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Claudio Lacerda: A FAB a serviço dos transplantes

GRT, 11 anos de idade, estava internado no Instituto de Cardiologia de Brasília, desde o final do ano passado, precisando desesperadamente de um transplante de coração. Depois de esperar por seis meses, finalmente, surgiu um doador compatível, em Porto Alegre, e com isso a sua grande chance. A criança e os seus pais se encheram de esperança.

Tendo em vista que o coração não pode ficar mais de quatro horas entre o momento em que deixa de receber sangue do doador e o instante em que passa a receber do receptor, o seu transporte não poderia ser feito por meio de avião de carreira, pois não havia adequação de horários. O Sistema Nacional de Transplantes, então, solicitou que a Aeronáutica, em Porto Alegre, disponibilizasse um avião da FAB para levar o órgão para Brasília. A resposta foi negativa, sob a alegação de “falta de condições operacionais”. O transplante foi abortado. Quatro dias depois, Gabriel faleceu, na semana em que completaria 12 anos de idade.

No Recife, temos vivenciado situações semelhantes, com o mesmo desfecho. Muitos pacientes da nossa lista para transplante de fígado morrem por falta de doador, enquanto órgãos deixam de ser captados fora do estado por falta de logística adequada.

A boa notícia é que, na semana passada, aparentemente impactado pelas repercussões daquele triste caso, o presidente Temer, sabendo que dezenas de aeronaves militares permanecem estacionadas em bases aéreas com suas tripulações disponíveis, muitas vezes precisando treinar pilotos em formação, decretou que, doravante, esses aviões deverão estar de prontidão para transportar órgãos em todo o território nacional.

Esse decreto, de número 8783, de 6 de junho de 2016, teve efeito pela primeira vez no Recife, três dias depois, de onde um bandeirante da FAB decolou para buscar um fígado captado em Salvador.  Ao desembarcar no Recife, o tenente-coronel Cláudio David, comandante da operação, emocionado, declarou que “poder contribuir para uma missão de tamanha relevância é uma satisfação que cada elo desse sistema sente e pode passar para a sociedade: uma sensação de dever cumprido”.

É a sensação que acomete leigos e profissionais de saúde envolvidos em cada transplante.


Fonte: Diário de Pernambuco

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