Júri do Festival de Cannes é vaiado e criticado por suas decisões

Foi a maior saia justa numa coletiva em Cannes. Quando o júri presidido pelo australiano George Miller (de “Mad Max – Estrada da Fúria”) entrou na coletiva de imprensa para explicar as suas escolhas para a Palma, houve uma vaia sonora e longa de alguns jornalistas.

Eles tinham razão. Ninguém há de reclamar da Palma de Ouro para Ken Loach, um dos cineastas mais engajados e humanistas do mundo. Mas o Grande Prêmio do Júri para o discutível “Juste la fin du monde”, e principalmente o prêmio de direção para o vaiado “Personal Shopper”, ninguém conseguiu entender.

Antes da premiação, dois membros do júri – Mads Mikkelsen e Laszlò Nemes – deram a entender que houve discussões ferozes para chegar aos escolhidos – e nem todo mundo saiu satisfeito.

“Discutimos por mais tempo do que outros júris, e nada foi deixado sem debate. Fizemos o melhor que pudemos”, se desculpou Miller, que tentou botar panos quentes nas desavenças: “Foi emocionalmente exaustivo, todo mundo discutindo com muita paixão”. Ele se recusou a dizer o que ele e os colegas pensaram de filmes não premiados, como o alemão “Toni Erdmann” – vencedor do Prêmio Fipresci, o prêmio da crítica internacional – ou o brasileiro “Aquarius”.

O britânico Ken Loach, ainda surpreso com a Palma de Ouro, declarou que apenas fez o mesmo (bom) trabalho de sempre desta vez e criticou os rumos da Europa. “A União Europeia está incorporando o neoliberalismo. É só ver a maneira como estão humilhando os gregos. Das milhões de pessoas que passam por dificuldades, você escolhe uma história, e espera que as pessoas conectem com ela”, explicou.

O canadense Xavier Dolan, que foi duramente criticado por seu “Juste la fin du monde”, no fim vencedor do Grande Prêmio do Júri, falou sobre a ida do inferno ao céu em poucos dias. “É sempre duro saber que as pessoas entenderam mal seu filme. Você põe tanta paixão e tanta complexidade nos seus personagens e alguém não vê isso. Para quem a gente faz filmes? Para a crítica ou o público? Acho que no fim somos todos público. Continuarei curioso para saber o que pensaram do meu filme”, defendeu.

Sem citar Sonia Braga, o júri também disse que havia ao menos cinco grandes interpretações femininas este ano, e que foi muito difícil deixar algumas delas de lado para escolher a filipina Joclyn Jose pelo drama “Ma’Rosa”. Sonia Braga foi uma das preteridas.

O romeno Cristian Mungiu, Palma de melhor diretor, fez a melhor defesa dos filmes não premiados. “Prêmios são resultado do momento, de um grupo de pessoas que tomou uma decisão. É uma forma de atrair a atenção para os filmes, porque as pessoas gostam de acompanhar uma competição. Mas espero que as pessoas não deixem de ver os outros filmes que não foram premiados.”

Fonte: Bol.com.br

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