Últimas

Renan segue blindado, enquanto Cunha é afastado e Cardozo vê brecha para salvar Dilma

Queda de presidente da Câmara repercute em processo que tenta cassar Dilma, conduzido pelo suspeito Renan

 

 

O deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) teve o mandato suspenso na manhã desta quinta-feira (5) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki. Após a decisão, o réu da Operação Lava Jato se reuniu com seus advogados e com deputados na residência oficial da presidência da Câmara Federal e disse que vai apresentar recurso da decisão. Com base na liminar, o advogado-geral da União (AGU), José Eduardo Cardozo, decidiu pedir a anulação do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. E o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB) vai escapando pela tangente, sereno, mesmo sendo alvo de mais de uma dezena de denúncias da Lava Jato.

Cardozo avaliou que o STF teria exibido uma “prova muito importante” de que o peemedebista usava o cargo para finalidades estranhas ao interesse da função, para ameaçar punir a presidente Dilma Rousseff com um impeachment, se ela não lhe garantisse votos para livrá-lo do processo de cassação que tramita no Conselho de Ética da Câmara.

“É o caso do impeachment. No caso do impeachment é exatamente o que estamos alegando: ele usou em beneficio próprio quando ameaçou a presidente da República que abriria o processo impeachment se não tivesse os votos”, afirmou Cardozo, ressaltando que o pedido de impedimento foi aceito no mesmo dia em que parlamentares petistas decidiram não apoiar Cunha no processo ético que tramita desde novembro de 2015.

Modus operandi

O chefe da AGU vê a decisão do Supremo como uma “demonstração de seu [de Cunha] modus operandi” e reforça os argumentos da defesa de Dilma. “Cunha agia em desvio de poder, para obstacularizar sua própria investigação. Agora ficou evidenciado”, completou, ao chegar ao Senado para expor a defesa da presidente, nesta quinta.

A assessoria do deputado que presidia a Câmara prevê que Cunha deverá permanecer na residência oficial até o julgamento de outra ação no STF, marcado para a tarde de hoje, quando os ministros do Supremo apreciarão ação aberta pelo partido Rede, que também pediu seu afastamento da presidência da Câmara, com base no argumento de que ele não poderia estar na linha de sucessão presidencial, uma vez que é réu na Justiça.

O ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato, deferiu uma liminar determinando a suspensão do mandato de Cunha em atendimento a um outro pedido de afastamento do parlamentar, que havia sido feito em dezembro pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.  Na liminar, Teori afirmou que Cunha não tem condições de ocupar o cargo de presidente da Câmara e nem substituir o presidente da República.

Janot argumentou em seu pedido que Cunha se valia do cargo de presidente da Câmara para constranger deputados e atrapalhar o processo de cassação de seu mandato, em tramitação no Conselho de Ética da Casa. A segurança foi reforçada em frente à residência oficial de Cunha, onde se aglomerava uma grande quantidade de jornalistas e começam a chegar manifestantes contrários a Cunha.

Constrangimento segue

Em uma análise em seu Blog no portal UOL, o colunista Josias de Souza foi preciso ao afirmar que o "STF afasta Cunha, mas o impensável e o lamentável ainda constrangem a nação". É que o deputado segue com foro privilegiado e recebendo salários e todas as prerrogativas de parlamentar, caso os deputados federais não procedam a inevitável cassação de seu mandato no Conselho de Ética da Câmara. E a indecência prossegue com a ascenção do também acusado de corrupção no petrolão, Waldir Maranhão, à Presidência da Câmara. E a manutenção do megadenunciado da Lava Jato, Renan Calheiros na Presidência do Senado. 

"Deve-se levar em conta que o comando da Câmara passará às mãos do vice de Cunha, Waldir Maranhão, e que Renan Calheiros continua presidindo o Senado. Ambos são investigados na Lava Jato. Quer dizer: se alguma coisa acontece com o indesejável, assumirá em seu lugar o impensável da Câmara, cujo sucessor direto será o lamentável do Senado", afirma o colunista. 

Josias de Souza conclui: "A esse ponto chegamos: o STF fez por pressão o que a Câmara deixou de realizar por obrigação. Cabe agora aos deputados tomar um par de providências: 1) Cassar rapidamente o mandato de Eduardo Cunha, que o STF apenas suspendeu. Com isso, abre-se o prazo de cinco sessões legislativas para a eleição de um novo presidente. 2) Encontrar um substituto decente para o lugar de Waldir Maranhão, o impensável".

Apesar dos constantes encontros com o vice-presidente Michel Temer (PMDB) e com aqueles a quem os petistas chamam de "mentores do golpe", os aliados de Dilma mantém uma postura contemplativa e apenas observam a forma "imparcial" com que Renan Calheiros vai conduzindo o processo de impeachment. Por que será que não têm a mesma postura furiosa que tiveram contra Cunha? O histórico da relação de Renan com Lula, Dilma e todo esse estado desgraçado de coisas pode explicar.

 

 

Por Davi Soares

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *