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Hala Madrid: Mea culpa

“Agora, cerca de três meses depois, venho aqui reconsiderar as minhas próprias palavras. Resulta que, ao contrário do que eu pensava, Casemiro não destoa da equipe”



GOAL Por Paulo Madrid


“Hoje, Casemiro é (muito) importante para o Real Madrid. Mas o ideal, a médio prazo, é que ele volte a ser ‘apenas’ uma boa opção de banco.” Foi exatamente assim, sem tirar nem pôr, que eu avaliei a então recém-adquirida titularidade de Casemiro no Real Madrid.

Agora, cerca de três meses depois, venho aqui reconsiderar as minhas próprias palavras. Resulta que, ao contrário do que eu pensava inicialmente, o volante brasileiro não destoa do resto da equipe. Ele tem, sim, capacidade para coordenar a saída de bola. Tem bom passe e erra pouco, qualidades fundamentais para a função que exerce. Além disso, é de uma eficiência impressionante na contenção, com especial destaque para a precisão nos desarmes e para o senso apurado de coberturas.

Tenhamos como referência o nosso último jogo, a final de Milão. Ele foi um monstro, fundamental. Um dos melhores em campo. Não perdeu praticamente nenhuma dividida. E também voou fisicamente. Não deu nem o mais mínimo sinal de cansaço, seguiu neutralizando adversários até o fim dos 120 minutos.

A curto, médio e longo prazo, Casemiro é titular. Agora a questão não é trazer alguém para o lugar dele, mas sim alguém para ser seu reserva. No elenco atual do Madrid, não há nenhum outro jogador com essas características. Tampouco vai ser fácil encontrar um no mercado. Volantes tão completos quanto ele são raros.


(Fotos: Getty Images)
 

Sobre Cristiano Ronaldo, eu mantenho a avaliação que fiz. Querendo ou não, aí está mais uma fraca atuação em finais para corroborar minha tese de que ele tem uma tendência a sumir em jogos grandes. Por outro lado, parece-me justo que essas críticas sejam não retiradas, mas sim atenuadas. Primeiro porque, dessa vez, é fato que sem ele não teríamos chegado à final. Segundo, porque vontade não lhe faltou em Milão. Correu muito, até para defender. E, pelo menos, não perdeu o seu pênalti. O que, se remontarmos a 2012, perceberemos como sendo um grande avanço.

Em tempo, gostaria de destacar algumas atuações individuais em Milão. Kroos fez sua melhor partida pelo Real Madrid até agora (que timing!). Bale foi o grande destaque do jogo. Pepe jogou demais (o pênalti foi mal marcado). E o que posso dizer de Sergio Ramos? Nenhum elogio parece bastar. Herói, mito, líder, lenda, símbolo, melhor zagueiro do mundo, Deus da Raça espanhol. Dizer tudo isso ainda é dizer pouco. Um busto ou uma estátua homenageando-o no museu do Bernabéu ainda será pouco. Tampouco isto vai bastar, mas eu gostaria de dizer: obrigado, Capitão! Você já é eterno. “Oh, Captain, my Captain!” — quem já viu o excelente “Sociedade dos Poetas Mortos” entenderá.


Fonte: Goal.com

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