economia e da política, eu tenho repetido isso abertamente”.

“A Lava Jato é importante, precisa ser investigada, mas tem que delimitá-la”, disse Jucá, um forte aliado de Temer.

A publicação do diálogo representa um escândalo para Temer, que assumiu o cargo há 11 dias, depois que o Senado decidiu suspender Dilma por seis meses para o seu julgamento por suposta manipulação de contas públicas.

Vice-presidente por cinco anos, Temer (PMDB) acabou sendo um dos principais articuladores da saída de Dilma, que continua a denunciar o processo de impeachment como um “golpe”.

“Se alguém ainda não tinha certeza de que há um golpe em curso, baseado no desvio de poder e na fraude, as declarações fortemente incriminatórias de Jucá sobre os objetivos reais do impeachment, sobre quem está por trás deles, elimina qualquer dúvida (…). Os principais articuladores confessam que são golpistas”, disse Dilma após a divulgação das gravações.

Os críticos do impeachment defendem insistentemente que a mudança de governo foi uma estratégia para enterrar a investigação de corrupção, que tem como alvo os políticos de todos os setores e não apenas do Partido dos Trabalhadores (PT).

Pelo menos três ministros do novo gabinete são investigados pela Lava Jato.

Jucá era o homem encarregado da importante tarefa de reestruturar o orçamento do Brasil, uma das grandes promessas de Temer.

Segundo o jornal, Temer foi aconselhado a evitar Jucá no governo, porque sua presença transmitiria a imagem de que a nova administração quer enterrar as investigações.

Em seus poucos dias de vida, o governo interino já enfrentou outras polêmicas, tais como a ausência de mulheres e negros no alto escalão e a abolição do Ministério da Cultura (MinC) como parte de uma reestruturação para cortar custos. Neste último caso, dada a avalanche de críticas, Temer recuou.

bur-nr/rs/tm/mr/tt/lr

Fonte: Bol.com.br

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