Bem-vindos à Era Tite na Seleção Brasileira

Após intensas negociações, técnico, ex-Corinthians, assume time canarinho para apagar história recente de vexames com Dunga e Felipão

“Esperança de dias melhores”. “Para recuperar o prestígio”. “Em busca do respeito perdido”. “Saudade do futebol pentacampeão”.  “Salvador da pátria”.

Poderiam ser muitos os títulos que simbolizariam a chegada de Tite ao comando da Seleção Brasileira. Há anos, um treinador não desembarcava na CBF cercado por tanta expectativa.

O Brasil passa um momento vergonhoso em campo, desde os fatídicos 7 a 1 de 2014: em 6º nas Eliminatórias para a Copa da Rússia, fora, de forma vexatória, de duas Copas Américas seguidas e amargando o 7º lugar no ranking da Fifa. Fora dele, a CBF também enfrena escândalos de corrupção e enorme resistência, dos patrocinadores, parceiros e torcedores.

Tite foi apresentado na tarde desta segunda-feira (20), na sede da entidade, no Rio, e não economizou nas palavras. Também estão confirmados seus auxiliares: o filho Matheus Bachi e Cleber Xavier. Edu Gaspar terá um cargo diretivo no departamento de futebol.

Confira principais pontos da entrevista coletiva de Tite: 

FATO DE TITE JÁ TER PEDIDO A RENÚNCIA DE MARCO POLO DEL NERO DA CBF

“A minha atividade e convite feito foi para ser técnico da seleção brasileira de futebol. Entendo que essa atribuição é melhor maneira para contribuir com ideia da minha vida: transparência, democratização, excelência, modernidade, é a forma que penso e trago para o futebol. Meu legado pode falar sobre a forma com que conduzi”.

“O que foi solicitado, e fico muito tranquilo em conversar com CBF. Houve dois aspectos fundamentais: autonomia e a busca pela excelência, o melhor do futebol, isso eu sei fazer. Campo, análise de desempenho, eu me reformatar enquanto técnico porque Seleção é diferente de clubes. Temos que classificar”.

“Respeito posições contrárias, já coloquei que me foi dada atribuição com Seleção e é a melhor maneira de contribuir. Um objetivo pessoal de construção de carreira, julguem como quiserem, mas minha contribuição para o futebol é aquilo que sei. Essas ideias de transparência e democratização continuam como princípios meus.”


(Fonte: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP/Getty Images)

HERANÇA  DE DUNGA

“É precipitado, mas dá para trazer como ideia. Aproveita-se dentro do que se entenda ser o melhor, cada um com suas ideias, mas claro que se aproveita. Sou um técnico em formação, vai um tijolinho a cada dia, aprendemos com nossos erros. Não tenho problema algum em melhorar e aprender com acertos dos outros”.

PRESSÃO NA SELEÇÃO

“Ideal é início de trabalho. As circunstâncias acontecem. Fiquei sentado numa poltrona em 2014 e não veio. Porque as coisas têm seu tempo. Veio agora, entendi que devia aceitar, por fazer parte da minha carreira estar técnico da seleção brasileira. Um objetivo pessoal e talvez o meu melhor momento profissional. Ganhando, mas perdendo muito. Coragem assumir agora.”


(Foto: Lucas Figueiredo/Mowa Press)
 

CONVITES ANTERIORES

 “As situações anteriores não foram sentadas na mesa, não foram postas olho no olho.”

JOGO BRASIL X PERU

“Eu estava de cabeça inchada, remoendo derrota pro Palmeiras, e não vi o jogo contra o Peru. Meu foco estava unicamente voltado ao Corinthians, triste. Remoendo a dor. me fecho no quarto, fico no meu canto e pensei no que poderia fazer de melhor. Assisti depois o gol do Peru, não vi o jogo.”

TÉCNICOS GAÚCHOS NA SELEÇÃO

 “Não acredito em escola gaúcha de técnicos, acredito em escola brasileira. Duas vertentes separadas, uma que premia a triangulação, organização e posse de bola, e outra mais do contato físico e bola longa. Há técnicos gaúchos das duas escolas. É a escola do seu Telê ou a do seu Ênio Andrade.”


(Foto: VANDERLEI ALMEIDA/AFP/Getty Images)

SELEÇÃO OLÍMPICA

“Era muito fácil o técnico alinhavar uma situação, prever estar na Olimpíada, e trazer louros. Se ganha, medalha de ouro. Senão tem desculpa pronta de ter assumido em cima da hora. Isso eu não faço. A prioridade é a seleção brasileira e desenvolver trabalho em cima da classificação. Preciso ajustar, estar dentro dessa situação o mais rápido possível.”

 “Ah, mas eles (Micale e seus auxiliares) não têm know-how? Eu também não tinha. Respeito total ao Rogério e a maior probabilidade de sucesso é com ele e sua equipe.”

NEYMAR

“A partir desse momento começo a interagir. Uma coisa que acredito: o lado humano potencializa o lado profissional. Vindo pra cá, minha perna estava balançando, é o lado humano que todos têm. Posso assegurar que todos, inclusive o Neymar, querem o bem da Seleção. Compete a nós encontrar e buscar o melhor caminho.”

CAPITÃO

“Ideia de troca de capitania. Podemos divergir de ideias, é da vida, mas com respeito. Todos têm uma responsabilidade em cima da performance, todos vencem, essa é a grande marca de uma equipe de futebol. Essa mudança de capitania traz isso. Há diversos perfis de liderança: técnica, comportamental, o que consegue externar de forma pública as ideias, o exemplar.”

“Vejo ontem a final da NBA. Um toco do LeBron James determina a sequência do Irving, a marcação de um com a qualidade do outro. Senso de equipe. Nós precisamos ter senso de equipe. Aí sim, seja ele num clube qualquer ou na Seleção.”


(Foto: CHRISTOPHE SIMON/AFP/Getty Images)

INDICAÇÃO EDU GASPAR PARA CBF

 “Não deu cinco minutos da conversa, eu vim para ouvir, e presidente (Marco Polo Del Nero) colocou que pensava no Edu Gaspar para executivo do futebol. Foi iniciativa dele. Eu vim ouvir se havia afinidades na área do futebol. Não fui eu que falei, foi o presidente.”

CHANCE DE FICAR FORA DA COPA 2018

“O foco é classificação para o Mundial. Não estamos na zona de classificação. Acredito que trabalho vá dar condição, mas claro que corremos risco. Se não aceitar possibilidades vai fugir da realidade. Estou aqui porque o resultado não veio.”

“Equipe se montam, se formam, se consolidam e crescem. É assim nas equipes, e tenho a experiência como técnico de clubes. E vejo assim nas seleções.”

TITE UNANIMIDADE  

 “Lado da vaidade e ostentação passou por mim. Eu tive, mas já passou. Gosto de ficar em casa com minha esposa, tenho hábitos simples. Perguntei ao presidente do Corinthians se eu podia dormir em casa no dia da concentração. Ele disse que eu podia ficar em casa porque ninguém me via, eu ficava lendo no quarto. Não sou simplório, sou simples, gosto do meu café, meu trabalho, é meu fascínio.”


(Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP/Getty Images)

IDENTIDADE DA SELEÇÃO

“Triangulações, troca de passes e infiltrações. De transição, perder a bola e ter iniciativa em pressão alta, média ou baixa. Organização de bola parada importante e consistente. Desafio de me reinventar. Peço que clubes me proporcionem um dia de treino e conversa com técnicos, conhecer características, como posso intervir, onde jogadores podem render.”

 “Eu tava saindo do aeroporto, um cara falou: ‘Tite, agora são 200 e tantos milhões’. Sei da responsabilidade, mas me preparei e continuo me preparando. Sei que vou pegar atletas já treinados e quero estabelecer relação com outros técnicos e jogadores.”


(Foto: Reprodução/CBF TV)

HISTÓRIA DO FUTEBOL BRASILEIRO

 “Ela inspira e faz o joelho balançar também. Toda uma história extraordinária. Eu me lembro de 1970, ouvindo com 8 anos o rádio, o Tostão recebe uma bola pelo lado esquerdo, passe e infiltração do Clodoaldo, empatamos e eu saí vibrando, feliz da vida. Ou a Copa de 82 que me marcou pela beleza, sou fascinado por meio-campistas. Falcão, Cerezo, Sócrates, Zico…”

GERAÇÃO BRASILEIRA

 “Grandes atletas com potencial de crescimento. O técnico evolui, o atleta evolui e tem capacidade de evolução, amadurecimento, e é assim essa geração. Afora Neymar ser o astro, tem uma série de outros jogadores com qualificação e potencial de crescimento muito grande.”

BENÇÃO DA MÃE

“Querida mãe, imagina a realização de ver o filho na seleção brasileira. Peço para as pessoas terem cuidado com ela, carinho, se falar com ela vai tirar coisas que emoção vai aflorar. Eu disse a ela hoje de manhã quando acabou a reunião do Gilmar (Veloz, empresário). Eu disse: ‘Mãe, teu filho é técnico da Seleção’. Ela começou a chorar e me deu bênção”.


(Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP/Getty Images)

ACOMPANHAR CLUBES DO BRASIL

 “Quero acompanhar trabalho dos técnicos e vou me convidar para assistir, sem intervir, aos treinos dos clubes. Acompanhar treino, conversar com técnico e acompanhar jogo para mensurar. Técnico vai me passar o que o atleta tem e pode executar. Treinos eu não vou conseguir fazer, esse é meu grande desafio. Outro é montagem da equipe, um jogador que possa executar função e se sentir bem.”

PALAVRAS DE EDU GASPAR

“Fizemos reunião com presidente, uma das prioridades é dar ênfase agora às eliminatórias, estamos nos preparando. Ideia é cuidar da seleção principal, temos o Damiani fazendo grandíssimo trabalho na base. Estarei ao lado dele, com uma função muito parecida, mas total ênfase na seleção principal.”

 


Fonte: Goal.com

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