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Editorial: Contra a violência e a intolerância

Nas sociedades que transformaram em tarefa diária o culto do respeito à dignidade humana, as lutas individuais do cidadão comum não se sobrepõem às coletivas. Por isso mesmo, tragédias costumam ser olhadas como se atingissem a todos. Há um sentimento visível de consternação, que se manifesta através de posturas solidárias – ir às ruas, por exemplo, para arrancar do poder público resposta à altura – e esse tal sentimento não se aquieta enquanto Justiça e governos não se manifestam com veemência.

Neste caso, há que se reconhecer, e não sem grande pesar, que o Brasil caminha em sentido contrário, numa espécie de “salve-se quem puder”, com a maioria preocupada apenas em sobreviver às adversidades da economia. O resultado não poderia ser outro: intolerância em nível cada vez mais alto e uma clara tendência a ignorar direitos, mesmo que se mostrem legítimos e indiscutíveis. Quando o quadro atinge este grau de dificuldade, as primeiras a perder força são as instituições criadas exatamente com o propósito de defender o cidadão, entre elas a democracia.

E democracia fragilizada significa portas abertas não apenas para a indiferença àquilo que em tese deveria interessar a todos como para a intolerância, sempre eivada de violência. É muito perigoso fechar os olhos a ela, mas tem sido prática comum entre nós. A sociedade assiste a casos extremos como foi o recente massacre em uma boate gay de Orlando (EUA), que resultou na morte de 50 pessoas e mais de 50 feridas, sem tirar os olhos de seus desafios e dramas pessoais e acabam relativizando as dores do mundo. Do mesmo jeito, passam ao largo relatos de abusos sexuais a crianças e adolescentes, crimes bárbaros contra mulheres e pessoas do segmento LGBT, ataque a povos indígenas, tudo numa escala que se agiganta à medida que o poder público deixa de dar as respostas necessárias à pacificação.

A paz não é algo que se deva perseguir eventualmente nem a luta pela construção de um mundo mais justo, mais próspero e mais humano deve ser tarefa deste ou daquele povo. Há um imperioso apelo para que todos se unam na defesa de direitos universais, sem o que o planeta não teria salvação. Ser, escolher, ir e vir são verbos que encerram conquistas humanas de valor inestimável como é a liberdade. Simples assim.


Fonte: Diário de Pernambuco

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