Hala Madrid: Vivendo o sonho

“Quando o último pênalti estufou a rede, em meio a tanta emoção, o primeiro pensamento que me ocorreu foi a minha sorte em ter a chance de escrever o texto mais feliz que eu pod…



GOAL Por Paulo Madrid


Olá para você que, tal como eu, acordou hoje – e assim desde domingo passado  – com um sorriso fácil, daqueles que deixa à mostra todos os dentes. Olá para você que, tal como eu, saiu de casa hoje – e assim desde domingo passado – com uma  camisa do Real Madrid, se sentindo pesado e leve a um só tempo. Leve pela sublime alegria que vem com a maior vitória que se pode conquistar em nível de clubes. Pesado porque a nossa amada camisa agora “carrega” incríveis onze taças europeias. ONZE. Pois é. Guarde esse número.

Quando o último pênalti estufou a rede, em meio a tanta emoção, o primeiro pensamento que me ocorreu foi a minha sorte em ter a chance de escrever o texto mais feliz que eu poderia nessa coluna. Meu primeiro ato, portanto, foi, com o rosto ainda manchado por lágrimas que eu não fiz a menor questão de segurar ou esconder, mandar uma mensagem ao editor-chefe deste portal, agradecendo por essa inestimável oportunidade.

A isso procedemos então. O primeiro tempo madridista foi realmente bom. Com as linhas adiantadas e muita intensidade, o time matou a saída de bola do Atlético, que praticamente não incomodou. Nas chegadas ao ataque, a equipe demonstrava organização e tranquilidade, com boas trocas de passes e paciência para furar a ótima defesa colchonera. Mas o mapa da mina eram as bolas paradas. Na cobrança de uma falta pela direita, Benzema chutou em cima do goleiro e perdeu chance incrível. Na cobrança de uma falta pela esquerda, Sergio Ramos se antecipou à Oblak e, com o biquinho da chuteira, empurrou a redonda para o gol. E, no fim das contas, o verdadeiro carrasco seria mesmo – de novo! – o nosso grande capitão.

A segunda etapa foi… estranha, por assim dizer. Começou já com um tremendo susto, o pênalti para o adversário. Mas as penalidades máximas são batidas a onze metros da linha do gol. ONZE. Pois é. A cobrança de Griezmann estourou no travessão. Nos últimos 45 minutos do tempo normal, o Madrid foi Atlético e o Atlético foi Madrid. O que não deixa de ser uma estratégia interessante, porque os merengues se sentem igualmente confortáveis ao  atuar no contra-ataque, enquanto os colchoneros se mostram bastante incomodados quando é deles a missão de propor o jogo. Mas o problema é que, com a entrada de Carrasco no lugar de Fernández, Simeone conseguiu exatamente o que Zidane havia conseguido no primeiro tempo. Adiantou o time, isolou os atacantes do adversário, e os madridistas não conseguiram ligar muitos contra-ataques. De um modo geral, o Atlético foi bem mais incisivo e criou muito mais que o Real Madrid. Apesar disso, o time blanco ainda conseguiu um par de estocadas e teve grandes chances de matar o jogo, mas falhou.

Enquanto isso, Zidane não foi feliz nas mexidas. Primeiro, o técnico foi obrigado a colocar Danilo no lugar de Carvajal. Para variar, o brasileiro levou um baile na defesa. Exceto em um lance, que foi fundamental. Ele conseguiu desarmar Griezmann e, não fosse por isso, o francês ficaria frente a frente com Keylor Navas. Ou seja, parabéns, Danilo. Por ter salvado a pátria, as críticas a você hoje se limitam a uma frase. Depois, Zizou trocou Kroos por Isco e Benzema por Lucas Vázquez. Com isso, o time perdeu ainda mais força no meio-campo e deu mais um passo para trás, muito embora Vázquez tenha tido boa atuação. Mas o pior momento foi depois do empate. O Atlético se encheu de moral, veio com tudo pra cima, pressionou mais do que nunca. O Real Madrid, claramente, sentiu o golpe e teve muitas dificuldades para se sustentar. Não nos restou outra senão rezar pelo fim do jogo. Mas o detalhe é que o gol de Carrasco saiu quando faltavam onze minutos para o relógio chegar aos noventa. ONZE. Pois é.

Prorrogação. Os colchoneros chegaram mais inteiros fisicamente e moralmente. De quebra, Simeone ainda podia fazer duas trocas. Em Milão, o cenário de Lisboa se inverteu. Mas acontece que, exceto por situações esporádicas de jogo, no fim das contas, o Real Madrid não é o Atlético de Madrid, e o Atlético de Madrid não é o Real Madrid.

Ao contrário do que fez o seu rival em Lisboa, o time blanco, mesmo exaurido, se manteve em pé na prorrogação. Inclusive, conseguiu ser até mais organizado e mais perigoso do que seu oponente durante os trinta minutos extras. Diferentemente do seu adversário em Lisboa, o Atlético não percebeu que sua melhor chance era resolver com a bola rolando. Foi cauteloso, parecia gostar da ideia de bater pênaltis. Mas as cobranças, como nós tão bem sabemos, são feitas a uma distância de onze metros em relação à linha do gol. ONZE. Pois é.
La Undécima. Eis que agora, se quisermos esfregar na cara da sociedade a nossa indecente quantidade de títulos de Champions, já não basta apenas mostrarmos os dez dedos das mãos.

Além disso, também é preciso tirar um dos sapatos e levantar o dedão do pé. Ah, sim, dá trabalho. Mas vale a pena. Afinal, ¿Cómo no te voy a querer si fuiste campéon de Europa por Undécima vez?


Fonte: Goal.com

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