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Técnico superstar

O Manchester United finalmente fechou com o técnico José Mourinho. Levou o profissional, mas não o seu nome, que continua sendo propriedade do Chelsea. Especula-se que esse foi o maior entrave para que o contrato fosse assinado. Não é à toa.

Até 2023, o Chelsea tem os direitos de explorar tudo que leva o nome do técnico português. Produtos que vão de guarda-chuvas, pós-barba, chaveiros a aromatizador de ambiente. O Chelsea, muito sagaz, registrou o nome de Mourinho como marca registrada, em 2005, logo depois de ele ter assinado com o clube pela primeira vez.

Não por acaso, o clube foi um dos primeiros a identificar o potencial de um mercado antes quase exclusivo entre modelos, atrizes e pop stars, que engordam suas contas bancárias vendendo roupas, perfumes, produtos sem fim. Hoje, a prática é cada vez mais comum no mundo do futebol. E é consenso que toda grande estrela precisa cuidar de sua maior propriedade, nesses casos, a imagem. Não somente os jogadores, mas os técnicos.

Mourinho, é certo, não se deu conta do seu valor como marca registrada. Até mesmo seu apelido “The Special One” pertence ao Chelsea.

A coisa está sendo levada tão a sério que o Liverpool correu para registrar o apelido que grudou no técnico Jurgen Klopp quando esse, numa provocação a Mourinho, disse que não era “The Special One”, mas “The Normal One”. “The Normal One” agora é marca registrada.

Até comemoração de gol tem registro no órgão responsável por marcas e patentes. Falar que um gesto, uma dança ou o que quer que seja é marca registrada de fulano não é mais figura de linguagem. Gareth Bale, do Real Madrid, detém os direitos de “Eleven of Hearts”, referência ao número da camisa e a forma com a qual celebra seus gols, fazendo um coração com as mãos.

Vamos combinar que não é a comemoração de gol mais criativa do mundo? Depois de marcar gols, Pato já mandava coraçõezinhos para Sthefany Brito, sua namorada e, depois, mulher. Bale capitalizou, digamos, a propriedade intelectual do amor, uma baita canalhice.

Muitos jogadores já têm uma lista de produtos associados a seus nomes. Ronaldo criou a R9, por exemplo. Neymar tem a sua NJR, com uma gama impressionante de produtos. Mas a camisa do Barcelona com o nome Neymar só pode ser comprada nos revendedores oficiais do clube, que é quem ganha mais dinheiro com isso.

Os clubes só perceberam a chance de capitalizar a imagem dos técnicos mais recentemente, talvez porque eles tenham se tornado também pop stars.

Deixaram de ser adorados apenas pelos torcedores do time da vez e ganharam admiradores que os seguem, independentemente de qual clube estejam no comando.

Não há nada parecido com isso no Brasil no momento. Arriscaria dizer que o único técnico admirado (ou temido) por onde passa seja Tite. Mas, com exceção de boneco de vodu feito por torcidas adversárias, não há produtos licenciados com a imagem ou nome do treinador do Corinthians.

Depois de muita negociação, ficou decidido que o Manchester United poderá usar o rosto de Mourinho em propagandas, mas o seu nome apenas com a licença prévia do Chelsea, que o demitiu em dezembro, para o que quer que seja. Que situação, hein?


Fonte: Folha.com.br

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