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Tri da Champions com o Real, Sávio relembra conquistas e avalia final: “tudo pode acontecer”

O ex-jogador contou histórias curiosas, falou sobre Zidane, de idolatria a Cristiano Ronaldo… e muito mais!

Não é fácil conseguir chegar ao Real Madrid e passar cinco temporadas entre alguns dos melhores jogadores do mundo. Conquistar uma Champions League é mais difícil ainda… imagina participar de três títulos europeus? Sávio fez tudo isso. Ao lado de Roberto Carlos, é o brasileiro mais vitorioso com a camisa merengue quando o assunto é o principal: a taça chamada carinhosamente de orelhuda.

Contratado junto ao Flamengo em 1998, chegou a um clube que não sentia o gosto do título europeu há mais de três décadas. Quando deixou o Real Madrid, em 2002, os Blancos já tinham somado três Champions League em cinco anos. Decisivo no título de 2000, o atual comentarista da TV Esporte Interativo relembrou as glórias em branco, revelou qual foi a mais especial e contou uma curiosa história envolvendo um importante chute em caixas de champanhe.

Além disso, no bate-papo exclusivo com a Goal Brasil, Sávio avaliou o elenco do Real Madrid, o trabalho de Zidane, a decisão contra o Atlético de Madrid e a idolatria de Cristiano Ronaldo no clube. Será que um dia o gajo será tão amado quanto Raúl ou Di Stefano? Confira abaixo!

Em 1997-98 o Real Madrid saiu de uma longa fila sem título de Champions League. A pressão pelo título era muito grande, ou era menor, já que muitos tinham ‘fracassado’ no passado recente?

“Essa temporada foi diferente, foi muito especial. Basicamente porque o Real Madrid estava há 32 anos sem ganhar a Champions, e a cada fase que a gente passava a tinha expectativa, a pressão a mais… era uma coisa bem louca mesmo.

Elenco de 1997-98 comemora o título que encerrou o jejum de 32 anos para o Real Madrid

Depois que nós conseguimos, acho que tirou um peso das costas do clube, dos jogadores e, principalmente, dos torcedores. Por esse motivo, essa competição de 1998 foi tão especial. Mas a Champions é sempre muito especial para o Real Madrid, não somente porque o clube é o maior ganhador”.

Qual é a sua lembrança mais especial daquele título?

“Quando nós ganhamos a semifinal do Borussia Dortmund, na Alemanha – 2 a 0 em Madrid, 0 a 0 na Alemanha – foi especial. Quando chegamos ao vestiário, depois da classificação, o supervisor da UEFA colocou uma caixa de champanhe para a gente comemorar.

Hierro preferiu esperar… para comemorar de verdade! (Foto: Getty Images)

O Fernando Hierro, um dos capitães daquela época, simplesmente deu um chute na caixa de champanhe e disse: ‘champanhe pra que? A gente vai comemorar o que? Nós estamos a 32 anos sem ganhar essa competição. Nós passamos somente para a final. Depois, se a gente ganhar da Juventus, a gente vai beber champanhe e comemorar à vontade. Mas agora, não. Por favor, peço foco total pra vocês’. Ali foi realmente um momento especial, porque a gente realmente viu o foco do Real Madrid, e que aquela conquista não podia escapar’”.

Em 2000, vocês enfrentaram o Valencia. É melhor ou pior enfrentar um time que você tem mais conhecimento, por estar na mesma liga?

“Eu acho pior. Ali era uma expectativa muito grande, e para aquele jogo o Valencia era favorito. Tanto, que naquela temporada nós ficamos em quinto no Campeonato Espanhol. Só que aí veio a superioridade em campo do Real Madrid, a camisa… foi realmente um jogo muito especial.

Agora, o fato de você jogar contra um time do seu país… eu não acho que é bom. Os clubes até evitam, por esse conhecimento muito forte, por jogar sempre o Campeonato Espanhol.

Aquele título teve, literalmente, um toque seu. Como é participar diretamente de um título como o da Champions?

“Já estava muito especial desde a semifinal, quando nós ganhamos do Bayern de Munique em Madrid, 2 a 0, e o jogo de volta, na Alemanha, a gente já estava perdendo por 1 a 0. A pressão lá era muito grande, era muito difícil segurar aquele jogo.

Sávio e Anelka comemoram o gol que garantiu o Real na decisão. Na final, o brasileiro deu uma assistência (Foto: Getty Images)

E foi em um contra-ataque, que eu lembro, eu fiz a jogada pela esquerda, cortei para o meio e cruzei de direita. O Anelka fez o gol de cabeça, ficou o 1 a 1 e ali a gente praticamente matou a semifinal. Esse momento foi muito importante, e também na final, quando eu dei a assistência para o Raúl e a gente praticamente sentenciou (o título), com os 3 a 0”.

Qual dos três elencos que você jogou e foi campeão europeu era o melhor na sua opinião. E por que?

“É muito difícil essa análise, porque foram três times diferentes e muito fortes. Eu acho que o time de 1997-98 teve maior dificuldade, pelo jejum de 32 anos sem ganhar. E tinha um time, vamos dizer, mais equilibrado – tanto no meio, todo o sistema de todos os jogadores. O elenco era muito forte.


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Os de 2000 e 2002 eram grandes times também, mas por toda essa dificuldade dos 32 anos sem o título, o de 98 tinha um equilíbrio maior”.

O que acha do Zidane treinador? Você achava que ele tinha perfil de treinador quando jogava?

“Não, eu não achava. Para mim foi até uma surpresa quando ele começou a trabalhar como treinador, mas uma surpresa agradável. A capacidade que ele tinha dentro de campo, como jogador, é inquestionável. Mas ele se aprimorou, se aprimora. Estuda muito, também, o extracampo, a parte didática mesmo. E realmente ele está fazendo um trabalho fantástico. É o início de um projeto ainda, mas já dá para ver que ele vai ter um futuro brilhante como treinador também”.

Como você vê o Real Madrid chegando para esta final?

“Forte. O Real Madrid chega sempre forte em uma final de Liga dos Campeões, está acostumado a jogar esta decisão, a ganhar. Não à toa tem dez títulos. Agora… tudo pode acontecer. Eu vejo um equilíbrio muito grande nesse jogo, muito forte.

“Tudo pode acontecer”, diz Sávio (Foto: Getty Images)

Não há favoritismo. São dois sistemas totalmente diferentes, Real Madrid e Atlético de Madrid. Dois times com treinadores diferentes. É uma final na qual tudo pode acontecer”.

Atualmente você é comentarista. O que é mais difícil: comentar ou entrar em campo?

“Eu acho que agora, porque a gente tem que levar para o jogo não somente o conhecimento dentro de campo, o que aconteceu, o que a gente fez e nossa história. Tem que ter um conhecimento mais amplo, de estudo do jogo, dos jogadores, do confronto… e você tem que tomar muito cuidado com a análise, para não ser injusto ou justo demais

E existe alguma coisa específica que o português possa fazer para chegar no mesmo nível de idolatria do Raúl?

“Difícil fazer essa comparação. Cada um tem etapa vitoriosa. O Raúl é um dos maiores ídolos, e Cristiano cada dia chega mais. São épocas diferentes.

Difícil chegar em um nível como o do Di Stefano, mas o Cristiano já é um dos grandes ídolos da história do Real Madrid e tem tudo para aumentar essa idolatria”.


Fonte: Goal.com

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