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Polícia abre inquérito para apurar "ranking de pegação" em universidade goiana

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“Ranking” contm termos discriminatrios e gerou repercusso negativa pela internet. Foto: Reproduo

A Polícia Civil de Goiás abriu inquérito a fim de apurar uma lista, divulgada nas redes sociais, que cria um “ranking da pegação” durante os Jogos Internos da Universidade Federal de Goiás (InterUFG). De acordo com o portal G1 Goiás, ocorrência foi registrada na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam).

A delegacia investiga, a princípio, crime de racismo, já que na lista, intitulada “regulamento InterUFG 2016”, são utilizados termos como “mulher pretinha” e “preta feia”, o que pode acarretar pena de 1 a 3 anos de prisão para os envolvidos.

O ranking “concede” maior pontuação a quem mantiver relações sexuais durante o evento. A lista conta com termos machistas, misóginos, transfóbicos, gordofóbicos, racistas e incentiva os participantes a ficarem com mulheres comprometidas. 

Em entrevista ao G1, a delegada responsável pelo caso, Laura de Castro Teixeira, diz que a intenção das investigações é descobrir quem elaborou a lista e quem a divulgou pela internet. “É fácil saber quem agiu com dolo nesse sentido, quem tinha a real intenção de liberar a lista. Aqueles que atuaram sem saber realmente o conteúdo do material ficam excluídos da apuração”, afirma. 

Reação

A divulgação da lista criminosa gerou reação pela internet. A organização dos Jogos publicou uma nota em que diz não apoiar o ranking, afirmando que repudia “todo e qualquer esquema de pontuação de conotação sexual divulgado em rede sociais”. “Não apoiamos esse tipo de postura”, diz o texto da InterUFG.

O Centro Acadêmico de Psicologia da UFG também divulgou nota de repúdio. “Nós, estudantes de Psicologia da Universidade Federal de Goiás, repudiamos esta imagem que anda circulando em redes sociais como Facebook e Whatsapp às vésperas do InterUFG. É uma mensagem racista, transfóbica e misógina que reforça discursos machistas e incentiva práticas extremamente violentas. Esperamos uma resposta da organização do evento”.

Formada por alunas do curso de Jornalismo da UFG, a Coletiva Feminista Nonô publicou nessa quarta-feira mais uma nota de repúdio ao episódio. “[…]esse tipo de prática discriminátoria […], infelizmente, parece ser constante nas atitudes dos nossos colegas de universidade. Não temos confirmação de onde vem o print […], mas nossa indignação não diminuirá com a resposta [da organização da UFG]”, afirmam as estudantes.

UFG se defende

A Universidade Federal de Goiás se posicionou através de sua assessoria, ressaltando que o evento não é organizado pela instituição de ensino, e sim por estudantes. Em nota, a UFG diz que “atua em prol da garantia dos direitos que promovam a pluralidade de ideias e o fortalecimento de uma política universitária comprometida com o respeito às diferenças e para a superação de quaisquer manifestações que ferem os direitos humanos”.

Colaborou Layane Lima


Fonte: Diário de Pernambuco

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