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Gerd Wenzel: Eurocopa 2016: até onde chega a Alemanha?

“A expectativa na Alemanha é enorme: mais de 50% da torcida acredita que o time de Joachim Löw vai conquistar o título”


GOAL Por Gerd Wenzel | www.bundesliga.com.br


Títulos conquistados no passado facilmente podem se tornar um fardo em competições futuras. Isto vale tanto para clubes como para seleções. E a atual campeã mundial também não foge à esta regra.

A expectativa na Alemanha é enorme: mais de 50% da torcida acredita firmemente que os comandados de Joachim Löw vão conquistar o título europeu pela quarta vez em sua história e outros 30% acham que a equipe vai chegar pelo menos à final.

Mas, os alemães não terão moleza. Já não tiveram na fase de grupos quando perderam para a Polônia e a Irlanda fora de casa, além de empatar com a Escócia. Numa das poucas boas apresentações da “Mannschaft” depois da Copa do Mundo, a Alemanha garantiu finalmente em casa, contra a Polônia, o primeiro lugar do grupo.

Para piorar a situação mais um pouco, às vésperas da competição, dois craques se contundiram gravemente e foram cortados: Ilkay Gündogan e Marco Reus, ambos do Borussia Dortmund. Não bastasse isso, embora não seja considerado titular, o zagueiro Antonio Rüdiger sofreu a ruptura dos ligamentos cruzados do joelho direito numa disputa de bola com Thomas Müller durante um treino. O jovem inexperiente Jonathan Tah (Bayer Leverkusen) foi chamado às pressas.

Além dos cortes, jogadores fundamentais, como Mats Hummels e Bastian Schweinsteiger só devem entrar no time titular depois da fase de grupos – na melhor das hipóteses durante o último jogo desta etapa contra a Irlanda do Norte no dia 21 de junho.

Parte dos comentaristas esportivos alemães também não entende porque Joachim Löw insiste na convocação de Lukas Podolski, visivelmente um ex-jogador em atividade, enquanto despreza solenemente Gonzalo Castro e Marcel Schmelzer, que podem jogar bem no seu clube o quanto quiserem – jamais serão convocados.

É preocupante também que dois anos após o anúncio da aposentadoria de Philipp Lahm e Miroslav Klose não surgiu um substituto à altura para nenhum dos dois. Até agora Löw não sabe quem vai ser o seu lateral direito nem o seu atacante de ofício.

E, diante disto, o que faz Joachim Löw? Aparenta otimismo e tranquilidade, além de beber o seu “café espresso”, como afirma ironicamente o conceituado jornalista Peter Ahrens do Spiegel Online.

A bem da verdade, não há muito o que fazer mesmo, além de confiar nesta excepcional base da seleção alemã formada por jogadores desde a Copa de 2010 na África do Sul: Neuer, Boateng, Kroos, Khedira, Schweinsteiger, Özil e Müller. Com todos em plena forma técnica e física, o time pode ir longe.


(Fotos: Getty Images)

É sempre bom lembrar também que depois de 2004, somando-se Copa do Mundo e Eurocopa,  foram ao todo seis torneios. E em todos eles, a Alemanha chegou pelo menos às semifinais. Nenhuma outra seleção ostenta uma marca deste porte que apenas confirma o velho ditado: a “Mannschaft” é um time que sobe de produção no decorrer de um torneio internacional.

Para Peter Ahrens (Spiegel Online), a Alemanha tem plenas condições de chegar à mais uma semifinal, mas avisa: “Se o adversário na semi for a França, será o fim para as pretensões alemãs.” Concordo com ele.


Fonte: Goal.com

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