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Áudio mostra juiz orientando colegas em onda de processos contra jornalistas no PR

Um áudio do WhatsApp mostrou que um juiz orientou colegas a processarem os jornalistas do jornal Gazeta do Povo, do Paraná. A publicação está sendo alvo de 37 ações de magistrados e promotores do Ministério Público do Estado após ter publicado uma reportagem sobre os salários dos juízes e representantes do MP neste ano. A voz na gravação é do presidente da Associação dos Magistrados do Paraná, Frederico Mendes Junior. A informação é do site Buzzfeed Brasil.

No áudio, Frederico diz já ter pronto um modelo de petição para que cada juiz entre “individualmente” com ação judicial contra os cinco jornalistas. “E já estamos providenciando um modelo de ação individual, feito a muitas mãos, por vários colegas e com viabilidade de êxito, para que cada um, na medida do possível e respeitadas as peculiaridades do que foi divulgado ali, possa ingressar com essa ação individual, caso considere conveniente”, afirma o magistrado.

Das 37 ações movidas contra os cinco jornalistas, 36 foram apresentadas em juizado especial, o que os obriga a se deslocarem para cada audiência. Ao todo, os funcionários do jornal já viajaram de carro 6,2 mil km pelo interior do Paraná. Além disso, há outra coincidência: das 37 ações até agora, 35 pedem indenização de R$ 35,2 mil – o valor máximo que pode ser pedido em um juizado especial. No total até agora, foram pedidos R$ 1,34 milhão.

Através da sua assessoria de imprensa, Frederico Mendes Junior negou que ter incentivado os magistrados a ingressar com ações individuais com o objetivo de perseguir os repórteres. Segundo a entidade, a gravação do áudio ocorreu em um contexto de que a Amapar vinha sendo pressionada a se posicionar após a publicação das reportagens. De acordo com o presidente do órgão, os modelos de petição são ações legítimas para dar suporte aos seus associados. 

Por meio da assessoria, a Amapar afirmou ter 1,3 mil associados e que menos de 2% ingressaram com processos. Nem todos os juízes que processaram os jornalistas são filiados à entidade. Sobre as ações terem sido propostas em cidades diferentes, a Amapar negou intenção é de inviabilizar o trabalho dos jornalistas. “Ocorre que, de acordo com as regras processuais vigentes, a parte que entende ter sido lesada em seu direito pode ajuizar a ação no local em que reside. Não há como a Amapar obrigar o magistrado a ajuizar a ação neste ou naquele local”, afirma o órgão.


Fonte: Diário de Pernambuco

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