Galvão questiona 'condições morais' de Del Nero para decidir futuro da seleção

Principal narrador da TV Globo, Galvão Bueno criticou, em análise veiculada no “Jornal Nacional” e no programa “Bem Amigos”, do SporTV nesta segunda-feira (13), o atual momento vivido pelo futebol brasileiro, que classificou de “herança maldita” de ex-dirigentes da CBF, pediu mudanças e questionou se o atual presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, tem “condições morais” de decidir o futuro da seleção brasileira.

“A crise atual é uma herança maldita de ex-presidentes presos, indiciados ou investigados pela Justiça, e um deles permanece no poder. Será que, num momento tão critico, Marco Polo Del Nero, investigado por corrupção, tem condições morais para decidir o futuro da seleção brasileira?, questionou.

Assim como Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, o dirigente está na lista de 16 acusados de corrupção pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Outro ex-presidente, José Maria Marin, cumpre prisão domiciliar em Nova York, também acusado de recebimento de propina em torneios de futebol.

Galvão Bueno ainda comparou a eliminação deste domingo (12) na Copa América Centenário, após derrota para o Peru por 1 a 0, ao 7 a 1 sofrido diante da Alemanha na semifinal da Copa do Mundo no Brasil, em 2014.

“Vivemos nosso maior trauma com o 7 a 1 na Copa do Mundo de 2014, em casa. Mas não se classificar na Copa América, num grupo com Peru, Equador e Haiti, é uma vergonha quase tão grande quanto aquela. Um desrespeito ao futebol brasileiro de tantas tradições e conquistas. Vivemos hoje em dia, sem dúvidas, a maior crise técnica e administrativa da história da seleção”.

A campanha no torneio teve o pior aproveitamento da seleção desde 1923, quando o torneio ainda era chamado de Campeonato Sul-americano.

“É hora sim de mudar, porque estamos a menos de dois meses da Olimpíada e nosso desempenho nas eliminatórias mostra que a classificação para a Copa de 2018 na Rússia corre um sério risco atualmente”, afirmou.

Leia a íntegra do comentário de Galvão Bueno

Nossos comentaristas já deixaram claro que o momento é de mudança, e é mesmo. Mas os problemas da seleção vão muito além das quatro linhas. Vão muito além dos estádios de futebol. Vivemos nosso maior trauma com o 7 a 1 na Copa do Mundo de 2014, em casa. Mas não se classificar na Copa América, num grupo com Peru, Equador e Haiti, é uma vergonha quase tão grande quanto aquela. Um desrespeito ao futebol brasileiro de tantas tradições e conquistas. Vivemos hoje em dia, sem dúvidas, a maior crise técnica e administrativa da história da seleção. Uma seleção que apresenta essa confusão tática em campo há muito tempo. Só que ainda mais evidente é a falta de representatividade junto às entidades que regulam o futebol internacional, como a confederação sul-americana e a Fifa. Saímos de protagonistas para sermos meros coadjuvantes em um filme que ajudamos a escrever com a conquista de cinco títulos mundiais. É hora sim de mudar, porque estamos a menos de dois meses da Olimpíada e nosso desempenho nas eliminatórias mostra que a classificação para a Copa de 2018 na Rússia corre um sério risco atualmente. A crise atual é um a herança maldita de ex-presidentes presos, indiciados ou investigados pela Justiça, e um deles permanece no poder. Será que, num momento tão critico, Marco Polo Del Nero, investigado por corrupção, tem condições morais para decidir o futuro da seleção brasileira. E é sempre bom lembrar que a seleção pertence ao torcedor, ao povo. Ela não pertence a nenhum dirigente e principalmente àqueles que trabalharam à margem da lei.


Fonte: Folha.com.br

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