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Demorou, mas aconteceu: Cristiano Ronaldo encantou e foi decisivo na Euro 2016

Opinião: na melhor exibição individual do torneio até aqui, CR7 fez dois gols, quebrou recordes, e ainda deu uma assistência… livrando a Seleção Portuguesa de um vexame


GOAL Por Tauan Ambrosio 


Cristiano Ronaldo estava tenso. Afinal de contas, os chutes não encontravam o caminho desejado. Portugal vinha sendo, até o derradeiro jogo da fase de grupos, uma das maiores decepções da Euro 2016. E como o seu principal astro não havia feito nenhum gol e apresentava aproveitamento fraco em suas muitas investidas, era bem natural que fosse criticado.

A tensão estava bastante clara. E, para quem duvidava disso, a imagem de CR7 atirando para longe o microfone de um repórter foi uma prova absoluta – independente do veículo ser um tabloide sensacionalista. Exigente como é, dá para imaginar que o craque do Real Madrid estivesse se cobrando mais do que qualquer um. Quando Zoltán Gera abriu o placar para os húngaros, aos 19’ do primeiro tempo, o peso nas costas de Cristiano Ronaldo aumentou ainda mais. Se ele não havia sido decisivo nos dois jogos anteriores, não poderia mais adiar.

O compromisso contra a Hungria, nesta quarta-feira (22), era a última chance. E valia classificação para os gajos.

Aos 28’, bateu falta de longe e obrigou o goleiro Király a fazer uma boa defesa. Seis minutos depois, outro tiro livre direto… só que desta vez passou longe. Se não vinha conseguindo fazer a diferença com os gols, Cristiano recuou um pouco em sua constante movimentação. Na metade do caminho entre o meio-campo e a grande área húngara, deu um passe que venceu, sozinho, a marcação de quatro adversários. A bola chegou aos pés de Nani, o seu fiel escudeiro no ataque luso, que chutou de primeira para o empate.


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O primeiro tempo terminava com a impressão de que o time comandado por Fernando Santos se encontraria. Iniciada a etapa derradeira, Portugal estava dividida: o ataque funcionava, a defesa era um desastre. Dzsudzsák recolocou os magiares na frente em cobrança de falta, desviada por André Gomes, aos 47’, bem no início.  A resposta foi espetacular, e extrapolou as quatro linhas. Pela direita, João Mário cruzou em altura média. Bem colocado, CR7 deu um toque de letra no exato momento em que a bola dava a primeira quicada na grama. De lá, foi para o gol.

De letra, espetacular! CR7 balançou as redes na Euro 2016 após 23 chutes dados no torneio (Foto: Getty Images)

Golaço! Com direito à comemoração com o pulo seguido pela aterrisagem com braços abertos. Mas poderia muito bem ser o “Eu estou aqui”. Porque de fato ele estava. E pela primeira vez sendo decisivo na Euro 2016.

O problema era o de sempre: a Seleção Portuguesa não acompanhava o seu alto nível, e a defesa deu seguidas mostras de descontrole emocional e erros de posicionamento. Cinco minutos depois do golaço de Cristiano Ronaldo, Dzsudzsák voltou a arriscar uma batida de falta na entrada da área. O rebote voltou para os seus pés, e de lá mesmo ele chutou a gol. A bola, que já obrigaria o goleiro Rui Patrício a fazer uma boa defesa, desviou novamente em um jogador português. Desta vez foi em Nani. E encontrou outra vez as redes. As imagens de TV logo mostraram um CR7 revoltado com outro vacilo defensivo.

CR7 não escondeu a irritação com os erros defensivos de Portugal (Foto: Getty Images)

Com a derrota por 3 a 2, Portugal estaria eliminada precocemente. Seria um fracasso. O destino parecia teimar em atrapalhar o caminho de CR7. Só que o craque nascido na Ilha da Madeira é teimoso, insistente. E completo quando o assunto é futebol. Em busca da vitória, Fernando Santos trocou André Gomes – muito fraco em campo – por Ricardo Quaresma. Tão logo entrou, o polêmico (e habilidoso) atacante do Besiktas levantou a bola na área. Adivinha quem subiu mais alto do que todos para cabecear ao fundo das redes?

Ele mesmo, Cristiano Ronaldo. Em toda a história da Eurocopa, ninguém fez mais gols de cabeça (4) do que ele. O português tornou-se o primeiro a balançar as redes em quatro edições distintas do torneio de seleções europeias (2004, 2008, 2012 e 2014) e está apenas a um tento de superar Platini (9) como maior goleador da história do certame. Só que desta vez ele nem comemorou, a tensão da partida não permitia.

Atacante completo: ninguém fez mais gols de cabeça em todas as Eurocopas (Foto: Getty Images)

O ritmo diminuiu somente nos minutos finais, quando os dois selecionados sabiam que estavam garantidos nas oitavas de final. Do lado húngaro, a felicidade e orgulho pela excelente campanha na fase de grupos: terminou na liderança da chave, e dividindo no total do certame o melhor ataque (6 gols) com o País de Gales. Do outro, alívio e tranquilidade dos portugueses, que precisam melhorar como conjunto para seguirem adiante no torneio.

Alívio e tranquilidade, também, para Cristiano Ronaldo. Desta vez não seria preciso reclamar do adversário, como ele havia feito em relação à Islândia; nem atirar microfones para longe. A sua melhor maneira de responder é exatamente fazendo o que dele se espera: gols. Ao final do jogo, os números mostravam um total de 10 chutes (um deles, bloqueado pela defesa, não percorreu todo o caminho), uma assistência e uma outra oportunidade criada. Portugal continua mostrando fragilidades, e CR7 seguiu mostrando que não se esconde em campo. A diferença, hoje, é que ele fez o que todos esperavam: decidiu… e encantou.


Fonte: Goal.com

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