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Conheça Rogério Micale, o novo comandante da seleção olímpica

O novo responsável por concretizar o velho sonho da medalha de ouro olímpica do futebol brasileiro pode não ser muito conhecido pela torcida do país, mas, de acordo com quem o conhece bem, Rogério Micale está mais do que preparado para o desafio. Disciplinador, exigente e ousado são alguns dos adjetivos usados para descrever o baiano de 47 anos.

Com o aval de Tite, anunciado nesta quarta-feira (15) como novo treinador da seleção principal, Micale foi confirmado como técnico da equipe olímpica, que seria dirigida por Dunga, demitido na terça-feira (14) por causa da péssima campanha na Copa América Centenário.

Micale chegou à CBF há 13 meses depois de uma outra demissão, a de Alexandre Gallo, que era o comandante da seleção sub-20 e originalmente seria o treinador da seleção na Olimpíada.

Depois de trabalhar durante praticamente toda a sua carreira na formação de jogadores, Micale foi contratado pela CBF em 2015 com a missão de dirigir o time sub-20 e coordenar a preparação da seleção olímpica para os Jogos, entregando-a depois para Dunga.

Na seleção, ele obteve o vice-campeonato mundial sub-20 e o terceiro lugar nos Jogos Pan-Americanos de Toronto.

Após uma carreira discreta como goleiro em equipes pequenas do interior do Paraná, Micale começou a alavancar sua carreira de treinador em 2005, quando surgiu a oportunidade de trabalhar no Figueirense. Naquele ano, o clube de Florianópolis decidiu reestruturar as categorias de base e a primeira opção era Leandro Nieuhes, que optou por fechar com o Atlético-PR. Com a indicação do próprio Nieuhes, o Figueirense começou a observar Micale, que na época trabalhava no futebol paranaense.

“Buscamos informações e fizemos uma entrevista com o Micale, que nos agradou. Decidimos apostar e fomos felizes. Ele tem um olhar clínico com jogadores da base”, disse Edson de Lima, ex-vice-presidente do Figueirense. “Ele é um disciplinador, humano, trabalhador e um paizão na concepção da palavra. Conversa com os jogadores, orienta e também cobra quando é necessário”, acrescentou.

A aposta do Figueirense foi certeira, tanto que, com Micale, o clube ganhou o inédito título da Copa São Paulo de Futebol Júnior.

“É um cara inteligente, que estuda futebol. Ele dá dura quando tem de dar, cobra e orienta os jogadores o tempo inteiro. Agora está mais tranquilo, centrado. É muito fera taticamente”, disse Soares, ex-Grêmio e Fluminense, um dos jogadores descobertos pelo treinador.

A lista ainda tem o volante Henrique, do Cruzeiro, o zagueiro Felipe Santana, ex-Borussia Dortmund e hoje no Kuban Krasnodar, da Rússia, além do atacante Bernard e do zagueiro Jemerson, que renderam bons frutos ao Atlético-MG, seu último clube.

“Ele é o melhor treinador de base do Brasil. É calado, trabalhador e entende de futebol”, disse Alexandre Kalil, ex-presidente do clube mineiro. “Se eu fosse presidente do Atlético, o Micale teria sempre portas abertas.”

OUSADIA

Micale trabalhou no clube de Belo Horizonte entre 2009 e 2015. Deixou o Atlético por um breve período quando se aventurou como técnico da equipe principal do Grêmio Prudente. A passagem foi curta: dois jogos, com duas derrotas no Campeonato Paulista de 2011.

Segundo André Figueiredo, diretor de futebol de base do Atlético, a ousadia é a principal característica de Micale como treinador.

“Ele tem um conceito de jogo moderno, ousado, sem medo de perder. O Brasil carece de treinadores como ele”, disse Figueiredo. “Ele respeita as características do futebol brasileiro. Se eu fosse diretor de qualquer clube profissional, eu o contrataria sem medo. Tenho certeza de que a seleção olímpica está nas melhores mãos possíveis.”


Fonte: Folha.com.br

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