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Votação do impeachment no Senado divide opiniões nas ruas do Recife

As duas estudantes de medicina da foto, Elvira e Mirela, ingressaram na faculdade pelo ProUni, mas divergem quanto ao rumo que Dilma deveria seguir. Foto: Nathallia Fonseca/Esp DP
As duas estudantes de medicina da foto, Elvira e Mirela, ingressaram na faculdade pelo ProUni, mas divergem quanto ao rumo que Dilma deveria seguir. Foto: Nathallia Fonseca/Esp DP

Pela primeira vez, um processo de impeachment chega até a fase de votação no Senado Federal. Diante do cenário histórico na política, os recifenses acompanham a sessão no Senado pela televisão, pelas redes sociais, pelos sites de notícias. Nas ruas, pichações gritam palavras de ordem, enquanto a população parece dividida. Em um dia histórico como hoje, quase todo mundo já tem opinião formada sobre o processo que vai mudar os rumos políticos do Brasil e, seja qual for o resultado, deixar marcas indeléveis na nossa história.
No bairro do bairro da Boa Vista, encontramos o desenhista Adaildo da Silva, de 53 anos, que diz que se mantém informado pela internet e pelos canais de televisão fechada. Ele acredita que a atual presidente cometeu erros e merece ser punida. “A partir do momento que ela deve, tem que pagar. Ela cometeu muitos erros administrativos e deve ser punida. A justiça deve ser feita para qualquer um. Se um menino rouba uma bala, ele é punido. Ela não é diferente”, diz Adaildo, que acrescenta ainda que os detalhes do processo “deveriam ser mais divulgados”.

A descrença com a política em geral faz com que o militar aposentado José Gonçalves peça a saída de todos os políticos. Foto: Nathallia Fonseca/Esp DP
A descrença com a política em geral faz com que o militar aposentado José Gonçalves peça a saída de todos os políticos. Foto: Nathallia Fonseca/Esp DP

A poucos metros do desenhista, a comerciante Tatiane Alves, de 39 anos, diz que tem acompanhado atentamente o processo, mas se sente pessimista sobre os resultados. “Eu sou contra tudo que estão fazendo. Acho desnecessário porque ninguém que colocarem ali vai ser melhor do que ela. Dilma deu oportunidade pra muita gente, ajudou muitos pobres”, afirma Tatiane, que acompanharia a votação pela TV, quando chegasse em casa.

As colegas Elvira Araújo e Mirela França, que estudam medicina na Universidade Católica de Pernambuco, têm posições políticas distintas entre si. Enquanto Mirela, de 20 anos, diz que é a favor do impeachment, e diz que “deveriam fazer uma ‘limpa’ total”, e alega que, além de tudo, o atual governo já passou “tempo demais no poder”. Elvira, de 27, acredita que Dilma será afastada hoje, mas não concorda com isso. “Eu entrei na faculdade de medicina pelo ProUni. Antes dela, onde um pobre negro conseguiria cursar medicina numa faculdade particular?”, defende a estudante. Elvira também diz acompanhar os acontecimentos pela televisão, mas acredita que a mídia brasileira “tende mais para um lado”. Mirela acrescenta ainda que, mesmo na internet, e principalmente nas redes sociais, “é difícil saber em quem confiar”. Em comum entre as duas, o tipo de ingresso na faculdade de medicina: pelo ProUni, programa de bolsas de estudo criado em 2004 no Governo Lula.

Militar aposentado, Emanuel Queiroz acredita que Dilma não volta mais a governar o Brasil. Foto: Nathallia Fonseca/Esp DP
Militar aposentado, Emanuel Queiroz acredita que Dilma não volta mais a governar o Brasil. Foto: Nathallia Fonseca/Esp DP

A descrença com a política em geral também dá o tom das ruas. Com 78 anos, José Gonçalves é servidor público aposentado e diz que vê no Senado uma oportunidade para “que a justiça seja feita”, mas brinca que, se pudesse “tiraria todos eles de lá”. “O presidente da Câmara, do Senado, da República. Todos deveriam ser cassados”, acredita. Emanuel Queiroz, de 49, militar também aposentado, engrossa o coro e diz que demonstra convicção sobre a votação no Senado. “Hoje é certeza que ela sai e não volta mais”, diz, ríspido. “É um processo legítimo, que passou por todos os trâmites e deve seguir em frente”.

Se Dilma se manter no cargo, a festa será espontânea: ontem o acampamento da Praça do Derby foi desmontado e os recifenses contrários ao impeachment vão se reunir para pensar novas estratégias. Caso Dilma seja afastada pela Lei do Impeachment, aprovada ainda na década de 1950, grupos de oposição prometem fazer a festa na Avenida Boa Viagem. Vencendo um ou outro, não vai ser fácil unir o Brasil novamente.

Com reportagem de Nathallia Fonseca

Fonte: Diário de Pernambuco
Matéria originalmente publicada pelo site Diário de Pernambuco

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