Cúpula do PMDB acertava versões contra a Lava Jato, afirma Janot

O pedido de prisão de integrantes da cúpula do PMDB feito pela Procuradoria-Geral da República aponta que eles combinavam versões de defesa e estratégias para evitar serem alcançados com o avanço das apurações da Operação Lava-Jato. A informação é do jornal Folha de S.Paulo.

O plano seria alinhar as defesas do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) e do senador Romero Jucá (PMDB-RR), todos alvos de pedidos de prisão. Outro objetivo da articulação seria impedir que o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado colaborasse com as apurações.

Além disso, há indícios que seriam produzidos documentos para tentar esconder os desvios na gestão de Machado. Em sua delação, o ex-presidente da Transpetro afirmou que Renan, Sarney e Jucá teriam recebido R$ 70 milhões da subsidiária da Petrobras.

A base dos pedidos de prisão são as gravações dos peemedebistas feitas por Machado e repassadas à Procuradoria. Também foram entregues documentos que comprovariam movimentações financeiras. Ainda há áudios em poder da PGR que não foram divulgados.

A avaliação dos investigadores é de que apenas o afastamento de Renan e Jucá do Senado não surtiria efeito para impedir prejuízo às apurações da Lava-Jato. Já sobre Renan, o pedido de afastamento da presidência do Senado foi uma alternativa de Janot ao STF, caso a prisão não seja acolhida pela Corte.

Os procuradores também argumentam que os diálogos gravados apontam interesse do trio em mudar a decisão do Supremo que prevê a prisão de condenados a partir da segunda instância. Em alguns áudios, os envolvidos criticam ministros do tribunal por seus votos no julgamento.

Nos seus depoimentos, Machado e seus três filhos relataram um suposto esquema de desvio de recursos e pagamento de propina da Transpetro. Eles entregaram documentos sobre as transações, realizadas através de um fundo no exterior, e uma lista com as empresas envolvidas com contratos fraudulentos na subsidiária.

Os contratos de prestação de serviços da Transpetro, de acordo com o relato de Machado, rendiam propina de 3%. Nos estaleiros, a propina ficava entre 1% e 1,5%. Os valores seriam negociados diretamente por Machado com os empreiteiros. Os peemedebistas receberiam os valores em dinheiro vivo ou por meio de doações legais de fornecedoras da Transpetro.

Renan e Jucá já são investigados na Lava-Jato. O presidente do Senado é alvo de nove inquéritos e Jucá de dois. Os políticos que foram alvo do pedido de prisão negam terem participado de qualquer irregularidade.


Fonte: Diário de Pernambuco

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook