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Líder do Brasileiro não tem CT nem 10% do orçamento dos grandes

De quase falido na década passada a líder do Campeonato Brasileiro deste ano. Nem mesmo os torcedores mais otimistas do Santa Cruz imaginavam um cenário tão positivo dentro de campo para o clube que disputou a série D do Nacional há cinco anos.

Se muitos estão surpreendidos com a campanha da equipe pernambucana, o presidente do clube, Alírio Moraes de Melo, não.

No começo de seu mandato, em março de 2015, o dirigente fez questão de expôr a público suas metas: boa colocação no Estadual daquele ano e acesso à série A do Brasileiro. Em 2016, faturar o título inédito da Copa do Nordeste e o Campeonato Pernambucano.

As promessas ousadas lhe renderam o apelido de “Delírio” entre os torcedores, mas nada que mexesse com seu brio ou que pudesse desanimar a tentativa de fazer com que o Santa Cruz figurasse novamente entre os grandes do futebol brasileiro.

“A brincadeira do delírio até nos estimulou para que seguíssemos além de onde as pessoas, os críticos, enxergavam”, afirmou Alírio à Folha.

Com uma receita de R$ 15mi, muito distante dos R$ 363mi do Cruzeiro, clube com maior receita em 2015, venceu o título do Pernambucano e conseguiu acesso para a segunda divisão do campeonato nacional com a vice-liderança do torneio. Já 2016 começou de forma perfeita: campeão pela primeira vez da Copa do Nordeste, o bi-campeonato do Estadual e a liderança por duas rodadas seguidas no Brasileiro.

Clelio Tomaz/Agif/Folhapress
O atacante Grafite, do Santa Cruz, comemora seu gol na vitória sobre o Campinense, por 1 a 0, em Recife, pelo 1º jogo da final da Copa do Nordeste
O atacante Grafite, do Santa Cruz, é o atual artilheiro do Campeonato Brasileiro

Com o retorno à elite do futebol, o caixa consecutivamente aumentou. A perspectiva do clube é que o orçamento desse ano seja de aproximadamente R$ 40 mi, entre cotas de TV, bilheteria, programa de sócios e patrocinadores.

O valor ainda é irrisório perto dos grandes clubes brasileiros. O Corinthians, por exemplo, recebeu só de direitos de TV R$ 141mi. A diferença é reconhecida pelo dirigente, que mantém a cautela em relação ao momento vivido.

“A liderança atual não nos ilude, pois sabemos das dificuldades naturais do campeonato e temos consciência também das nossas limitações financeiras frente aos grandes clubes do futebol nacional. A questão financeira é ainda o grande adversário a ser vencido”.

De acordo com o presidente, quando ele assumiu a gestão do Santa Cruz o clube ‘apresentava um passivo superior a R$ 100 milhões, sendo R$ 50 milhões na Justiça do trabalho, R$ 35 milhões de passivo tributário, incluindo INSS e FGTS, e R$ 15 milhões na justiça comum’.

“Hoje, passados um ano e meio de gestão, estamos com os débitos parcelados na Justiça do Trabalho e, no caso do passivo tributário, incluidos no regime especial de pagamento do Profut. As parcelas do Profut são pagas com as liberações do Timemania conforme previsão legal. Com relação aos valores da Justiça Comum estamos trabalhando caso a caso, ora discutindo aquilo que entendemos ser direito do clube, ora parcelando aquilo que entendemos ser devido. Nossa expectativa é que nos próximos seis anos baixe muito o estoque de débitos”, disse.

As dez maiores receitas em 2015 – Em R$ milhões

PASSADO OBSCURO

O passado recente do clube, porém, não foi nada animador. De 2005 até 2011, o clube viveu os piores momentos de sua história. Foram três rebaixamentos consecutivos e o fundo do poço quando teve que jogar a série D, a última divisão do futebol brasileiro, por três anos seguidos – 2009, 2010 e 2011.

O acesso, em 2011, contou muito com a força das arquibandas. Considerada a torcida do povo, os torcedores empurraram o time na campanha e tiveram a maior média de público do Brasil naquele ano: 36.916 torcedores por partida. A marca deixou para trás o Corinthians, campeão da série A, que levou 29.424 torcedores em média na disputa da competição.

Após passar por situações delicadas, o clube se reergueu. Segundo Alírio, o principal projeto foi resgatar a auto-estima e recuperar a imagem de time vencedor.

“Na infância fui muito aos jogos do Santa com meu avô materno, Alberi Rio Lima, que jogou no Santa nos anos 30. Lembro dele contando histórias do Santa Cruz do passado, quando o time era chamado de “Terror do Nordeste”. Pois bem, no início da gestão resgatamos esse slogan e procuramos implementar uma política de relacionamento com a torcida”, explicou.

Mesmo com a presença do atacante Grafite, artilheiro do Campeonato Brasileiro e uma das sensações do torneio, os torcedores não comparecem em peso no Arruda. A média do Santa neste ano é de 12.920 torcedores.

DERROTA

Junto com as promessas feitas no início do mandato, Alírio também prometeu um Centro de Treinamento. O projeto, porém, ainda não saiu do papel. Com isso, o time treina no próprio estádio do Arruda, o que por vezes deixa o gramado em péssimas condições para os jogos.

Divulgação/Mundão do Arruda
Santa Cruz - estádio do Arruda - http://www.santacruzpe.com.br/arruda/fotos.html#!prettyPhoto[pp_gal_1]/1/
Estádio do Arruda, do Santa Cruz

PRÓXIMOS PASSOS

Com sete pontos na tabela de classificação e a liderança garantida na terceira rodada, o Santa Cruz volta a campo neste sábado (28) diante da Chapecoense, em Santa Catarina, pelo quarto jogo do Campeonato Brasileiro.

Brincadeiras como o “Leicester do Sertão” já rolam nas redes sociais, mas o presidente desta vez prefere não “delirar” e sabe bem o que quer na competição mais difícil do país.

“As perspectivas são as mesmas: de se fazer uma excelente campanha no Campeonato da Série A com o Santa estando sempre entre os 10 primeiros colocados”, cravou. “Em verdade, nossos pés nunca saíram do chão”, finalizou.


Fonte: Folha.com.br

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