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Herói do San Siro, Jair relembra seus feitos e avalia a final da Champions League

Exclusivo! Ídolo da Inter de Milão, o ponta direita balançou as redes do estádio que vai receber Real e Atlético de Madrid em uma inesquecível final europeia

O San Siro é um dos estádios mais conhecidos, míticos e cheios de alma do mundo. Desde a sua inauguração, em 1926, com vitória da Inter sobre o Milan no derby da cidade, vários foram os craques que desfilaram nos gramados que receberão, sábado (18), os finalistas da Champions League 2015-16.

Dentre os brasileiros que deixaram seus nomes marcados no Giuseppe Meazza, os mais frescos em nossa memória são: Cafu, Kaká, Thiago Silva, Ronaldinho Gaúcho, Robinho, Julio César, Lúcio, Maicon e Mancini. Maxwell, Adriano, Zé Maria e Zé Elias. Dida, Silvinho, Rivaldo e Ronaldo Fenômeno. A lista é tão grande quanto espetacular. Mas quem marcou o gol mais importante da história do estádio foi Jair da Costa.

Ponta-direita rápido, daqueles que também correm para a diagonal do campo, com faro de gols, Jair seria titular em qualquer grande seleção do mundo. Mas como existia Garrincha, o craque da Portuguesa, que dificultou (e muito!) a vida do Santos de Pelé no Paulistão de 1960, ficou no banco de reservas na Copa do Mundo disputada em 1962, conquistada por Garrincha. Levantada pelo Brasil.


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No Mundial disputado no Chile, um italiano chamado Geraldo Sanella ficou bem de olho naquele ponta-direita. Sanella era apaixonado por futebol e amigo próximo do presidente da Internazionale de Milão, Angelo Moratti. Sob a desculpa de trabalhar para alguns veículos de comunicação, ele se tornou intermediário em negociações. Algo que causou polêmica no Brasil, principalmente para outro italiano, jornalista de verdade – daqueles com ‘J’ maiúsculo.

“Eu não admitia a ideia de ele se passar por jornalista”, lembra Claudio Carsughi, em contato com a Goal Brasil. “A minha posição era ideológica, ou você é jornalista ou você negocia com jogadores. Fazer as duas coisas ao mesmo tempo não pode. Eu nunca tive o melhor relacionamento com ele. Aqui no Brasil, os meus demais colegas não conheciam esse retrospecto, digamos, dele na Itália. Eu não admitia que ele se colocasse no mesmo plano de um jornalista”.

(Foto: Divulgação/Internazionale)

O objetivo principal de Sanella era levar Pelé para a Internazionale, mas o Santos nem cogitava negociar a sua joia. Ele, então, voltou às atenções para Jair. O jogador recebeu a proposta, a negociação com a Portuguesa não foi das mais complicadas e Jair viajou para a Itália. Dentro de campo, tornou-se um dos símbolos da maior Inter de todos os tempos. A sua velocidade e arremates eram uma das principais armas do time montado por Helenio Herrera. Uma equipe com extrema força defensiva e que aproveitava os espaços deixados pelos adversários.

“Era um time que jogava no contra-ataque. Eu, o Mazzola e o Milani éramos os três jogadores mais velozes… e deu certo. A gente trazia o Suárez e o Corso para trás. O Suárez fazia os lançamentos e o Corso aparecia para dar os toques para a gente no ataque”, relembra Jair, exclusivamente para a Goal Brasil.

Jair da Costa vê semelhanças nos times montados por Helenio Herrera e Simeone

O ex-jogador, até hoje torcedor fervoroso da Inter e fã do futebol europeu, até compara o estilo de jogo daquele time com o deste Atlético de Madrid, que enfrenta o Real na decisão: “O Atlético de Madrid está fazendo praticamente o mesmo jogo: marca homem a homem, todo mundo lá atrás. E quando tem uma bola boa no contra-ataque, se conseguir fazer o gol… nossa, é uma maravilha!”.

O seu primeiro título conquistado no “país da bota” foi o Campeonato Italiano de 1963, que ficou marcado por uma histórica reviravolta. No final do primeiro turno, a Inter estava a seis pontos do Milan. No final do segundo, já havia garantido o Scudetto com duas rodadas de antecedência. O brasileiro ainda conquistaria outras três vezes o Campeonato Italiano, mas brilhou mesmo na Copa dos Campeões da Europa (atual Champions League).


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O Milan era o detentor do troféu europeu na temporada 1963-64, mas a ferrenha rivalidade fazia com que aquela equipe nerazzurri buscasse com ímpeto a taça continental. O chaveamento possibilitava o encontro dos arquirrivais na decisão, mas os Rossoneri não passaram pelo espetacular Real Madrid de Puskas e Di Stefano nas quartas. Na final, os italianos, estreantes naquele certame, enfrentariam um time que havia levantado a taça orelhuda cinco vezes.

“O Real Madrid tinha grandes jogadores naquela época: Puskas, Gento, o argentino lá… o Di Stefano. Tinha o Amancio, Santamaría, Pachín. Um timaço, tanto é que foi o time que mais vezes ganhou a Copa da Europa. Ali era a primeira vez que a gente disputava o torneio, chegamos na final e encontramos logo esse time… mas ganhamos”.

Jogadores da Intercelebram a primeira conquista europeia (Foto: Reprodução/UEFA.com)

E ganharam bem: 3 a 1. Com Jair de titular, Sandro Mazzola (2) e Milani balançaram as redes no primeiro título europeu da Internazionale. O segundo, porém, teria um gosto mais do que especial. Por várias razões: o primeiro bicampeonato continental de um time italiano, e pela final ter sido disputada em casa. No San Siro, mais uma pedreira pela frente.

“O Benfica tinha todos esses caras aí, o Eusébio, Simões, Coluna… não era fácil não (risos)”. Um futuro bicampeão contra outro timaço, que havia levantado duas vezes seguidas a taça europeia anos antes. O gramado estava bastante molhado, por causa de uma chuva que havia caído. Naquele campo pesado, o contra-ataque voltaria a ser mortal para o time italiano, que popularizou o catenaccio. No final do primeiro tempo, brilhou a estrela de Jair, que reconheceu ter recebido uma ‘ajuda’ com a falha do goleiro português Costa Pereira.

Jair e o chute “ruim”que acabou sendo muito bom… para a Inter (Foto: Reprodução/UEFA.com)

“O Mazzola pegou uma bola no meio de campo e tocou. Eu saí da ponta direita, ganhei na corrida e quando o goleiro saiu eu chutei né? Chutei escorreguei, não peguei bem na bola… só que quando o goleiro foi encaixar a bola, ela passou por debaixo das pernas dele e foi gol”, disse. Perguntado se achava aquele gol o mais importante de toda a história do San Siro, respondeu com sensatez e bom-humor: “Não sei se é o mais importante, mas na época, para a gente, foi (risos)”.

E para a decisão desta Champions League, em um lugar que ele tanto conhece (e fez tanta história), a torcida está com o time que lembra o estilo de jogo que lhe rendeu fama… ou no conjunto dotado de mais craques? Jair conhece os dois estilos, e aquela Inter contava com grandes craques. A torcida é apenas por um bom jogo.

… mas com certeza seria diferente se a finalista fosse a sua querida Internazionale de Milão!


Fonte: Goal.com

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