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A escolha de Tite

O MARCO POLO que não viaja repete a história que foi farsa em sua primeira versão e segue como tal na segunda.

Trocou-se Felipão por Dunga depois do 7 a 1 e tenta-se trocar Dunga por Tite agora.

Tite, com dois anos de atraso no mesmo papel de Felipão em 2001, como salvador da pátria e com carta branca.

Se resistirá ao mar de lama que inunda a CBF o futuro dirá, mas só os ingênuos podem imaginar que mais uma troca de treinador é solução para o futebol brasileiro.

O buraco está mais em cima e já se disse aqui mil vezes que a questão é estrutural.

O futebol brasileiro, hoje na segunda divisão mundial, cairá para a terceira e assim por diante enquanto perdurarem os métodos que elegem a cúpula da Casa Bandida, que para deixar de sê-la precisa mais do que o FBI ou da indignação circunstancial de parte da mídia, como a TV Globo, por ver em risco a participação na próxima Copa do Mundo e o prejuízo que daí advirá.

A ninguém minimamente bem informado é aceitável só agora gritar pela ruptura.

É preciso muito cinismo e hipocrisia para sugerir um acordar tão tardio, porque Marco Polo Del Nero não passa de nada mais que a continuidade iniciada por João Havelange e seguida por Ricardo Teixeira e José Maria Marin.

Todos eles respeitosamente chamados de doutores por seus parceiros, enquanto Pelé, Mané Garrincha, Didi, Nilton Santos, Tostão, Gérson, Rivellino, Romário, Ronaldo e Rivaldo resolviam em campo as lambanças e a corrupção por eles promovidas fora dos gramados.

Não há reforma possível com quem está no prédio que segue chamado de José Maria Marin, embora com o nome taticamente retirado da fachada.

E não há porque, a contaminação começa no andar térreo e sobe pelo elevador até a cobertura.

É digno do sentimento de vergonha alheia ver quem calou durante décadas hoje exigir o que deveria ter sido exigido não é hoje.

Até o oportunismo tem limites e não há como conciliar com a esperteza descarada porque os inimigos de ocasião dos nossos inimigos de sempre não são, necessariamente, nossos amigos.

Dane-se a eliminação na Copa América, dane-se o 7 a 1, dane-se uma eventual eliminação da Copa na Rússia.

O momento não comporta meias palavras e não sairá do atual quadro da CBF a saída para começar a revolução obrigatória em nosso futebol.

Será o anedótico coronel Nunes quem comandará tal processo? Ou Fernando Sarney? Ora, tenham a santa paciência!

A sociedade brasileira já dá sinais de não conciliar mais com o rouba mas faz, outra marca registrada da CBD/CBF dos tempos do pentacampeonato.

Na segunda passada mesmo revelou-se, em sondagem feita pela ESPN Brasil, que 56% de seus espectadores responsabilizam os cartolas pelos sucessivos fiascos da seleção, ao deixar Dunga em plano secundário.

No fim do ano passado, mais de uma centena de personalidades, boa parte delas fora do mundo do futebol, manifestou-se exigindo a renúncia de Del Nero.

Tite estava entre elas.

O que está em jogo são os clubes de massa e a alegria de um esporte chamado em outros tempos de jogo bonito.

Fora Del Nero! Por eleições democráticas na CBF!


Fonte: Folha.com.br

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