Testamos: novo Chromecast tem melhorias, mas não justifica preço dobrado

O Google anunciou a segunda geração do Chromecast em dezembro do ano passado. Com um novo design e basicamente as mesmas funções, o reprodutor de mídia capaz de transformar qualquer televisão em uma Smart TV chegou ao Brasil no fim de abril, acompanhado do Chromecast Audio.

Mas o que chamou a atenção no anúncio foi o preço: R$ 399. Trata-se do exato dobro do valor cobrado pela empresa no lançamento do modelo original no Brasil, em 2014. O dispositivo é importado dos EUA, onde é fabricado, e lá ele é vendido por US$ 35 – cerca de R$ 124 na cotação atual do dólar. O principal concorrente, o Apple TV, é vendido no Brasil por R$ 1.350.

O Olhar Digital experimentou o dispositivo para saber se o valor cobrado coincide com a performance entregue, e se vale a pena comprar um novo Chromecast.

Design

O que mais chama a atenção na nova geração do dispositivo é sua aparência. Sai o formato de pen drive do primeiro Chromecast e entra esse pequeno e estiloso disco com um cabo flexível que se conecta à entrada HDMI da televisão. O cabo USB, ligado a um adaptador para a tomada, continua presente no pacote.

Por um lado, o novo design ganha em personalidade, já que não será mais confundido com um dispositivo de memória flash por quem não tem familiaridade com o produto. Por outro lado, perde em praticidade, já que o corpo do Chromecast fica suspenso pela conexão com a TV, chamando a atenção e esteticamente menos agradável.

Segundo o Google, porém, a mudança de visual é prática: sem um design rígido, fica mais fácil conectar o aparelho à entrada HDMI de uma TV que não tem espaço suficiente para acomodar o corpo do modelo antigo. Além disso, mantê-lo um pouco mais afastado de outros componentes da TV reduz a chance de interferências no sinal. Portanto, uma mudança válida.

Conexão e configurações

Reprodução

Um dos grandes problemas do primeiro Chromecast era a frequência com que o dispositivo perdia a conexão com a internet em algumas residências. No novo modelo, o Google fez questão de reforçar o modem Wi-Fi dentro do aparelho para evitar quedas como as de seu antecessor, sem abrir mão do design simples e compacto.

O resultado é um sistema de três antenas com alcance dual band de 2,4 e 5 GHz, além de suporte ao padrão 802.11ac. Na prática, esses números significam que o novo Chromecast é mais estável, e isso foi, de fato, sentido em nossos testes. Quem usá-lo mais longe do roteador ou modem por um tempo prolongado também deve sentir a melhora.

Contudo, o processo de sincronização entre o celular e o aparelho é lento e um pouco problemático, com etapas meio burocráticas que retardam a experiência do usuário. Quando o dono quiser levar seu Chromecast para a casa de um amigo, por exemplo, precisa reconfigurar a rede Wi-Fi e o celular da outra pessoa novamente, do zero, num sistema um tanto problemático. Nada que prejudique a experiência final, contudo.

Performance

Em termos de atraso na reprodução de mídia – outro problema notado na primeira geração do Chromecast -, a performance continua dependendo mais do smartphone do que do aparelho. Uma novidade é o recurso Fast Play, inserido no novo app Google Cast, que acelera a transmissão de dados do celular para a TV. De fato, o app está mais rápido, e o tempo de carregamento é menor.

Mas por outro lado, a transmissão nativa da tela do celular para a tela da TV continua sofrendo um certo atraso. Em nossos testes, utilizamos um Moto G 2014 para transmitir a tela do celular para o Chromecast, e a lentidão do sistema se tornou nítida. O mesmo delay pode ser notado quando usamos a extensão Cast, do Google, para reproduzir o navegador Chrome de um notebook para a tela da televisão.

Já usando os aplicativos que vêm com o recurso de transmissão integrado nativamente – como o YouTube e o Netflix, principais beneficiários do Chromecast – a performance não deixou a desejar em nenhum momento. Vídeos foram reproduzidos de forma rápida e em alta definição, ao mesmo tempo em que o smartphone foi usado em outras tarefas sem travamentos ou qualquer lentidão.

Reprodução

O que pode vir a se tornar um problema, porém, é a incompatibilidade do Chromecast com vídeos de 360 graus. Conteúdo desse tipo aparece “esticado” na tela da TV enquanto estão sendo transmitidos pelo app do YouTube. Por enquanto não é um problema tão grave, já que a oferta de vídeos em 360 ainda é pequena. Mas pode se tornar um incômodo conforme o formato se torne mais popular na rede.

Conclusão

O novo Chromecast funciona melhor do que o modelo de primeira geração em praticamente todos os quesitos. É realmente um avanço da parte do Google, mas isso não significa que o preço dobrado é justo. Embora tenha recebido melhorias, as funções básicas do dispositivo permanecem as mesmas e, para muitos usuários, será difícil notar uma mudança tão significativa.

Sendo assim, cobrar o dobro do preço do original parece um exagero. Se você já tem uma Smart TV ou um outro aparelho que reproduz aplicativos da internet, como um Xbox ou um PlayStation, por exemplo, talvez não valha tanto a pena investir R$ 400 em um Chromecast. Do mesmo modo, o upgrade para a nova geração, caso você já tenha o primeiro Chromecast, também não vale o dobro do preço.

Evitando essas comparações e analisando o Chromecast 2 apenas por ele mesmo, é possível concluir que o aparelho cumpre o que promete. Usar Netflix, YouTube, Spotify e até jogos como “Angry Birds” na tela da TV, com o smartphone como controle remoto, continua sendo uma experiência diferenciada, muito melhor do que se limitar à tela do PC ou do celular. Para quem não tem interesse em uma TV por assinatura, por exemplo, o valor de R$ 400 parece justo a longo prazo.

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Fonte: Olhar Digital
Matéria originalmente postada no site olhardigital.uol.com.br

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