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Ney Matogrosso retorna com turnê Atento aos sinais

As apresentações são marcadas pelo lado performático do cantor. Marcos Hermes/Divulgacao
As apresentações são marcadas pelo lado performático do cantor. Marcos Hermes/Divulgacao

Ney Matogrosso atende o telefone com tom de voz sério, mas não formal. Mesmo após ser sucessivamente sabatinado por jornalistas, mostra disposição em falar sobre música, carreira e até um pouco de política, embora diga que prefere manter-se longe do assunto. Disposição parece a palavra adequada para definir o artista. Aos 74 anos, ele segue se apresentando e lançando novos trabalhos, continuamente, ao longo de mais de 40 anos em atividade.

Confira o roteiro de shows no Divirta-se

Atento aos sinais
já passou por Pernambuco no ano de estreia, em 2013. Novamente, o palco será o Teatro Guararapes, no Centro de Convenções, nesta quinta-feira (5), às 21h. “É o show que eu fiz por mais tempo”, afirma Ney Matogrosso, completando que a longa duração turnê é um processo natural, sem planejamento: “dura o tempo que tem que durar”.

Apesar de ser da mesma turnê, o espetáculo tem novidades. “Acrescentei coisas, tirei outras, mudei a ordem, fui vendo o que funcionava melhor”, esclarece o intérprete, que traz no seu setlist obras de compositores consagrados como Caetano Veloso, Itamar Assumpção e Paulinho da Viola, além de canções de novos artistas, como Criolo, Dani Black e a banda Zabomba. Sobre a diversidade musical, ele explica que não busca necessariamente uma unidade no repertório. “Eu vou procurando afinidades de pensamento”, afirma. E ressalta que, independente de classificações, “é tudo música brasileira”.

Ney tem proximidade com a música pernambucana. De Lenine, pinçou Rua da passagem (Trânsito), parceria com Arnaldo Antunes. Além de já ter gravado Ave Sangria e Alceu Valença, ele revela que sua intenção inicial para Atento aos sinais era ter músicos da Nação Zumbi na sua banda. “Queria fazer esse show com a Nação, mas na época eles já estavam comprometidos com Marisa Monte (no espetáculo Verdade, uma ilusão, que teve participação de Pupillo, na bateria, Lúcio Maia, na guitarra, e Dengue, no baixo)”, explica. O intérprete não descarta uma parceria no futuro, caso as agendas coincidam, mas acredita que não seria para o próximo trabalho, que deverá ter um formato mais intimista, diferente da pegada rocker da atual turnê.

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Antes de mergulhar em um novo projeto ou entrar em estúdio, Matogrosso pretende fazer uma pausa, provavelmente a partir de novembro, após cumprir a última etapa de shows já agendados para este ano. Antes que alguém pense que significa uma aposentadoria, o intérprete já adianta: “Não estou encerrando carreira, apenas quero parar um pouco, descansar o corpo de tanta viagem”, justifica, afirmando também que nunca fez uma pausa em 44 anos de palco. Desde a estreia no grupo Secos & Molhados, em 1973, até o mais recente trabalho, em 2014, um registro ao vivo da turnê, foram 37 álbuns, além de 12 DVDs.

O artista sul-matogrossense ainda não sabe por quanto tempo pretende ficar de férias, mas afirma que, mesmo querendo um pouco de descanso, não consegue evitar de pensar sobre seus próximos projetos. “Fico sempre achando que vou me poupar, mas não adianta. Já tive uma ideia maravilhosa para o próximo show”, avisa. “Eu achava que iria ficar um ano parado, mas não sei mais”, diz. Definitivamente, ele não tem certeza se consegue ficar todo esse tempo longe dos palcos.

Entrevista Ney Matogrosso

“Não me interessa cair nesse caldeirão”

Embora nunca se negue a falar quando indagado em entrevistas, você costuma não se posicionar sobre política. Como se sente nesse momento atual, de grande polarização?
Sinto solidão. Vejo todos os meus amigos participando disso, mas acho um infantilismo emocional. É como um Fla x Flu, mas dentro de uma política que é sórdida, sem lado certo. Vejo amigos perdendo a amizade por essa questão. Eu só espero que as pessoas (políticos) paguem pelos seus erros, que a justiça funcione, indiscriminadamente, para os ricos também e não só para quem é pobre. Parece que tentarão deter a [Operação] Lava-Jato, mas acho que é muito tarde para isso.

É por questões assim que você escolheu ficar de fora também das redes sociais?
Não me interessa cair nesse caldeirão de bruxa, não entro, não quero saber. É um direito que tenho de me preservar, de ficar longe.

Você disse numa entrevista recente que o Brasil estava mais careta. Qual seria o motivo?

Há muitas coisas e uma delas é a presença de evangélicos no Congresso. Não tenho nada contra religião alguma, mas acho que ela deve ficar longe da política.

Serviço
Show Atento aos sinais, de Ney Matogrosso
Quando: Quinta-feira, às 21h
Onde: Teatro Guararapes (Centro de Convenções de Pernambuco)
Quanto: R$ 200 (plateia especial), R$ 180 (plateia) e R$ 120 (balcão), todas com opção de meia-entrada
Informações: 3183-8200

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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