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Público mais adulto e fãs de discos lotam Theatro Municipal na Virada

Quem passou na frente ou adentrou o Theatro Municipal de São Paulo de sábado (21), às 18h, ao domingo (22), às 19h30, deve ter ficado curioso com a grande quantidade de pessoas mais adultas e idosas do que costuma ser o público da Virada Cultural. No palco, não foi diferente. O artista mais jovem, o cantor e compositor Hyldon, completou recentemente 65 anos. Todos eles apresentaram álbuns lançados entre 1971 e 1979, e que continuam na memória dos fãs até hoje.

“Essa ideia de recuperar discos na íntegra é muito boa, pois há discos dos quais não nos lembramos mais de todas as faixas e outros dos quais lembramos muito pouco”, comenta José Orleans, de 57 anos, presente no show de Erasmo Carlos, que apresentou na íntegra “Carlos, Erasmo”, de 1971. “Trata-se de um trabalho que é um divisor de águas na carreira dele”, acrescenta. Ele estava na companhia das amigas Vera Renna, de 60 anos, e Miles Iglesias, que não quis dizer a idade.

Erasmo Carlos fez um dos shows mais lotados do Theatro Municipal, assim como Geraldo Azevedo e a Orquestra Experimental de Repertório, que fizeram as filas darem várias voltas ao lado da entrada. Aliás, uma curiosidade é que a fila de idosos muitas vezes chamava tanta atenção quanto a fila para as outras pessoas. Um pouco mais jovem era Marco Antônio Moraes, que ocupava o primeiro lugar da fila do show da Wanderléa baseado no álbum “Feito Gente” (1975).

“Esse disco é um ícone pós-Jovem Guarda. Tem músicas de altíssimo nível e trata-se de um momento ímpar na música brasileira”, assegurou. E também chamou a atenção de que não haveria canções do período da Jovem Guarda e acertou em cheio. Ela se restringiu apenas ao repertório do álbum, o que aconteceu no show do Hyldon, “Na rua, na chuva, na fazenda”, também de 1975.

Se Wanderléa cantou várias músicas ao som de gritos de “linda” e “maravilhosa” por parte de muitos marmanjos, vários deles contemporâneos, Erasmo Carlos se disse surpreso ao ouvir gritos de “gostoso”, dizendo que não costuma ouvir esse tipo de manifestação quando grava seus DVDs. E emendou: “O próximo vou gravar aqui na Virada Cultural, assim quem sabe isso acontece”.

Todo mundo, porém, parecia estar ali mesmo para ouvir músicas que muitas vezes nem os próprios artistas lembravam mais. Amelinha, por exemplo, interpretou três canções do álbum “Frevo Mulher” com um pedestal com as letras na frente dela. E Geraldo Azevedo explicou que nunca mais havia cantado “Arraial dos Tucanos”, composta especialmente para o seriado “Sítio do Picapau Amarelo”, e que poderia se atrapalhar.

Outra curiosidade que chamou atenção foi ver muitas pessoas acima dos 50 anos com seus celulares ligados filmando e fotografando tudo o que acontecia, o que fez com que José Orleans se irritasse: “É muito bom esse projeto do álbum completo, pois é uma prática que os mais jovens, que vivem no celular, não têm”.

A amiga dele, Vera Renna, na hora tratou de acrescentar, citando o sociólogo polaco Zygmunt Bauman: “Estamos no mundo líquido. As pessoas da nossa faixa etária gostavam de ouvir os discos inteiros, pois era quando os sentimentos afloravam”. Segundo ela, agora as relações são mais rápidas e o tempo de deleite e apreciação de uma obra artística é cada vez menor. Mas também alerta para o fato de que esses shows deveriam ser ao ar livre, pois, se eles alimentam a vaidade de alguns, poderiam alcançar muito mais pessoas.

Portanto, se os gritos de “Fora, Temer” foram mais contidos no Theatro Municipal do que em outros palcos e nenhum artista quis tecer comentários diretos a respeito da política brasileira atual, Erasmo Carlos tratou de dizer que permanece idealista, antes de cantar a bonita “Sementes do Amanhã”, composta por Gonzaguinha, e, no final do domingo, Geraldo Azevedo colocou todos os adultos e idosos para dançar com um pout-porri de seus maiores sucessos.

Fonte: Bol.com.br

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