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Em semana decisiva, Conselho de Ética analisa amanhã processo contra Cunha

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O peemedebista e a mulher dele, Cludia Cruz: problemas com o parlamento e com a Justia. Foto: Evaristo Sa/AFP

Ao mesmo tempo em que espera o próprio julgamento na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal para saber se será réu na Lava-Jato, o deputado Nelson Meurer (PP-PR) terá amanhã a missão de votar em favor do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no Conselho de Ética da Câmara. Ele é um dos mais novos integrantes do colegiado, colocado ali para reforçar o time pró-Cunha e tentar aprovar o voto do deputado João Carlos Bacelar (PR-BA), que prevê a suspensão de Cunha por três meses — penalidade que o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) apelidou de “licença-prêmio”.

Meurer é um dos primeiros denunciados dentro do esquema da Lava-Jato, acusado de receber propina em 99 parcelas de R$ 300 mil. Os adversários de Cunha, entretanto, não pretendem ingressar com qualquer ação contra o fato de Meurer integrar o Conselho de Ética. “Seria trocar seis por meia dúzia. Obviamente, ele ou o partido deveriam revelar algum constrangimento, mas não deve alterar o resultado. Cunha continua tendo 10 votos”, afirma Alencar.

A esperança dos adversários de Cunha e daqueles que terminaram se afastando dele é a de que o surgimento de novas informações a respeito do envolvimento do peemedebista termine por virar votos em favor da cassação, conforme pedido no voto do relator, deputado Marcos Rogério (DEM-RO). Além de Bacelar e Meurer, são votos a favor de Cunha os deputados Laerte Bessa (PR-DF), Mauro Lopes (PMDB-MG), Washington Reis (PMDB-RJ), Alberto Filho (PMDB-MA), André Fufuca (PP-MA), Wellington Roberto (PR-PB), Wladimir Costa (SD-PA) — que está com os bens indisponíveis por causa da Ação Penal 528, a que responde no Supremo Tribunal Federal por peculato — e Sérgio Moraes PTB-RS), que ficou famoso por dizer que “estava se lixando” para a opinião pública.

A perspectiva desses deputados mudarem o voto, entretanto, é zero. “Eu voto pela suspensão porque considero a pena adequada em relação ao delito”, afirmou o deputado Fufuca, ao Correio Braziliense. Até abril, ele era um dos clientes de Daniele, filha de Cunha, que prestava consultoria aos políticos e também teve o nome vinculado às contas na Suíça. Bessa, na última quinta-feira, foi perguntado se mudaria o voto pelo fato de agora Cláudia Cruz ser ré no processo. Respondeu assim: “Não posso criar um factoide que venha a sair do que está proposto”. Com esse time de fiéis, Eduardo Cunha precisa apenas de mais um voto para garantir uma maioria. E é aí que entra Tia Eron, do PRB da Bahia. A partir de hoje, ela volta a ser assediada por todos os interessados nesse assunto.


Fonte: Diário de Pernambuco

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