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Rebaixamento de construtoras chinesas destoa de alta dos títulos

(Bloomberg) — Enquanto os títulos em dólares das construtoras chinesas entregam duas vezes os retornos das notas asiáticas de grau especulativo, a S&P Global Ratings projeta um volume recorde de rebaixamentos. Essa divergência não passou despercebida pelos investidores.

A S&P adotou 15 ações negativas contra construtoras da China neste ano até 6 de maio, contra 12 no mesmo período do ano passado, e projeta um volume sem precedentes de rebaixamentos em 2016. A Moody’s Investors Service disse na terça-feira que 44% das construtoras que a agência classifica têm perspectivas negativas ou estão em análise para possível rebaixamento. Uma pesquisa da Natixis com as empresas de capital aberto, na semana passada, classificou as empresas imobiliárias como as menos capazes de pagar suas dívidas.

Embora os títulos em dólares das construtoras chinesas tenham dado retorno de 14,5% nos últimos 12 meses, contra uma média de 7% para dívidas asiáticas de grau especulativo, boa parte dos ganhos se deveu à falta de oferta nova após as empresas receberem permissão de acesso ao mercado onshore. Em vez de usarem os recursos mais baratos para melhorar suas finanças, muitos magnatas do setor imobiliário entraram em uma onda de aquisições baseando-se na presunção de que o mercado continuará se expandindo.

“Um bom número de títulos chineses em dólares de grau especulativo está sendo negociado em altas históricas, ou perto disso, com um cenário macro mais frágil na China e as empresas vendo margens sob pressão e balanços alavancados”, disse Swee Ching Lim, gerente de portfólio da Western Asset Management em Cingapura. “O ritmo reduzido de emissão primária, somado às empresas que estão recomprando títulos secundários, é algo significativamente favorável que está mantendo os preços sob controle, mas a pergunta incômoda continua: por quanto tempo isso vai durar?”.

Os yields médios sobre os títulos de grau especulativo em dólares da China caíram mais de 2 pontos percentuais em relação à alta registrada em agosto do ano passado, para 8%, segundo um índice do Bank of America Merrill Lynch no qual os títulos das construtoras têm um peso de 66 por cento.

Entre as construtoras que a S&P rebaixou nos últimos 30 dias estão a Evergrande Real Estate Group e a Greenland Holding Group, as duas mais endividadas das 198 construtoras chinesas de capital aberto. Há uma probabilidade de 7,2% de a Greenland não honrar pagamentos nos próximos 12 meses, a mais elevada entre as maiores construtoras da Ásia, contra menos de 1% há um ano, segundo o modelo Bloomberg Default Risk, que monitora métricas como desempenho de ações, passivos e fluxo de caixa. A Evergrande está em segundo, com 5,6%, mostra o modelo.

Fonte: Bol.com.br

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