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Editorial: O novo momento da escola pública

No dia 3 de julho de 1879, o Diario modificou a diagramação de sua capa para publicar o novo regulamento do Gymnasio Pernambucano, que teria sua grade curricular modificada por determinação do presidente da província, Adolpho de Barros Cavalcanti de Lacerda.
Criado em 1825 – mesmo ano de fundação do jornal – com o nome de Liceu Provincial, para dar continuidade ao ensino ministrado no seminário de Olinda, o GP tornou-se a primeira instituição de ensino secundário no estado. Sem a concorrência das faculdades de ciências ou de letras, era um local disputado não só por alunos, mas também pelos intelectuais que queriam ostentar o título de “lente”.
Em 1879, ainda um estabelecimento destinado à instrução do sexo masculino, quem conseguisse ingressar  no Gymnasio Pernambucano teria aulas de língua portuguesa, latim, inglês, francês, alemão, geografia antiga e moderna, história antiga e moderna, matemática, ciências naturais, filosofia, retórica e poética, desenho, música e ginástica. 
Os internos, meio pensionistas e externos estudavam das 9h às 17h30, depois de servido o jantar.  Pelas bancas do GP, instalado na Rua da Aurora, passou a maior parte da intelectualidade recifense do século 19. Até meados do século seguinte, a educação pública ainda era valorizada pelas famílias, mas depois foi a rede privada que começou a praticamente monopolizar o envio de estudantes para as universidades… públicas.
Neste século 21, o Ginásio Pernambucano, na sua grafia atualizada, vive um novo momento de revalorização. A Secretaria Estadual de Educação aponta que, dos 620 mil estudantes da rede estadual de Pernambuco, 49 mil são novatos, sendo que 15.515 estudavam em escolas privadas no ano passado. Isso significa que 30,6% dos novos alunos migraram entre as redes.
As explicações para esta volta à escola pública são várias: cotas no vestibular das universidades públicas, bolsa nas faculdades privadas, crise econômica e até a possibilidade de fazer intercâmbio pelo Programa Ganhe o Mundo.

A série Educa PE, que começou a ser publicada no Diario na última segunda-feira, destaca este novo momento. Amanhã, os leitores conhecerão a história de Juliana Medeiros, 17 anos, a primeira da família a ingressar em uma universidade. Alunos, professores, família e comunidade. Assim como foi no seu início, o jornal valoriza a educação. De público, é o nosso compromisso.

 


Fonte: Diário de Pernambuco

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