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Arenas da Copa do Mundo se revelam 'elefantes brancos'

Passados exatamente dois anos da abertura da Copa do Mundo, as sedes do evento sofrem com falta de público.

Se havia dúvida sobre a criação de “elefantes brancos”, o levantamento realizado pela Folha mostra que, sim, eles existem. E o peso deles cai, como se previa, sobre os ombros do poder público.

Dos 12 estádios que receberam partidas no Mundial, apenas a Arena Corinthians, em São Paulo, registra taxa de ocupação superior a 50%.

No outro extremo, o negativo, o Mané Garrincha, em Brasília, e a Arena Pantanal, em Cuiabá, se destacam. O primeiro tem apenas 20% de ocupação, em média, e o segundo, 13%.

Para efeito de comparação, os estádios das principais ligas europeias, como a inglesa e a espanhola, superam a taxa de 70%. A alemã vai além dos 90%.

Esses percentuais europeus significam, de modo geral, futebol rentável.

O fracasso da obra de Brasília se explica muito por conta da grandiosidade da reforma. Com 72 mil lugares, o estádio, o mais caro da Copa (mais de R$ 1,4 bilhão), foi erguido como plano B caso o Itaquerão não fosse entregue a tempo da abertura.

A Fifa exige que na abertura, semifinal e final os estádios tenham ao menos 60 mil assentos. Como o Mané Garrincha não diminuiu sua capacidade após o Mundial, vive um drama atualmente.

“É inegável que o estádio é grande. Fomos críticos na época da construção [gestão Agnelo Queiroz, do PT]. Acho que capacidade para 45 mil pessoas estava de bom tamanho”, afirmou o secretário de Turismo do Distrito Federal, Jaime Recena (PSB-DF).

Segundo ele, a arena, que está nas mãos do governo e tem custo mensal de manutenção de R$ 700 mil, tem registrado prejuízo.

A reportagem não conseguiu falar com representantes do governo anterior.

NA LANTERNA

Situada no Mato Grosso, Estado com pouca expressão no futebol nacional, a Arena Pantanal tem apenas 13% de ocupação, ocupando a posição de lanterna do ranking.

Além disso, recebeu só 47 partidas ao longo de dois anos, o que resulta em um jogo a cada 15 dias.

“Precisamos agora captar eventos”, disse o tenente-coronel da Defesa Civil do Estado, Abadio Cunha, que administrou a arena entre julho de 2015 e março deste ano.

Para que fosse mais bem aproveitado, o estádio de Cuiabá passou a abrigar órgãos públicos desde o fim da Copa, como o Gabinete de Assuntos Estratégicos.

Em Manaus, a taxa de ocupação da Arena Amazônia é um maior (31%). Porém, recebeu só 18 jogos desde o fim da Copa, média de um jogo a cada dois meses.

O estádio também é administrado pelo governo estadual. “Se não buscarmos atividades para a arena, ela fica subutilizada”, afirmou o secretário de esportes do Amazonas, Fabrício Lima.

“Nosso futebol não é tão forte, mas, se Deus quiser, vai ficar, com um trabalho que começa na base”, completou.

A Arena da Amazônia tem recebido jogos do futebol de base do Estado sem custo.

O GOVERNO SALVA

O Mineirão atrai público razoável, dado seu tamanho. Com capacidade para 62 mil pessoas, tem média de 27 mil torcedores por jogo, o que representa 44% de ocupação.

É o segundo dos que sediaram a Copa com maior percentual –só atrás do Itaquerão, que chega a quase 68%.

“Os gestores das arenas já entenderam que elas vão ter que se adaptar. A própria economia brasileira não é pujante como antes”, disse Samuel Lloyd, diretor comercial da arena de Minas Arena, consórcio que administra o estádio.

A média do estádio nos dois anos posteriores à Copa do Mundo foi a maior desde 2003, quando passou a ser obrigatória a divulgação dos borderôs no site da CBF.

Lloyd, que trabalhou no projeto de legado dos Jogos Olímpicos de Londres, realizados em 2012, afirma que nem sempre é possível obter lucro na operação.

“Se a gente pergunta: o que entra de receita de exploração comercial é capaz de pagar as contas do mês? Não. Estamos longe disso. Isso nós chamamos de margem operacional e no momento ela é negativa”, completou Lloyd.

No entanto, o arena mineira tem uma parceria público-privada com o governo do Estado. Assim, com o dinheiro público, as contas fecham. Mas, do ponto de vista operacional, há deficit.
shows e feiras

Se as partidas não dão conta de cobrir os gastos elevados dos estádios, o jeito é investir em eventos com outras características, como shows.

Somadas, a Arena das Dunas (25% de taxa de ocupação), em Natal, e a Fonte Nova (30%), em Salvador, já receberam mais de 170 eventos sem relação com o futebol, de feirão de automóveis a circos.

Mesmo assim, a Fonte Nova não consegue fechar as contas.


Fonte: Folha.com.br

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