Juiz federal Sérgio Moro fala sobre recuperar dinheiro da corrupção e é alvo de protestos na Paraíba

O juiz federal Sérgio Moro participou neste sábado da Conferência Internacional Investimento, Corrupção e o Papel do Estado, em João Pessoa, Paraíba, onde foi alvo de protestos e defendeu que a prisão de investigados não basta para combater a corrupção no Brasil. Em sua participação, Moro afirmou que é necessária a ampliação da cooperação internacional para recuperar os altos valores desviados pelos criminosos.

Segundo o juiz, atualmente o dinheiro desviado percorre vários países através de operações financeiras trabalhadas com o uso de offshores, que são esquemas complexos e difíceis de rastrear. Ele citou, como exemplo, o caso de Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras e um dos delatores do esquema de corrupção, que tinha cerca de U 100 milhões depositados fora do país e devolveu a quantia após assinar um acordo de delação.

“Não basta a punição, a sanção corporal, a pena privativa de liberdade. É necessário fazer com que o crime não compense financeiramente. Isso significa a necessidade de retirar do criminoso o produto de sua atividade.” O juiz também ressaltou que a cooperação internacional nas investigações da Lava Jato é fundamental para a corroborar os depoimentos de delação premiada, que não podem ser usados unicamente como acusação no processo penal contra os investigados.

Sobre os esquemas para disfarçar o dinheiro, Sérgio Moro disse que o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, vem ganhando grandes contribuições da operação Lava Jato, enriquecendo o seu acervo de obras de arte. As doações são resultado da apreensão de obras em poder de suspeitos que não conseguem comprovar a origem do dinheiro. Com isso, ela fica em poder do museu e pode ser apreciada pelos cidadãos.

Antes de sua fala, Sérgio Moro foi alvo de vaias e protestos de manifestantes que se concentraram em frente ao Teatro Ariano Suassuna, anexo do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Os integrantes do Levante Popular da Juventude, que integram a Frente Brasil Popular, gritaram palavras de ordem e acusaram o magistrado de ter atuado seletivamente para municiar os adversários da presidente afastada Dilma Rousseff (PT), alvo de um impeachment no Congresso. Homens do Batalhão de Choque fizeram a proteção em frente ao teatro.

Curioso

Em sua chegada ao prédio do Tribunal de Contas da Paraíba, o juiz Sérgio Moro foi abordado por um torcedor do time Santa Cruz, do Recife, que aproveitou para presenteá-lo com uma camisa do time pernambucano, atual líder do Brasileirão. O torcedor em questão é Alan Costa Júnior, que é conselheiro do Santa Cruz e participa do evento como tradutor dos palestrantes estrangeiros.


Fonte: Diário de Pernambuco

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *