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Moda: técnicas artesanais dominam passarelas e valorizam cultura regional

Técnicas artesanais ultrapassam o vestuário e dominam acessórios. Fotos: DFB/Divulgação
Técnicas artesanais ultrapassam o vestuário e dominam acessórios. Fotos: DFB/Divulgação

Fortaleza – Enredada no processo de produção pré-industrial no Brasil, entre os séculos 16 e 19, a moda de raízes artesanais retorna sazonalmente às passarelas das principais semanas de moda nacionais. Tem por função exibir ao mundo criações nativas, riquezas locais. No Nordeste do país, especialmente, a moda artesanal é tomada como bandeira de resistência, símbolo de identidade – em Pernambuco, os municípios de Passira e Pesqueira são polos de referência nacional em renda e bordados. Nos últimos meses, artefatos feitos à mão, nesses moldes, não apenas cruzaram as fashion weeks brasileiras, mas protagonizaram a maioria dos desfiles. Eles sinalizam valorização da manufatura nas próximas temporadas e, consequentemente, dão novo fulgor à moda genuinamente nordestina.

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“Essa corrente incentiva a valorização do artesanato pelo próprio consumidor, se estende além das passarelas. As pessoas tendem a achar muito altos os valores cobrados em peças feitas à mão, mas são coisas únicas”, opina a pesquisadora Simone Barros, professora de Design de Moda da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Para ela, Jailson Marcos (calçados), Maria Ribeiro (acessórios), Melk Z-Da e Magna Coeli (vestuário) representam o segmento em Pernambuco. O tema da última São Paulo Fashion Week, no mês passado, atesta a tendência: com o mote Mãos que valem ouro, a semana de moda voltou os holofotes aos produtos e às técnicas artesanais. Acessórios em palha, crochê, renda, ponto-cruz e aplicação manual de pedrarias enfeitaram as coleções e o figurino dos convidados às primeiras filas do evento.

Técnicas artesanais valorizam o preciosismo. Foto: DFB/Divulgação
Técnicas artesanais valorizam o preciosismo. Foto: DFB/Divulgação

Em Fortaleza (CE), o Dragão Fashion, principal semana de moda autoral latino-americana, também enalteceu o artesanal: quando não alçados à condição de protagonistas das coleções, os artigos feitos à mão roubaram a cena como coadjuvantes. O paulistano Weider Silveiro, a mineira Raquell Guimarães (DoisÉlles) e os cearenses Lindebergue Fernandes e Almerinda Maria lançaram mão do crochê, tricô e babados para dar corpo – e graça – a suas coleções. A estilista Rebeca Sampaio fez ode à mulher sertaneja com peças em couro trabalhas à mão, enquanto a conterrânea Gisela Franck usou o mesmo recurso para homenagear o artesão Espedito Seleiro.

Os tons terrosos, alusão patente a matérias-primas do artesanato, como couro, bucha, palha seca e barro, também ganharam ênfase em São Paulo, Minas Gerais e no Ceará, focos mais recentes das convenções de moda nacionais. “São tons escolhidos para representar o Nordeste, enriquecidos com bordados de cores mais vivas, sem perder o DNA da mulher jovem e urbana”, pontuou Rebeca Sampaio nos bastidores do seu último desfile, no Dragão Fashion. Sensíveis ao tato, tecidos artesanais endossam a tendência: renascença de algodão, labirinto em organza, georgette e tricô ganham vigor no catwalk. São genuinamente regionais: santo de casa faz milagre – e moda -, sim.

*A repórter viajou a convite da organização do Dragão Fashion

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Preto e branco e costas nuas também estão entre as tendências da temporada. Fotos: DFB/Divulgação
Preto e branco e costas nuas também estão entre as tendências da temporada. Fotos: DFB/Divulgação

Clássico
A associação clássica entre preto e branco marcou a maioria das coleções do Dragão Fashion deste ano, da moda praia à casual. O cearense Gil Braga enfatizou o preto. O paulistano Weider Silveiro, o branco. Almerinda Maria fez referência ao clássico Bonequinha de luxo em composições P&B. Maquiagem neutra reforçou a combinação, “quebrada” somente por acessórios ou calçados vermelhos e metalizados.

Enorme
As silhuetas oversized, desdobramento da androginia na moda, ganharam força nas semanas de moda recentes. Blusões soltos, vestidos amplos, mangas longas e calças folgadas cruzaram as passarelas. Acessórios, chapéus e bolsas também foram aumentados.

Nu

Decotes em V e costas nuas atraíram os holofotes nos desfiles dos últimos meses. Devem disputar espaço com as já saturadas transparências na moda festa. No desfile da grife de moda praia Bikiny Society, um dos mais elogiados do Dragão Fashion, em Fortaleza, maiôs com recorte nas laterais do tronco, no colo e nas costas protagonizaram a coleção.

Metálico
Peças metalizadas enriquecem composições monocromáticas e ganham espaço no figurino e nos acessórios. Prateado, dourado e furtacor luminoso se alternaram nas passarelas nacionais. A maquiagem foi a principal vitrine da aposta, com olhos, lábios e até sobrancelhas brilhantes.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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