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Oposição venezuelana espera fim da lentidão em referendo para depor Maduro

Aldo Rodríguez Villouta.

Caracas, 7 mai (EFE).- A oposição da Venezuela disse neste sábado que espera que o poder eleitoral do país pare de atrasar o trâmite do referendo para a deposição do presidente Nicolás Maduro e autorize o início da segunda fase do processo, após a coleta de mais 1,8 milhões de assinaturas de cidadãos que querem a saída do líder.

Entre as acusações de parcialidade a favor de Maduro feitas a quatro dos cinco integrantes do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), a aliança de oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD) disse que aguarda para as próximas horas o fim oficial da primeira etapa.

Na última segunda-feira, a MUD entregou ao órgão eleitoral as assinaturas dos cidadãos favoráveis ao início do referendo que pode tirar o presidente do poder, que deveriam ser verificadas em cinco dias pelas autoridades do país.

A MUD deveria conseguir o apoio de 1% do colégio eleitoral da Venezuela, equivalente a 190 mil pessoas, mas garante que entregou 1,8 milhões de assinaturas ao CNE, quase 10% dos cerca de 19 milhões de pessoas aptas a votar no país.

O porta-voz da MUD, o prefeito de Sucre de Caracas, Carlos Ocariz, exigiu hoje que, embora ainda existam assinaturas para serem verificadas, o “CNE não tome atalhos e prossiga sem demora o processo do referendo para revogar o mandato de Maduro”.

“Depois dessa fase, o CNE tem um dia, que esperamos que seja amanhã, para decidir quais serão os 200 pontos ou mais nos quais os eleitores deverão confirmar suas assinaturas, de modo que na próxima semana possamos iniciar essa etapa”, acrescentou.

O coordenador da equipe técnica da MUD, Roberto Picón, disse em frente à sede do CNE, onde estão sendo verificadas as assinaturas, que o órgão eleitoral informou que o sábado não contará como o quinto e último dia de revisão.

“Nós, formalmente, solicitamos que o sábado fosse considerado como dia útil, mas nos informaram que o processo será retomado na segunda-feira”, explicou Picón.

Picón revelou que a MUD pediu ao CNE, por intermédio de Luis Emilio Rondón, o único membro do órgão no qual confiam, a constituição de uma mesa técnica para que as autoridades eleitorais compartilhem as informações sobre como vão atuar nos próximos passos rumo à realização do referendo que pode tirar Maduro do poder.

Os venezuelanos deram sua assinatura para a MUD terão agora que verificá-la em postos estabelecidos pela CNE. Depois, na terceira etapa, os opositores precisarão do apoio de 20% dos eleitores do país – cerca de 4 milhões de pessoas – para a convocação formal do referendo. Caso ele ocorra, Maduro só perderá o poder se a MUD obtiver um voto a mais do que os obtidos pelo presidente nas eleições realizadas em abril de 2013.

Maduro obteve 7.505.338 votos (50,66%), contra 7.270.403 (49,07%) do candidato da oposição, Henrique Capriles.

Capriles e outros dirigentes da MUD denunciaram que a maioria dos representantes do CNE está retardando deliberadamente o processo, com o objetivo que o referendo só ocorra em 2017.

Se a oposição conseguir convocar o referendo e obtiver os votos necessários ainda neste ano, o CNE deverá convocar novas eleições presidenciais. Mas, se o processo se estender até 2017, Maduro seria substituído até 2019 por seu vice-presidente, Aristóbulo Istúriz.

“Se o referendo revogatório não ocorrer esse ano, não faz sentido. Não nos interessa um mesmo governo. Ou é esse ano ou não há referendo”, criticou Capriles.

Fonte: Bol.com.br

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