Alisson tenta superar 'frango' para repetir história de Taffarel

Barbosa, Gylmar dos Santos Neves, Taffarel, Marcos e Júlio César são goleiros com algo em comum na seleção brasileira: todos foram titulares de uma Copa do Mundo se consolidando na posição na Copa América anterior ao Mundial.

É o que tenta agora Alisson. Aos 23 anos e oito meses neste junho de 2016, ele é o mais jovem goleiro titular do Brasil em uma Copa América desde Taffarel, que tinha 23 anos e um mês quando foi campeão continental em casa, em 1989.

Hoje, Taffarel é o preparador de goleiros da seleção e o principal mentor da promoção de Alisson, até alguns meses atrás “apenas” um bom goleiro despontando no Inter.

“É um garoto de personalidade com um caráter bom. Alisson tem uma qualidade muito grande, é um goleiro seguro, muito técnico”, diz Taffarel.

Desde que o agora membro da comissão técnica de Dunga pendurou as luvas na seleção, após a Copa de 1998, a seleção teve principalmente três goleiros como titulares: Marcos, Dida e Júlio César, que participaram das quatro Copas seguintes (Júlio foi titular em 2010 e 2014).

Parecia que Jefferson, do Botafogo, seria esse sucessor. O arqueiro, hoje com 33 anos, considerada boa para um goleiro pela experiência que representa em uma posição de grande responsabilidade, caiu em desgraça com Dunga por dois motivos: falha em jogo de eliminatória contra o Chile e, depois, reclamação por ter ido ao banco de reservas.

Alisson agarrou a titularidade contra a Venezuela, em outubro de 2015, segundo jogo das eliminatórias. O time venceu por 3 a 1, e ele fez uma partida segura.

“É o sonho de qualquer jogador e me sinto preparado”, disse, na ocasião.

Foram até agora sete jogos disputados, e seis gols tomados. O Brasil não perdeu, venceu três partidas e empatou quatro. Mas…

SEGURANÇA

No 2 a 2 contra o Uruguai, em março, questionou-se Alisson no segundo gol uruguaio, marcado por Luis Suárez. Apesar da proximidade do atacante ao gol, era uma jogada defensável.

No 0 a 0 contra o Equador, na estreia na Copa América Centenário, sábado (4), Alisson se livrou de levar o primeiro “frango” na seleção – quando a falha é bisonha.

O trio de arbitragem deu saída de bola em chute de Bolaños na linha de fundo – a TV mostrou que não saiu. Mesmo assim Alisson se enrolou todo na defesa, ela bateu na trave, em seu braço, e entrou. Na saída de campo, ele não admitiu o erro.

“Não há bola fácil para o goleiro. Ela tocou na trave, e na volta me atrapalhou”, disse.

Reservas do gol nesta Copa América, Diego Alves, 30 do Valencia, e Marcelo Grohe, 29, não parecem no momento ameaçar a posição de Alisson. Sua ida à seleção, inclusive, rendeu um novo contrato, em um grande clube europeu. A Roma, da Itália, pagou mais de R$ 20 milhões para contratá-lo.

Nas redes sociais, o gol tomado que não valeu contra o Equador foi comparado a um levado por Taffarel nas eliminatórias para a Copa-1994, na Bolívia, quando na altitude de Las Paz o goleiro jogou a bola para o próprio gol, na primeira derrota da história do país naquela competição.

Pouco menos de um ano depois, o Brasil batia a Itália nos pênaltis e levava o tetracampeonato. Bom sinal para Alisson se estiver na Rússia-2018.


Fonte: Folha.com.br

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