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Seleção tem capacidade para jogar bem sem Neymar, e com desfalques. O problema é outro!

Opinião: apesar dos pesares, analisando nome a nome, o Brasil segue como um dos favoritos para a Copa América… e isso precisa ser uma pressão em cima de Dunga


GOAL Por Tauan Ambrosio 


Quando anunciou a lista com os 23 convocados para a Copa América Centenário, Dunga surpreendeu ao incluir sete atletas do futebol jogado no Brasil, além do mesmo número de jovens aptos para a disputa da Olimpíada. Nomes de peso, como Marcelo, Danilo, Thiago Silva, Fernandinho e outros foram deixados de lado.

A justificativa de Dunga foi de que gostaria de testar novas possibilidades e conhecer mais atletas. Isso com a competição continental à beira de seu início. Um acerto com o Barcelona garantiu a presença de Neymar para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, mas o grande craque da companhia não estará nos Estados Unidos para a Copa América. Parte do acordo.

O que Dunga não contava era com as lesões. Artilheiro do último Brasileirão e destaque do Santos, o veterano Ricardo Oliveira sentiu o joelho direito. Jonas, principal goleador brasileiro no futebol europeu, foi chamado para ocupar a vaga. Uma troca que alguns até concordam, afinal de contas ele, Jonas, brigou até o fim pela Chuteira de Ouro europeia, rivalizando com nomes como Luis Suárez, Cristiano Ronaldo e Higuaín.


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Quem também sentiu foi Douglas Costa. O meia-atacante do Bayern de Munique, talvez o grande destaque brasileiro na Europa, além de Neymar, quando falamos de jogadores de poder ofensivo, sofreu um problema muscular na coxa. Quando anunciaram o substituto para a vaga do veloz ponta, surpresa: Kaká.

Apesar de ser, aos 34 anos, o grande destaque do Orlando City, o fato de jogar na Major League Soccer fez gerar várias críticas. Kaká joga o principal torneio de futebol dos EUA. Só que, para efeito de comparação, isso não adiantou para que o craque Andrea Pirlo (New York City) e Sebastian Giovinco (Toronto FC), grande destaque do certame, fossem chamados para defender a Seleção Italiana na Eurocopa. E a Azzurra não conta com tantas opções como a gente.

Kaká é um dos nossos gigantes recentes do futebol. Foi o último eleito melhor jogador do mundo antes de Cristiano Ronaldo e Messi dominarem as premiações individuais. Sua carreira dispensa comentários. Mas a sua convocação retrata bem o que acontece na Seleção Brasileira: jogar nas maiores ligas do mundo, pelas camisas mais reconhecidas e tradicionais, não tem mais o peso de antes. Pelo menos agora. Como formar um time que encante e vença, quando alguns dos próprios jogadores sabem que não são os melhores de sua posição?

Como convencer quem está lá, nos Estados Unidos, que apenas os melhores são chamados? Será que Casemiro não acha que Marcelo teria uma vaga certa para, ao menos, brigar pela titularidade com Filipe Luís? Marquinhos e Lucas Moura com certeza sabem que Thiago Silva seria titular fácil da zaga. Será que isso não faz com que, mesmo inconscientemente, eles já não comecem jogando menos pelo time da CBF?

Lucas Moura, aliás, foi um que enfim voltou a ter chances. Mas para isso acontecer, o meia-atacante Rafinha, do Barcelona, precisou sentir uma lesão. Quem também foi cortado pelo mesmo motivo foi Ederson, jovem goleiro que mostrou um excelente desempenho com o Benfica. Marcelo Grohe foi chamado para a vaga.

Apesar das críticas em relação a alguns dos convocados por Dunga, é consenso que a Seleção é uma das favoritas a conquistar o torneio. Como se apenas isso bastasse. A boa notícia para quem só pensa na ausência de Neymar, é que temos jogadores capazes de assumir protagonismo. Pelo menos eles nos mostraram isso na última temporada, defendendo seus clubes.

Philippe Coutinho, por exemplo. Encantou os torcedores do Liverpool e segue mostrando um grande amadurecimento. Faz gols, dá assistências, cria chances e tem um poderoso chute a longa distância.

Outro nome que teve sucesso na Inglaterra é Willian, disparado o melhor jogador do Chelsea e bastante acostumado a lidar com a pressão na Seleção Brasileira. Atualmente é um dos melhores cobradores de faltas do mundo. Teve até mesmo a honra de receber elogios de Zico, um dos mestres desta arte. No Paris Saint-Germain, Lucas Moura fez gols, deu assistências e só não criou tantas oportunidades quanto Ángel Di Maria na equipe que foi campeã, com sobras, na França.

Casemiro, então, dispensa apresentações. Foi um monstro à frente da zaga do Real Madrid. Mostrou poder defensivo e ofensivo, um meio-campista completo se aproveitado da melhor maneira. Zidane, que começou a carreira como técnico depois de Dunga, conseguiu.

Experiência também não falta com nomes vencedores como Daniel Alves, Miranda e Filipe Luís. E Kaká, já que foi chamado mais sob essa ‘desculpa’. A Seleção Brasileira que entra em campo na estreia da Copa América, às 23h deste sábado (04), contra o Equador, não terá Neymar. No entanto, a sua ausência não é desculpa quando, mesmo com desfalques, contamos com bons valores em várias posições.

Contra o Panamá, a Seleção venceu… mas não convenceu (Foto: Lucas Figueiredo/MoWA Press)

Futebol são 11 em campo. O Real Madrid acabou de levantar uma Champions League com Sergio Ramos sendo mais decisivo do que Cristiano Ronaldo, por exemplo. Em 2014, a Alemanha, aquela que aplicou 7 a 1 sobre o time da CBF, contava com vários craques. No entanto, não tinham uma figura com destaque tão acima dos demais. Indo mais longe ainda, em 1962 Pelé conseguiu ser substituído de maneira impecável por Amarildo.

Neymar faria falta a qualquer equipe do mundo, mas o que a Seleção precisa é de um modelo de jogo que aproveite ao máximo as capacidades de seus jogadores.

(Foto: VANDERLEI ALMEIDA/Getty Images)


Fonte: Goal.com

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