Conselho de Ética adia votação do parecer do processo de Cunha para quarta

O relator acusa Eduardo Cunha de ter mentido
O relator acusa Eduardo Cunha de ter mentido CPI da Petrobras ao declarar que no possua contas no exterior. Foto: Valter Campanato/Agncia Brasil.

O presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PR-BA), encerrou há pouco a reunião sem votar o parecer do deputado Marcos Rogério (DEM-RO) pela cassação do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Rogério pediu mais tempo para analisar o voto em separado apresentado pelo deputado João Carlos Bacelar (PR-BA), que pediu, ao invés da cassação, a suspensão do mandato de Cunha por três meses. “Não poderia, por dever de lealdade, fazer a análise de forma açodada. Para fazer essa análise mais detalhadamente, poderia apresentar as alegações finais ainda nesta quarta-feira”, disse Rogério.

Com isso, a votação do parecer pela cassação de Cunha foi adiada para esta quarta-feira.

Parecer
O parecer foi apresentado na reunião da última quarta-feira, mas um pedido de vista conjunta adiou a discussão do parecer. Marcos Rogério recomendou a cassação do mandato do parlamentar por quebra de decoro. O relator acusa Eduardo Cunha de ter mentido à CPI da Petrobras ao declarar que não possuía contas no exterior.

Segundo o relator, a partir de documentos do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Banco Central, “os trustes instituídos pelo deputado Eduardo Cunha representam instrumentos para tornar viável a prática de fraudes”.

Defesa
O advogado de Eduardo Cunha, Marcelo Nobre, rebateu as acusações e reafirmou que truste não é conta bancária e não pode ser considerado propriedade, por isso, Cunha não teria mentido na CPI da Petrobras. “Truste não é propriedade. Não se pode considerar um truste como um bem seu”, afirmou.

Marcelo Nobre justificou que a Receita Federal não autuou seu cliente por contas no exterior, porque elas não existem. “Por que a Receita não autuou meu cliente? Porque não existe (conta no exterior). A Receita é formada por gente séria, competente e atuante. Eles não fizeram nada, porque não existe”, defendeu o advogado.

Tia Eron
Vários deputados questionaram, há pouco, a ausência da deputada Tia Eron (PRB-BA) na reunião do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, marcada para discussão e votação do parecer do deputado Marcos Rogério (DEM-RO), que pede a cassação do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) por quebra de decoro parlamentar.

Segundo o deputado Alessandro Molon (Psol-RJ), causa preocupação a reunião do presidente da República interino, Michel Temer, com o presidente do PRB, Marcos Pereira, nesta segunda-feira.

“Pode ser uma mera coincidência, mas é muito ruim para um governo que abriga tantos aliados de Eduardo Cunha que mais essa suspeita paire sobre ele.”

Molon classificou como “história da carochinha” a tese da defesa de que os recursos no exterior não sejam de Eduardo Cunha.

O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) espera que a deputada defenda a cassação de Cunha. “Aguardamos ansiosamente a Tia Eron, embora ela tenha dito que votará pela preservação moral da Casa. Vejo que os colegas todos compareceram e ela ainda não chegou”, afirmou.

“Atenção tia Eron, onde estiver, o único voto que tenta fazer defesa do Cunha reconhece que ele mentiu”, disse o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-BA), em relação ao voto em separado apresentado pelo deputado João Carlos Bacelar (PR-BA), que pede a suspensão do mandato de Cunha por três meses.

Tia Eron, que substituiu o primeiro relator do processo no conselho, deputado Fausto Pinato (PP-SP), ainda não marcou presença na reunião. O voto dela poderá definir se o parecer será rejeitado ou não, de acordo com declarações dos outros participantes do colegiado.

O primeiro suplente do bloco parlamentar dela a chegar e assinar presença para votação foi o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), que já se pronunciou contra o afastamento de Eduardo Cunha. No caso de ausência de Tia Eron, caberá a Marun dar o voto pela parlamentar.


Fonte: Diário de Pernambuco

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook