Últimas

Cinco Estrelas: Mineirão: O calvário azul

“É fundamental entender que, após tantas mudanças de treinadores, já passou da hora de olhar para o elenco e buscar reforços”



GOAL Por João Henrique Castro


Que o Mineirão é a casa cruzeirense, não existe dúvida. O palco das maiores conquistas do clube celeste, no entanto, se tornou desde janeiro do ano passado uma fortaleza às avessas em que os combatentes locais parecem ter menos força do que longe de casa.

Boa parte dos melhores momentos do Cruzeiro desde o início da temporada passada foi fora de casa. A vitória sobre o River Plate na Argentina e as três vitórias sobre o Atlético-MG no Independência são apenas algumas das mais fortes lembranças de como a equipe se porta melhor longe dos seus domínios. E a exceção da era Mano Meneses, a tendência tem se confirmado com todos os outros treinadores.

 

É curioso notar, aliás, que os jogos “menos complicados” são justamente aqueles em que o time vai pior quando atua em Belo Horizonte. Confrontos contra os times do interior de Minas Gerais e contra os candidatos ao rebaixamento frustam a torcida mais do que os duelos mais complicados. Mas é um fato praticamente consolidado: O Cruzeiro não vai bem no Mineirão. E os números provam que tal situação, ao menos até hoje, independe do treinador.

 

 

Marcelo Oliveira 2015: 12 jogos – 4 vitórias, 5 empates e 3 derrotas totalizando 47,2% de aproveitamento. (A perda da força em casa)

 

Tropeços: 1×1 Caldense; 1×1 Atlético-MG; 1×1 Mamoré; 1×2 Tombense; 1X2 Atlético-MG (Campeonato Mineiro); 0x0 Huracán; 0x3 River Plate (Libertadores) e 1×1 Ponte Preta (Brasileirão)

 

É bem verdade que enquanto disputava a Libertadores, Marcelo Oliveira deixou o Campeonato Mineiro em 2º plano. No entanto, os titulares atuavam justamente nas partidas em casa e os tropeços na fase classificatória estadual foram exatamente no Mineirão.

 

Na competição continental, a eliminação para o River Plate veio após um triunfo sobre os argentinos em Buenos Aires no jogo de ida. E o último compromisso no Mineirão foi o melancólico empate com a Ponte Preta com time misto pelo Brasileirão.

 

Também como mandante, o Cruzeiro havia sido derrotado pelo Corinthians por 1X0 em Cuiabá na abertura do Campeonato Brasileiro.

 


(Foto: Pedro Vilela/Light Press/Cruzeiro)

 

Vanderlei Luxemburgo: 9 jogos – 4 vitórias, 2 empates e 3 derrotas totalizando 51,9% de aproveitamento. (O bom início e o declínio)

 

Tropeços: 0x1 Chapecoense; 1×1 Avaí; 0x0 Internacional; 0x1 Santos (Brasileirão); 2×3 Palmeiras (Copa do Brasil)

 

Vanderlei Luxemburgo venceu quatro jogos no Mineirão, mas três deles foram logo nos quatro primeiros compromissos em casa contra Flamengo, Atlético-PR e Goiás.

 

A medida que o seu trabalho avançava, os números pioraram sensivelmente e o elenco atingia o seu pior nível técnico e tático no período. Nas cinco partidas finais em casa, somente uma vitória e tropeços como contra o rebaixado Avaí e a eliminação para o Palmeiras na Copa do Brasil.

 

 

Mano Menezes: 9 jogos – 6 vitórias e 3 empates totalizando 77,8% de aproveitamento (Invencibilidade)

 

Tropeços: 1×1 Atlético-MG; 2×2 Vasco e 0x0 Grêmio (Brasileirão)

 

Se teve um período que o Cruzeiro foi eficiente em casa desde o início do ano passado, esta época foi com Mano Menezes.

 

Ainda que o treinador gaúcho tenha tropeçado em 2 dos 3 primeiros compromissos no Mineirão, um deles contra o rebaixado Vasco, a equipe superou a maior parte dos adversários atuando em Belo Horizonte. E com atuações convincentes como os 5×1 no Figueirense, os 3×0 no Sport e os 3×0 no Joinville.

 

 

Deivid: 10 jogos – 6 vitórias, 3 empates e 1 derrota totalizando 70% de aproveitamento (Placares magros e o América)

 

Tropeços: 0x0 URT, 1×1 América, 0x0 América (Campeonato Mineiro) e 3×4 Fluminense (Primeira Liga)

 

Durante a Era Deivid, o Cruzeiro também foi frágil no Mineirão, especialmente nos primeiros jogos.

 

Dos quatro tropeços do treinador, três foram logo nos quatro primeiros compromissos em casa. E o empate contra o América na semifinal do estadual decretou a sua demissão.

 

Paulo Bento: 4 jogos – 2 empates e 2 derrotas totalizando 16,7% de aproveitamento (Em busca da primeira vitória no Mineirão)

 

Tropeços: 2×2 Figueirense; 1×1 América; 0x1 São Paulo e 0x1 Flamengo (Campeonato Brasileiro)

 

O atual comandante cinco estrelas, ao menos até aqui, não conseguiu quebrar a sequência de tropeços em casa que assombra o Cruzeiro desde o início do ano passado.

 

Como alento, é bom pensar que tanto Mano Menezes quanto Deivid conseguiram resultados melhores com o tempo, enquanto Luxemburgo, que começou bem, afundou com o passar das rodadas do Brasileirão 2015.

 


(Fotos: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

O que se conclui?

 

Em primeiro lugar, os aproveitamentos de Mano Menezes e de Deivid parecem bons, mas é importante pontuar que aqui só foram avaliados os jogos em casa.

 

O do treinador gaúcho, no entanto, de fato é diferenciado, mas a Raposa não superou o Vasco em casa durante a sua gestão. Ninguém vence todos os jogos, é verdade, mas mesmo a Era Mano reforça a perspectiva de que o time tem mais dificuldade de superar justamente os rivais mais frágeis.

 

O fundamental parece, portanto, entender que, após tantas mudanças de treinadores, já passou da hora de olhar para o elenco e buscar reforços para mudar o cenário. O time tem dificuldades em propor o jogo e isto só se resolverá com contratações, pois nenhum dos comandantes resolveu este problema. 

 

É necessário ir ao mercado. Sob pena de seguir passando vergonha no Mineirão se nada se alterar.


Fonte: Goal.com

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook