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Derrotada, Argentina vive caos no futebol fora de campo

Há 23 anos sem títulos, o futebol argentino vive uma crise institucional fora do campo. O caos envolve AFA (Associação de Futebol da Argentina), a Justiça, o governo argentino e a Fifa.

Enquanto fazia uma boa campanha na Copa América Centenário, até a derrota na final deste domingo, o futebol do país acumulava problemas na sua organização. Na última sexta (23), a Fifa anunciou uma intervenção na AFA e a criação de uma comissão, que terá até sete membros, para comandar a associação e convocar uma eleição até junho de 2017.

A Fifa explicou que tomou a atitude porque identificou problemas nas contas da sua filiada em contratos fechados com o governo local para a transmissão de jogos do Campeonato Argentino e outros projetos – pode ter acontecido desvio de dinheiro público.

No mesmo dia, porém, a juíza María Servini de Cubría notificou a AFA de que não é necessário seguir a ordem da Fifa e que a Justiça tentará um acordo entre a associação e o governo, que no fim de maio também tentou intervir na entidade alegando problemas administrativos e financeiros.

O novo governo argentino, de Mauricio Macri, que já presidiu o Boca Juniors, time mais popular do país, e assumiu o país em dezembro de 2015, disse também ter encontrado problemas nos contratos entre a AFA e o governo, fechados na gestão anterior de Cristina Kirchner.

O problema é que a Fifa não aceita intervenção governamental em suas associações, como pretende fazer Macri, por isso acionou seu novo Comitê Executivo, chamado de Conselho, para a criação da comissão que tomaria conta da AFA.

Enquanto nada é efetivamente decidido, a presidência continua com Luis Segura, que comandou por anos o Argentinos Juniors, clube conhecido por ter revelado o craque Diego Maradona, e que foi braço-direito nos últimos anos de Júlio Grondona na presidência da AFA.

Grondona chefiou o futebol argentino por 35 anos, entre 1979 e 2014, quando morreu, em julho. Ele estava envolvido, segundo acusação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, no caso de recebimento de propinas que levou dezenas de cartolas sul-americanos à prisão, a partir de maio de 2015.

MESSI ATACA

Sempre alheio à questões políticas, Lionel Messi pela primeira vez criticou os dirigentes argentinos.

“Faz muito tempo que vêm acontecendo coisas e nós não dissemos nada. Precisamos ter o mínimo: poder viajar bem, comer bem, descansar bem para preparar para o próximo jogo, que é uma final. Gostaria que a AFA fosse o que a Argentina precisa. É uma potência mundial que precisa ter o melhor. São muitas coisas que vêm acontecendo e nunca dissemos nada”, afirmou o atacante, na última sexta (24).

Um dia antes, ele postou uma mensagem nas suas redes sociais criticando a logística programada pela AFA para a seleção argentina nos EUA.


Fonte: Folha.com.br

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