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Troca de energias positivas no cárcere

Os braços de Iris Miranda, 35 anos, estão abertos. O coração também e juntos eles funcionam como um ímã. Vez ou outra, uma mulher da sala se aproxima e se encaixa, como quem pede colo e um pouco de força. Elas se entrelaçam e, a cada minuto abraçada a uma das reeducandas colegas da Colônia Penal Feminina do Recife, Iris recebe e devolve energia. Ela descobriu que o ato pode transcender os muros da prisão e levar o amor do gesto até o filho, de 16 anos, a quem sonha ver em breve. O conhecimento foi obtido através das aulas de Reiki, terapia complementar que há seis meses é ensinada dentro da unidade prisional.

O Reiki é uma técnica de mais de 2 mil anos, redescoberta no século 19, que permite conduzir energia através das mãos com o propósito de curar, atuando no corpo físico, emocional e energético. A Colônia Penal Feminina do Recife é o maior presídio direcionado a mulheres do estado. São cerca de 650 reeducandas espremidas em 200 vagas. Oitenta por cento delas cumprem pena por tráfico de drogas. Dois mundos de simbologias distintas unidos pelo projeto “De alma leve”, coordenado pelo cineasta, publicitário e mestre da técnica Eric Laurence, com outros cinco mestres e em parceria com a Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres-PE).

“O Reiki é uma energia amorosa, de acolhimento. É um encaixe com a carência que elas sentem, vem para preenchê-las”, explica Eric Laurence. A cada sexta-feira, o grupos de instrutores vai à unidade aplicar a técnica, mas também ensiná-la. Pelo menos 20 mulheres já foram formadas para serem multiplicadoras do conhecimento dentro da colônia. “O mais revolucionário é torná-las independentes, agentes da paz dentro da unidade”, acrescentou o coordenador.

A terceira turma está realizando as aulas, divididas em três módulos: o teórico, a sintonização e o acompanhamento durante 21 dias, para auto-aplicação. Depois desses dias, elas estão aptas a replicar o método nas outras. A meta do projeto é atingir 10% das mulheres presas, sendo uma de cada uma das 42 celas. Algumas delas retornam na sexta-feira como voluntárias para ensinarem o que aprenderam as colegas iniciantes.

Iris é uma delas, uma mulher para quem o tempo é contado em milésimos. “O Reiki deixa a gente bem leve, nos fortifica. Conto os dias para chegar as sextas-feiras e participar. Conto os domingos para ver minha mãe e meu irmão. Conto os dias para sair e ver meu filho”, afirma. Enquanto isso, canaliza as energia pensando no menino e expande o amor a pessoas como Thayanna Araújo, 28. “A gente precisa de atenção, carinho e cuidado. O Reiki traz felicidade, autocontrole e disciplina. Antes eu era muito irritada”, conta.

A redução dos índices de irritabilidade foi apenas um dos resultados percebidos pelos mestres e também a direção da Colônia Penal desde o início da atividade. O maior deles é a promoção da humanização no trato entre os agentes penitenciários e as reeducandas. Elas já chegaram a aplicar a técnica em vários funcionários. Um deles participou das aulas e também replica a terapia com as mulheres.

Ontem foi a vez da diretora Charisma Tomé passar pelo processo de reenergização pela mão das presas. “Queremos que cada uma cuide da outra. Há relatos de mulheres que estão aplicando em colegas com sintomas de depressão e já conseguiram fazê-las querer sair da cama. A motivação é grande diante da quebra de paradigma de também ver a gente participando”, ressalta. Além da depressão, é comum entre elas ansiedade e estresse. O Reiki também age na cicatrização, meditação e redução do estresse.

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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1 comentário

  1. Enquanto Mestre em Reiki me maravilho com situações deste tipo.

    Se toda prisão fizesse isso, o mundo seria bem diferente.

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