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Projeto de aluno da Fundação Casa ganha prêmio em feira de ciências

  • Divulgação/SEE

O projeto de um aluno originário da Fundação Casa foi escolhido como revelação da Feira de Ciências da Secretaria da Educação de São Paulo. A iniciativa, que corrigiu a acidez do solo através do uso de giz, competiu com 191 projetos, realizados por 350 estudantes da rede estadual.

Jonathan Felipe da Silva Santos, 18, que cursa o segundo ano do ensino médio, foi o responsável pelo projeto. Ele conta que a ideia surgiu durante uma das aulas de química na Fundação Casa. “A professora disse, durante a aula, que a acidez do solo prejudica o fruto e a planta. Perguntei como seria possível corrigir isso, e ela disse que o giz poderia ser utilizado para esse fim. A partir daí, resolvi ver como isso poderia acontecer na prática”, disse.

Incentivado pela professora da disciplina, Andrea Chiaroni, ele elaborou um projeto. “Trituramos 500 gramas de giz e passamos a aplicar na terra. Medimos a acidez antes da aplicação, que era de 4. Num primeiro momento, o pH foi para 5 e, no final do processo, ficou em 6,75”, disse. A escala que mede a acidez varia de 0 a 14, sendo que, quanto mais baixa, mais ácido. Ao redor de 7, o pH é neutro. “Conseguimos algo bem próximo ao neutro”, disse.

Jonathan conta ainda que recebeu, como prêmio, R$ 1 mil, dinheiro dividido com a professora. Os dois também irão, em setembro, ao Rio de Janeiro, onde vão participar da Semana de Tecnologia Digital da empresa Cisco e visitarão o Instituto Butantan e o Catavento Cultural, ambos na capital. “Ainda não tenho muitos detalhes, mas sei que vamos viajar”, conta. Segundo a Secretaria da Educação, os vencedores também ganharam cursos de aprimoramento.

Projeto

Jonathan foi apreendido no primeiro semestre de 2015. Ele conta que comprou uma moto roubada sem saber e que a polícia apareceu na casa dele enquanto o veículo era desmontado. “O cara que vendeu disse que era de leilão, e eu estava desmontando para vender as peças. Ai a polícia chegou, levou a gente para a delegacia e, no fim, uma juíza ordenou que eu fosse para a Fundação Casa”, conta.

Ele ficou na instituição por sete meses, mas acabou libertado em fevereiro deste ano. Mesmo ao sair, entretanto, ele continuou a ser orientado por Andrea. “Eu estudava normalmente tinha outra professora de química, mas ela continuou com o projeto”, conta.

Andrea conta que teve o auxílio do marido, Marcel, co-orientador de Jonathan. “Ele dá aula no sistema prisional, também de química, e chegou a abrir mão de algumas aulas particulares para me ajudar com o projeto. Foi muito empolgante, estamos orgulhosos”, disse. 

Ela explica ainda que já iniciou a pesquisa de bibliografia para que Jonathan execute a segunda parte do projeto, que é demonstrar na prática como a correção do pH do solo pode ajudar no desenvolvimento. “Ele vai estudar a ação do composto em girassóis. Vamos apresentar uma planta gerada em solo com pH ácido e comparar com o desenvolvimento de outras plantas, originárias de pHs menos ácidos. Isso será acompanhado de uma espécie de estudo comercial para determinar como essa realidade pode ser aplicada ao cultivo de girassóis na nossa região”, conta.

Divulgação/SEE

Exemplo

Andrea acredita que a premiação mostra aos internos da Fundação Casa que há opção fora do crime mesmo para quem cometeu um erro. “Aluno é aluno, não importa onde ele está. O Jonathan gosta muito de jardinagem, ficou muito interessado no projeto e mostrou que é possível ter metas e buscar um futuro diferente. E isso serve de inspiração”, conta ela, que faz questão de agradecer ao apoio que teve da Diretoria de Ensino e da unidade da Fundação Casa de Araçatuba. “Sem eles, não haveria essa possibilidade”. 

O estudante concorda e acredita que a premiação será boa para o currículo e poderá abrir portas em seu futuro profissional. Ele continua estudando e quer se formar em medicina veterinária em um futuro breve.

“Não tenho dúvida que esse projeto mudou minha vida. Um simples pedaço de giz pode ajudar meu futuro, já que isso está no meu currículo e vai abrir a porta de uma universidade para mim”, conta. “Agradeço muito à minha professora que me incentivou e acreditou em mim”, conclui, emocionado.

Fonte: Bol.com.br

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