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Vargas Llosa diz que sociedade brasileira quer "purificar a democracia"

São Paulo, 9 mai (EFE).- O escritor peruano Mario Vargas Llosa falou nesta segunda-feira em São Paulo sobre a tumultuada situação política do Brasil e afirmou que esta situação se deve, em grande medida, a um movimento “sadio” que quer “purificar a democracia”.

“Existe um movimento que não quer que a democracia seja apodrecida pela corrupção”, afirmou Vargas Llosa durante sua participação no ciclo de conversas Fronteiras do Pensamento, que ao longo do ano analisará, através de uma série de conferências, as grandes mudanças na sociedade mundial.

O escritor tachou a situação política no Brasil de “surrealista” e advertiu que este estilo, apesar de ter produzido “obras-primas” nas belas artes, “no campo político é perigoso e pode produzir alguns pesadelos”.

Ganhador do prêmio Nobel de literatura em 2010, Vargas Llosa afirmou que “uma democracia imperfeita é preferível à maior das ditaduras”, em clara referência ao processo de impeachment que a presidente Dilma Rousseff enfrenta neste momento, e que foi chamado de “golpe” por ela mesma em várias ocasiões.

Vargas Llosa, que recentemente considerou o “endeusamento” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma das principais causas da crise política no país, advertiu hoje durante sua conferência sobre os perigos das utopias.

“Todas as tentativas de criar um paraíso por meio de modelos únicos, na prática, criaram infernos”, argumentou o escritor.

Além disso, Vargas Llosa aproveitou sua passagem pelo Brasil para afirmar que a democracia, a tolerância e os direitos humanos são “tão recentes” que ainda é possível lembrar o “momento em que surgiram”.

O autor de ‘A Guerra do Fim do Mundo’ e ‘Conversa na Catedral’, entre outros títulos, disse que o liberalismo é “inseparável” da democracia, da liberdade de imprensa e dos direitos humanos.

Ao longo de 2016 participarão desta série de conferências várias personalidades de diversas disciplinas, tais como o analista político americano Francis Fukuyama, a ex-presidente da Irlanda Mary Robinson e o escritor britânico Ian McEwan.

Fonte: Bol.com.br

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