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Samba na Feira, em São Paulo, começa na xepa e só acaba com o pôr do sol

A feira da avenida Eulina, no Jardim Primavera, na zona norte de São Paulo, já está a todo vapor por volta das 11h do domingo, quando a reportagem do BOL chega ao local para acompanhar o Samba na Feira, que tem início na hora da xepa. Esta é a segunda roda de samba visitada pelo BOL, como parte do especial sobre o Centenário do Samba, comemorado em novembro deste ano.

Não é nem meio-dia quando os músicos armam uma cobertura – faça chuva ou faça sol, o samba rola solto na comunidade do Jardim Primavera –, separam os engradados de cerveja e se acomodam com seus instrumentos musicais em volta de uma mesa em uma viela que dá acesso à avenida.

Quem vê toda a estrutura nem imagina como tudo começou. Um encontro casual entre compositores da Escola de Samba Camisa Verde e Branco, em um domingo de feira de 2007, em frente ao boteco do Seu Osmar, abriu espaço para o compartilhamento de sambas autorais de quatro amigos: Antônio Carlos Longo (Tito), Odirley Ferreira (Ley), Alexandre Cezar de Souza (Xande) e Paulo Sérgio Eugênio (não está mais no projeto).

“A experiência foi engrandecedora, então resolvemos fundar a roda. Na hora de escolher o nome, não tinha para onde fugir: ficou Samba na Feira”, afirma o comerciante Xande, de 39 anos.

Símbolo da roda de samba, a feira é, também, inspiração para os compositores. O Hino da Feira (de Tito Longo e Paulo Sérgio Eugênio) aquece os motores e dá início à cantoria: “Oh astro rei/Composição do criador, nosso senhor/Presenciou o encontro de obras imortais/ Em oração pedi a Deus/Que ilumine os escritores, os nossos compositores/E que esse não seja um momento singular/Alegria para sempre/Para sempre será/Meu singelo samba pelo ar se espalha/E surge um novo espaço em sua louvação/Variedades de povos, culturas e raças/Junção de jovens talentos e seus baobás/Assim foi se desenhando essa festa tão linda/Um verdadeiro recanto de um povo feliz/Que se eternizou bendito seja na Santa Maria/Onde juntos vamos levantar/A bandeira do Samba na Feira”.

Jair Aguiar, feirante de 45 anos, afirma que em dia de samba também há mais fregueses. “Dá para ver que o cliente já chega mais perto da xepa, com um sorriso no rosto, e pergunta do samba”, diz. Jair Aguiar, feirante de 45 anos, afirma que em dia de samba também há mais fregueses. “Dá para ver que o cliente já chega mais perto da xepa, com um sorriso no rosto, e pergunta do samba”, diz. O comerciante, que frequenta a feira desde os cinco anos e viu o coletivo nascer em frente à sua barraca, ainda se anima com o estilo musical e cantarola Dorival Caymmi: “Quem não gosta do samba, bom sujeito não é/Ou é ruim da cabeça, ou doente do pé”.

Dez anos de ziriguidum 

A roda, que completa dez anos de existência no ano que vem, é aberta para o público em geral e não tem custo nenhum. Segundo Tito, de 37 anos, um dos fundadores do grupo, mais que lazer, a roda tornou-se um coletivo de grande responsabilidade cultural e social.

Bárbara Forte/BOL

Samba na Feira acontece todo terceiro sábado do mês

 “Unimos a comunidade, nem há mais reclamação dos vizinhos por conta do barulho. Começa o som e as pessoas já abrem o portão, saem de casa, e confraternizam conosco. Também tem gente de outros lugares, que viajam para ouvir nosso samba de raiz”, revela.

O motorista Renato Batista, de 41 anos, e a esposa Fátima Corrêa, analista de RH, de 39, são um exemplo. Os dois saíram de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, e dirigiram quase 50 quilômetros para apreciar o Samba na Feira. O casal, unido pelo gosto musical, sempre encara a estrada para apreciar a música. “Não perdemos uma roda de samba. Aqui, na feira, e em outros lugares da cidade, independentemente da distância”, revela.

O repertório do grupo não segue uma sequência, cada um puxa um samba e vai tocando sem parar durante a tarde. Apenas uma parada é obrigatória: a hora de comer.

Da música ao boteco do Seu Osmar 

Parceiro dos sambistas, Osmar Pimentel, de 63 anos, o dono daquele boteco que foi palco da primeira roda, em 2007, garante a cervejinha e os petiscos para os integrantes e o público em geral.

Bárbara Forte/BOL

Seu Osmar trabalha há 20 anos no mesmo bar, na zona norte de SP

“Em dia de samba trabalha a família inteira: eu, minha filha e meus netos acompanhamos e ajudamos os meninos com o que eles precisarem”, conta o comerciante, que já tem o bar há 20 anos, em frente à viela onde acontece o encontro atualmente.

Segundo ele, o petisco mais pedido e preferido dos integrantes do Samba na Feira é o peixe frito. “É o que mais sai. Todo terceiro domingo do mês, quando os músicos estão aqui, nós caprichamos na produção. A cerveja gelada também não pode faltar”, revela.

Entre um petisco e outro, música e cerveja, o Samba na Feira vai se despedindo. Por volta das 18h, junto ao pôr do sol, a música termina e só volta no mês seguinte.

Samba na Feira

Endereço: Feira Livre da Eulina – Avenida Eulina, s/nº, Jardim Primavera, em São Paulo
Dia e horário: Todo terceiro domingo do mês. O samba começa às 13h e termina por volta das 18h
Telefone: (11) 3936-2582
Entrada: gratuita

Fonte: Bol.com.br

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