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Ken Loach leva 2ª Palma de Ouro de Cannes com filme que pede um mundo melhor

Alicia García de Francisco.

Cannes (França), 22 mai (EFE).- O veterano cineasta britânico Ken Loach venceu neste domingo a Palma de Ouro da 69ª edição do Festival de Cannes por “I, Daniel Blake”, a segunda de sua carreira, dez anos após a conquistada por “Ventos da Liberdade”, emocionando os presentes com um discurso crítico ao neoliberalismo.

Loach defendeu o cinema como forma de protesto contra um mundo em perigo pelas ideias neoliberais que impuseram um projeto de austeridade em vários países, que “provocou a miséria de milhões de pessoas desde a Grécia até Portugal, com uma pequena minoria que enriquece de maneira vergonhosa”.

“Um outro mundo não é apenas possível, mas necessário”, afirmou o diretor britânico.

Um discurso aplaudido de pé pelos presentes, mais uma homenagem ao diretor que se une ao exclusivo grupo de cineastas que venceram duas Palmas de Ouro – Loach é o sétimo a conseguir tal proeza -, após a conquista há dez anos com “Ventos da Liberdade”.

Com “I, Daniel Blake”, Loach superou “Aquarius”, do brasileiro Kléber Mendonça Filho, que foi aclamado pela crítica na estreia, e a produção francesa “Elle”, uma das favoritas ao prêmio.

A decisão do júri presidido por George Miller de dar a Palma de Ouro a Loach por um filme social, que denuncia com precisão a situação na qual se encontram as classes mais desfavorecidas da sociedade britânica, e que conta uma excelente interpretação de Hayley Squires, foi muito celebrada pelos presentes.

Menos acordo houve sobre as demais estatuetas, com alguns anúncios sendo recebidos por aplausos ou vaias na sala de imprensa. Uma das decisões mais discutidas foi a de conceder o Grande Prêmio do Júri ao canadense Xavier Dolan, por “Juste la Fin du Monde”, que já tinha vencido prêmio há dois anos por “Mommy”.

O filme de Dolan dividiu Cannes com um estilo de direção considerado como muito extremo, mas que conquistou o júri por sua voz única e especial. O diretor, de 27 anos, não conseguiu evitar as lágrimas ao receber a estatueta.

“Fizemos o melhor que pudemos. Há muitas variáveis e só oito prêmios. Há provavelmente alguns filmes que deveriam ser premiados, mas debatemos mais do que outros júris e nada foi deixado de lado”, afirmou Miller para explicar as escolhas de Cannes.

Um dos filmes mais premiados foi “Forushande”, do iraniano Asghar Farhadi, que levou as estatuetas de melhor roteiro e melhor ator, pela atuação de Shahab Hosseini, que interpreta um homem que passa de uma pessoa amável à violência e ao machismo após um pequeno incidente.

O prêmio de melhor atriz ficou com a filipina Jaclyn José, por “Ma’Rosa”, de Brillante Mendoza, na qual ela intepreta uma mãe de família que trafica drogas para sustentar seus filhos em um bairro pobre. Ela superou a brasileira Sônia Braga (“Aquarius”) e a francesa Isabelle Huppert (“Elle”), as favoritas da categoria.

A estatueta de melhor diretor foi dividida entre o romeno Cristian Mingiu, por “Bacalaureat”, e o francês Oliver Assayas. Mingiu era um dos favoritos para ficar com o prêmio junto com o americano Jim Jarmusch, por “Paterson”, e a alemã Marin Ade, por “Toni Erdman”, que ficaram de mãos vazias.

“Bacalaureat” é uma história na qual a educação, a moral e o desespero se unem em um só personagem, o de um pai que faz tudo para procurar o melhor futuro possível para sua filha.

Já “Personal Shopper”, de Assayas, a decisão mais protestada da noite, retrata uma história surrealista e espiritual, protagonizada por Kristen Stewart.

A britânica Andrea Arnold conseguiu o Prêmio do Júri por “American Honey”, um filme no qual o marcado e moderno estilo narrativo da produtora está muito acima da história.

Completaram a lista de premiados da noite o diretor franco-marroquino Houda Benyamina, que ficou com a Câmera de Ouro de melhor estreia por “Divines”, e o espanhol Juanjo Giménez, que conquistou a estatueta de melhor curta-metragem “Timecode”, categoria na qual o brasileiro João Paulo Miranda Maria recebeu uma menção honrosa por “A moça que dançou com o diabo”.

Fonte: Bol.com.br

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