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Estado Islâmico agora possui um recrutador no Brasil, diz revista

Um relatório produzido pelo serviço secreto brasileiro apontou que grupos extremistas, em especial o Estado Islâmico, têm buscado não apenas recrutar seguidores no país como também para deixar alguns deles em condições de agir a qualquer momento. A informação é da revista Veja.

Até pouco tempo atrás, a única ameaça concreta ao Brasil reconhecida era um texto de 67 caracteres escrito numa rede social por um dos líderes do Estado Islâmico Maxime Hauchard. “Brasil, vocês são o nosso próximo alvo”, dizia a mensagem, em francês, publicada dias após os atentados de novembro de 2015 em Paris.

No fim do mês passado, o grupo criou um canal de propaganda em língua portuguesa dentro de um aplicativo na internet. Inaugurado com a publicação de um discurso do porta-voz do grupo, funciona como uma agência de notícias e veicula, todos os dias, conteúdo como fotos, vídeos e textos da organização. A ideia é recrutar novos soldados.

Desde sua criação o canal é monitorado de perto pelas autoridades brasileiras, que contam com o auxílio de serviços secretos estrangeiros – alguns deles, como a americana CIA, têm agentes trabalhando no Brasil há meses com a missão de detectar ameaças à Olimpíada e aos atletas. As autoridades procuram identificar os responsáveis pela estratégia de recrutamento de brasileiros. Um dos alvos prioritários da vigilância, neste momento, é um militante do Estado Islâmico que se identifica como Ismail Abdul Jabbar Al-Brazili – ou, simplesmente, “O Brasileiro”.

Al-Brazili é um dos responsáveis, por exemplo, por abastecer com textos em português o canal de propaganda recém-criado. Os indícios apontam que ele seria, de fato, um combatente brasileiro do EI. Al-Brazili é um personagem bastante ativo na internet. Nos últimos meses, abriu diferentes perfis em redes sociais. Semanas atrás, coube a Al-Brazili convocar interessados em ajudar na tradução de textos do grupo para o canal em português.

Ele teria sido recrutado para o Estado Islâmico por Abu Khalid Al­Amriki, um americano morto em combate na Síria. Al­Brazili também procura facilitar o acesso de simpatizantes às fileiras do grupo. As autoridades têm motivos para acreditar a tática está funcionando. Há dois meses agentes da Divisão Antiterrorismo (DAT) da Polícia Federal baseados em Brasília investigam o desaparecimento da estudante paraense Karina Ailyn Raiol, de 20 anos.

Recém-convertida ao islamismo, Karina saiu de casa dizendo que iria para a faculdade e nunca mais voltou. Só depois os pais descobriram que ela havia tirado passaporte às escondidas e tomado um voo internacional rumo à Turquia. O dinheiro para as passagens chegou do exterior, de fonte desconhecida. A suspeita é que a estudante tenha sido recrutada pelo Estado Islâmico. Hoje, ao menos trinta suspeitos de ligação com o terrorismo são vigiados de perto pelos agentes oficiais no Brasil. Na semana passada, descobriu-se que o sírio Jihad Ahmad Deyab, que cumpriu pena na prisão americana de Guantánamo por seus vínculos com a organização terrorista Al Qaeda e estava asilado no Uruguai, agora está vivendo no Brasil.

O relatório da Abin afirma que o Brasil nunca esteve tão exposto ao risco de um atentado terrorista. Segundo a agência, simpatizantes do Estado Islâmico no Brasil têm recorrido a estratégias de comunicação para driblar as autoridades, o que indica que pode haver um ato extremista em preparação. No documento, a Abin admite as “limitações operacionais” dos órgãos de segurança para fazer frente à ameaça terrorista no país.


Fonte: Diário de Pernambuco

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