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Pequena cidade é cenário de tímido passo de reconciliação na Síria

Ignacio Ortega.

Hama (Síria), 9 mai (EFE).- Koukab é uma pequena cidade da província de Hama, na Síria, que foi cenário de um tímido passo de reconciliação após cinco anos de guerra entre os que apoiam o regime de Bashar al Assad, a oposição moderada e os jihadistas.

Em uma tenda montada para a ocasião, 15 terroristas entregaram voluntariamente suas armas – quase todas fuzis AK-47 de fabricação russa – e renunciaram à luta para derrubar o regime de Assad.

A cerimônia, cuidadosamente encenada pelos exércitos sírio e russo, contou com a presença de influentes membros dos clãs locais, incluindo anciões, que não mostraram repulsa contra os jihadistas arrependidos, mas de aprovação por sua coragem.

Os terroristas, que estavam encapuzados para preservar sua identidade e pertenciam a um grupo ligado à Frente al Nusra, fizeram fila para entregar seus fuzis e assinar um documento oficial.

Em seguida, um representante do exército sírio recolhia as armas. Com estes, já são mais de sete mil os guerrilheiros que se somaram à trégua e abandonaram definitivamente a luta armada desde a entrada em vigor da trégua, em 27 de fevereiro.

De fato, como comentaram os moradores de Koukab, os jihadistas estão a apenas oito quilômetros de distância.

O Centro de Reconciliação russo na província litorânea de Latakia informou que Koukab é uma das quase cem localidades sírias que decidiram apoiar o frágil cessar-fogo nos últimos dois meses.

Antes da cerimônia de deposição das armas, o comando militar russo levou para lá mais de cem jornalistas de diversos países para assistir tanto ao ato como à entrega de ajuda humanitária à população local.

A recepção não pôde ser mais surpreendente, já que os ônibus com os repórteres, que usavam capacetes e coletes à prova de balas, foram recebidos por cerca de 300 pessoas de peito descoberto.

O evento, acompanhado de tambores, foi ensurdecedor, e incluiu bandeiras sírias e inumeráveis cartazes de Assad, a maioria levados por crianças que não paravam de gritar o nome do presidente.

As crianças foram os autênticos protagonistas da manifestação pró-governo, embora seu aspecto destoasse muito de ser uma massa complacente.

Muitos deles estavam mal vestidos e pareciam pertencer às classes mais desfavorecidas do campo sírio, mas não mostravam nenhuma vergonha em serem fotografados pelos convidados estrangeiros.

Seus pais os instigaram a gritar o nome de Assad, cena que era observada de maneira entusiasmada pelos oficiais russos e milicianos sírios armados até os dentes.

Os mais calmos eram os mais velhos, muitos deles usando túnicas, que permaneceram sentados em bancos de madeira ao estilo árabe com um charuto ou um café na mão.

A celebração terminou quando os militares russos abriram os baús dos dois caminhões que trouxeram desde a base russa de Khmeimim em Latakia com alimentos de primeira necessidade, de pão a biscoitos, sanduíches e farinha.

As crianças mais famintas não esperaram e devoravam num instante os sanduíches entregues pelos soldados russos, enquanto outros levavam a comida sobre suas cabeças para seus pais.

Apesar da aparência de miséria da poeirenta Koukab, com casas que mais parecem barracos, havia incontáveis famílias, uma riqueza muito apreciada nesta parte do mundo.

A sensação de muitos repórteres foi de que o ato de reconciliação parecia pouco espontâneo, já que a grande maioria dos manifestantes era de crianças, e os terroristas não pareciam muito arrependidos de seus atos.

Apesar de os sírios terem recebido os estrangeiros de braços abertos, entre a imprensa era difícil crer que tenham saído espontaneamente às ruas de sua cidade com os cartazes em defesa de Assad nas mãos.

Um militar comentou com os repórteres que quase todos os sírios desejam que a paz volte para suas casas, após cinco anos de uma cruel guerra civil, e que poucos jihadistas querem continuar combatendo.

Fonte: Bol.com.br

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