Brasil e Argentina: seleções em crise… por motivos diferentes

Principais potências do futebol sul-americano, e gigantes no palco mundial, os dois selecionados vem colecionando fracassos nos últimos anos

Lionel Messi era o primeiro batedor na disputa de pênaltis que decidiu o título da Copa América Centenário, mas desperdiçou a cobrança e no final das contas a Seleção Argentina voltou a fracassar. Aqui no Brasil, muitos foram os que vibraram com mais um vice dos hermanos. Já são 23 anos sem conquistar títulos de primeira grandeza, o último foi em 1993. Justamente uma Copa América.

Só que nós sabemos muito bem que a Seleção Brasileira está longe de viver um bom momento. Nos últimos três anos, o Escrete Canarinho levou 7 a 1 da Alemanha no Mundial disputado em solo tupiniquim e foi eliminado precocemente nas Copas América de 2015 e 2016 – sendo que na edição deste ano, comemorativa do centenário do certame, a equipe da CBF não passou nem da fase de grupos.


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É por isso que, apesar das brincadeiras e provocações em ambos os lados, se tem algo que une brasileiros e argentinos – além de uma história repleta de vitórias e momentos marcantes no futebol – é o cenário ruim em suas equipes nacionais. Abaixo, confira algumas comparações do panorama atual de Canarinhos e Albicelestes.

Brasil: o debate de gerações

Seleção Brasileira que disputou a Copa América Centenário (Foto: Lucas Figueiredo/MoWA Press)

Um tema comum em conversas de amigos, na TV, rádio, jornais e sites é a avaliação dos jogadores que defendem a Seleção Brasileira. Muitos são os que apontam a nova safra de boleiros como inferiores em relação aos seus antecessores, e garantem que os brasileiros estão entre os piores jogadores de nossa história.

Um exagero, é claro. Afinal de contas vários deles exercem influência positiva (e decisiva) em seus clubes. Exemplo: Philippe Coutinho é um dos principais jogadores do Liverpool, Douglas Costa no Bayern, Marcelo e Filipe Luís nos gigantes de Madri, Dani Alves* e Neymar no Barcelona. Só que os últimos resultados e a marca dos 7 a 1 marcam um grupo de atletas que muitos dizem não ter uma identificação tão grande com Seleção Brasileira.

Só que, com algumas exceções, o grande motivo de insatisfação estava na área técnica. O trabalho de Dunga tinha como meta principal os resultados antes do futebol bem jogado. Os brasileiros não viram nem um, nem outro. E depois de uma participação vexatória na Copa América Centenário o treinador foi demitido. A chegada de Tite recoloca um pouco de esperança para termos um futebol minimamente estruturado, mas a sua missão será complicada.

(Foto: Getty Images)

A outra fonte de esperança é Neymar. O jogador do Barcelona é visto como o único craque brasileiro em atividade no mundo. No Barcelona, desequilibra ao lado de Luis Suárez e Messi, é cobiçado por vários clubes. Só que a inconstância emocional vestindo a camisa amarelinha é tão presente quanto as exibições decisivas com a mesma. Quando não pode jogar por lesão, Neymar costuma levar cartões bobos. E o time sente muito a sua ausência, principalmente na parte técnica.

Argentina:  jogadores brilhantes e decisivos… só em seus clubes

(Foto: Getty Images)

O grupo convocado por Gerardo Martino conta com vários atletas de grande destaque. Nicolás Otamendi é um dos melhores defensores da Premier League, com a camisa do Manchester City; Rojo é titular absoluto no Man.United e mostra bom rendimento tanto na zaga quanto na lateral. Mascherano dispensa comentários: é um dos melhores jogadores de defesa da última década, e segue importantíssimo aos 32 anos com a camisa do Barcelona e de sua seleção. Banega é um dos maiores nomes do Sevilla, tricampeão da Europa League.

(Foto: Getty Images)

A lista segue com Lamela, Gaitán, Pastore. E, claro, Higuaín (artilheiro isolado do Campeonato Italiano), Di Maria (excelente no meio de campo do PSG e decisivo com uma invejável coleção de gols e assistências), Aguero (vice-artilheiro da Premier League, maior jogador da história do Man.City) e Lionel Messi. Messi, um dos maiores jogadores de todos os tempos. O maior de toda a história do Barcelona.

Só que nenhum deles consegue acabar com o jejum de títulos. A Albiceleste entra em todas as competições entre as maiores favoritas. É lógico: conta com o melhor jogador do planeta. Os argentinos jogam relativamente bem, conseguem chegar às decisões… mas como se fosse uma maldição, o fracasso está sempre presente. Várias foram as chances, as finais perdidas. Em 2014, vice na Copa do Mundo; 2015, vice na Copa América e a mesma coisa um ano depois.

A última derrota acabou, até segunda ordem, com a história de Messi na Seleção Argentina. Ao contrário do que acontecia no Brasil, os jogadores mostram, de maneira honesta, todo o amor de vestir a camisa azul e branco. E isso fica muito claro na decepção desenhada no rosto dos argentinos após os fracassos. Mas não tem sido o bastante. Cada “quase” é uma apunhalada no coração de quem ama a Albiceleste.

Crises por motivos diferentes

Equipes comandadas por confederações questionadas, que estão sob a mira da Justiça. Talvez esta seja a única semelhança entre as crises de Brasil e Argentina no futebol de seleções. De um lado, brasileiros vieram na esteira de várias conquistas nas últimas décadas… mas veem no distanciamento do time em relação aos torcedores de dentro do país um ponto preocupante.

É cada vez maior o número de pessoas que não ligam tanto para o Escrete Canarinho. Antes do início da Copa América Centenária, um estudo feito pelo Instituto PróPesquisa apontou que 91% dos seus entrevistados não tinham nenhum interesse em acompanhar o time que era, na época, comandado por Dunga.

Isso não acontece em relação aos ‘hinchas’ argentinos. Os brasileiros precisam reconquistar o amor à Seleção, e isso deve ser fomentado pelos jogadores, treinador e CBF. Os argentinos só querem um título.


Fonte: Goal.com

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